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Para refletir: a relação das crianças com o dinheiro, o trabalho e os sonhos

27 de Fevereiro de 2018 | Meu Dinheirinho

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Na última semana, fui convidado por uma escola para conversar com seus alunos do ensino infantil. Foram duas turmas: uma com crianças de 4 e 5 anos e outra com crianças de 6 e 7 anos. Nas semanas anteriores, as professoras trabalharam junto aos seus alunos os livros da série Meu Dinheirinho. São quatro histórias que abordam os quatro pilares da educação financeira: aprender a ganhar, aprender a gastar, aprender a doar e aprender a poupar. Uma boa educação financeira deve se preocupar em desenvolver esses valores nas crianças.

Além do carinho com que fui recebido por todos, cabe destacar algumas questões que me chamaram a atenção e merecem a reflexão de todos os envolvidos na educação de nossas crianças.

O primeiro aspecto a destacar é o comportamento consumidor já presente nessas crianças. São pequenos grandes consumidores de várias categorias de produtos: brinquedos, roupas, viagens. Como obviamente não dispõem de renda própria, acabam consumindo todos esses produtos com a renda de seus pais ou outros familiares. Estimulados pela propaganda que os alcança das mais diversas formas, sabem quais produtos querem ter e quais são as marcas dos mesmos. Basta assistir à programação de algum dos canais voltados ao público infantil para presenciar o bombardeio de publicidade que os estimula a consumir os mais diversos lançamentos da indústria de brinquedo e do entretenimento.

Caberia aos pais dar uma freada neste comportamento. Mas muitos deles acabam por estimular ainda mais o consumo. Diversas são as razões. Muitos pais que não tiveram uma infância cercada de bens materiais acham justo que os filhos não tenham as mesmas privações que eles tiveram. Outros pais acreditam, por sua vez, que o bem-estar material pode compensar a falta de tempo para estar com seus filhos. Afinal de contas, o sucesso profissional exige uma dedicação muito grande e esse mesmo sucesso é o que garante a qualidade de vida da família. Para eles, não há outro caminho.

Um segundo aspecto observado foi a vinculação imediata e quase exclusiva que fazem do trabalho. Para eles, o trabalho serve para ganhar dinheiro. Com certeza, essa opinião vem sendo formada pelas observações do comportamento que os adultos que os cercam têm sobre o trabalho. Limitar o valor do trabalho somente à recompensa material advinda dele pode prejudicar muito a formação das crianças. Há mais valores ligados ao trabalho. Afinal, umas das razões mais importantes para se trabalhar é a possibilidade de através dele, termos a nossa realização. Realização como pessoa, capaz de realizar algo com competência, de fazer alguma coisa com paixão. Outra importância do trabalho é nos permitir ajudar a outras pessoas. Com o nosso trabalho podemos ser capazes de melhorar a vida de outras pessoas.

E por fim, outra observação importante foi na verbalização de quais são os seus sonhos. Grande parte das crianças resumiu o seu sonho em ser rico. E há de se destacar que era um grupo de crianças de uma escola particular situada em um bairro nobre de nossa capital. Ou seja, grande parte das famílias deve ter um padrão de vida muito bom, permitindo inclusive a opção pela escola privada. E isso é triste, pois é na infância que devemos ter os mais diversos sonhos possíveis. Nesta época é que podemos sonhar uma semana em sermos astronautas, na outra em sermos jogador de futebol e pouco depois sonharmos em ser médico. O dinheiro deve ser consequência e não um objetivo de vida.

 

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