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Neste Dia da Síndrome de Down, uma reflexão sobre a sociedade que queremos

21 de Março de 2017 | Blogs Antigos

Foto: PixabayAno vem, ano vai e seguimos dando nossos passos rumo ao que consideramos essencial para uma sociedade inclusiva. Nossos passos não são tão firmes quanto gostaríamos, e não alcançaram todas as regiões onde se fazem necessários. Mas seguimos pelo caminho.

Neste dia 21 de março – Dia Internacional da Síndrome de Down –, o que eu mais espero é chegarmos logo ao tempo em que as pessoas compreendam o seu papel para vivermos numa sociedade solidária e responsável.

Alguns podem se sentir plenos de certeza de que já fazem sua parte. Nutrem empatia pelas diferenças que encontram pela frente. Lá na escolinha "tem sim várias crianças especiais", muitas vezes sem nunca terem buscado saber sobre o que as fazem "especiais"...

Então vamos lá. Você sabe como é a vida de uma família com um filho ou um dos pais com necessidades especiais de saúde? Você sabe como a maioria das famílias estão estruturadas, se pai e mãe permanecem juntos como casal ou "apenas pais da criança"? Sabe como eles se mantêm financeiramente, apesar do peso dos custos a mais com saúde e qualidade de vida? Conhece as restrições alimentares e seu impacto social? Sabe sobre os desafios diários para oferecer educação de qualidade? Sabe se essa família ainda precisa de ajuda no diálogo com a escola sobre o direito à inclusão, adaptações, etc? Sabe se seu filho observa, aponta ou compreende as diferenças?

Poderíamos seguir formulando questionamentos aos montes, infinitamente. Porque, na verdade, só conhece a vida como ela realmente é quem está dentro dessa realidade, ou quem se interessa em perguntar, participar, colaborar e se oferecer de apoio para vida dessas pessoas. A isso eu chamo de assumir o seu papel como parte integrante e ativa da sociedade.

Aquela aspiração de viver na sociedade democrática que queremos só fará sentido se cada um pensar, no seu raio de atuação e, de fato, agir. Só fará sentido quando cada um de nós, todos os dias, descobrir que há a possibilidade de iniciativas simples e concretas para acelerar nossos passos para um presente mais fecundo e um futuro mais grato...

Sonho com o dia em que as pessoas me perguntarão mais, e sem melindres, porque meu filho não fala e como podem se comunicar com ele, apesar disso. Sonho com o dia em que crianças cadeirantes em parques serão vistas pelas famílias, conversarão sobre suas possibilidades e serão convidadas a participar das brincadeiras, como todas as demais crianças interagem e brincam juntas, cada uma ao seu modo. Sonho que, ao planejar festas familiares ou eventos sociais, as pessoas perguntem e se informem como oferecer alimentos seguros para todos os convidados. Tenham a certeza que perguntar com genuíno desejo de entender, para adaptar-se e oferecer ajuda, não será intromissão ou constrangimento. Será a atitude individual concretizando o início da inclusão, desde que as palavras carreguem empatia. 

São apenas três exemplos, mas isso só se realizará se nos fizermos a  pergunta:  o  que  eu  posso  fazer, como mãe da mesma sala, como vizinha, como professor, como vendedor, engenheira, médica, advogado, motorista de ônibus, entregador, para contribuir na inclusão daqueles que são apenas diferentes de mim? Buscar suas próprias respostas será um constante exercício que revelará um aprendizado crescente e precioso sobre o segredo das oportunidades.

Pequenas ações disseminam a iniciativa e geram ações maiores. Ações maiores geram ações de grande impacto. Ações de impacto geram pequenas mudanças graduais, até se constituírem em realidade para muitos.

Qual serão as suas pequenas ações de hoje pela sociedade que queremos?