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Sobre a dor de crescimento e as outras dores, que nunca deixam de existir

02 de Agosto de 2017 | Mãe Profissional

 

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Foto: Divulgação/iStock

Por Adriana Goulart

Você já vivenciou a dor de crescimento do seu filho? No meu caso essa experiência é semanal, desde que a Maria aprendeu dizer "dodói" e pegar na perninha. Às vezes passa com massagem, noutras precisa de remédio. Depois de meia hora de carinho, ela volta a dormir como um anjinho.

Hoje, depois de um dia agitado no parquinho, aniversário de amiguinho da escola, não deu outra: dor de crescimento. Enquanto tentava acalmá-la, prometi que essa dor iria passar. Que quando ela ficasse grande, não sentiria mais isso. Foi aí que percebi que estava mentindo para minha filha.

Passou um filme na minha cabeça e, nele, todas as dores que já tive. O amor não correspondido, a briga de verdade com uma grande amiga, daquelas que rompem amizade e a gente fica com saudade..., a primeira prova que não consegui fazer, o vestibular não conquistado, a separação dos meus pais, as lutas no emprego, os tropeços que nos fazem mais fortes, mas que machucam e cansam. Também me lembrei dos sapos que aprendi a engolir. Veio também a lembrança das dores de outras pessoas, que amo e amei, e que vi de perto.

Como mentir para minha filha de que as dores vão deixar de existir, se elas mudam de lugar e de tamanho o tempo todo? Fiquei com o coração na mão. A deixei na cama, quentinha e protegida, e continuei com a cabeça a mil.

Brigando com essa preocupação e angústia dentro do peito, chegou de mansinho uma sensação gostosa de felicidade. Coisa esquisita, a felicidade de ter "sobrevivido" a tudo isso e uma certeza de ter aprendido com cada dorzinha.

Hoje, nos sapos ponho tempero, nas amizades coloco leveza, nos meus pais, amor, e nos medos, coragem. Dores de crescimento fazem parte da gente. Não tem como não ter. Enquanto estivermos vivendo vamos passar por elas.

Descobri que não menti para a Maria. A dor de crescimento da perninha vai realmente passar quando ela ficar mocinha. As outras? "Quando casar saram", como dizia minha mãe.