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Sobre o vídeo do garoto na escola

02 de Novembro de 2015 | Lição de Casa

Sobre o video do garoto na escolaNa semana passada, um vídeo de uma criança de sete anos tendo comportamento agressivo dentro de uma escola foi compartilhado por milhares de pessoas nas redes sociais. Olhares de vários pontos de vista davam suas opiniões a respeito das causas e consequências de tal comportamento. Vi as imagens pelas redes sociais e também as recebi por e-mail de alguns alunos de Psicopedagogia e de formação continuada, indagando-me sobre a questão.

Nas imagens, podemos ver vários adultos juntos ao garoto. Ao que parece, já estavam esgotados diante de situações semelhantes com a mesma criança e/ou com outras crianças. A mim também sugere que, em situações semelhantes, ao conterem os alunos com comportamento agressivo, sofreram consequências que julgaram injustas ou inapropriadas. O que podemos inferir?

Decerto, não é uma cena que gostaríamos de ver dentro de uma escola, sendo protagonizada por uma criança, no início de sua caminhada num ambiente institucional de aprendizagem. 

Quando idealizamos o ambiente escolar, imaginamos crianças interessadas e felizes em aprender, professores preparados e entusiasmados em ensinar, pais participativos, ambientes estruturados para promover uma relação de respeito e harmonia entre estas três partes que constroem o conhecimento e o desenvolvimento de um ser para viver e atuar numa sociedade: escola, aluno e família. Certo? Certo. Mas isso ocorre quando idealizamos uma escola. Nossa realidade está longe disso. Infelizmente. 

Há 40 anos frequento escolas. Nos últimos 30, como aluna e professora. Com cautela e profundo respeito, escrevo sobre esta questão. 

O cenário que temos hoje, na maioria das escolas, é de alunos desinteressados, professores com formação inadequada para as funções que se veem obrigados a exercer, ambientes inapropriados e pais ausentes/ocupados. Então a culpa está onde?

Primeiramente, ressalto que não é o caso de culpabilização. Divulgar imagens de crianças sem autorização em situações como a do vídeo citado certamente é um equívoco. Porém, devem servir para que possamos refletir sobre como estamos praticando a educação. Como e com quais objetivos estamos enviamos nossos filhos à escola? Como as famílias estão participando do processo educacional de seus filhos? Como as entidades de formação de profissionais da educação os preparam para atuarem nas instituições de ensino? Como os profissionais que escolheram a profissão nessa área cuidam de si e de sua formação continuada? Como os outros setores da sociedade complementam as ações de educação em apoio às escolas e aos pais?

Em meu entendimento, a formação de nossas crianças depende da eficiência da GESTÃO COLETIVA de todos os setores da sociedade. Educação FORMAL é competência da escola. Mas a formação do sujeito é responsabilidade de TODOS. Dos valores e princípios intra-familiares, da gestão eficiente da escola, da formação adequada dos professores, da atuação eficaz e responsável dos poderes públicos. Responsabilizar apenas uma mãe que necessita trabalhar para seu sustento e de sua família é cruel. Responsabilizar unicamente a escola, já esgotada por retaliações em casos semelhantes, é tapar o sol com a peneira. A violência há tempos frequenta nossas aulas, vide casos e mais casos de professores e funcionários agredidos dentro das escolas. E o aluno? Bom, o aluno é a ponta do iceberg. Tendo em casa acompanhamento, referências de valores e princípios para se viver em sociedade, escola com ambiente adequado para os processos de aprendizagem, professores bem preparados e valorizados, a criança se desenvolverá com referências positivas. Sua caminhada será guiada pela alternância equilibrada entre a estimulação de seu potencial e o cumprimento das regras e limites para viver em sociedade. A exposição da situação vivida a partir do comportamento dessa criança nos expõe a todos.