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Nas nuvens, minha cabeça viaja: que legado deixarei aos meus filhos?

06 de Outubro de 2017 | Sem Manual
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Foto de Marcílio Lana

A coluna desta semana estava nas nuvens; difícil de acessar. Confesso que eu não estava conseguindo processar algo e escrever; ideias trafegando em alta velocidade neste mundo convergente e repleto de sinapses, mas nada de muito concreto.

Em parte, acredito que essa “ausência” está associada a muita indiferença, pré-conceito, ignorância, brutalidade, bestialidade e intolerância que rondam nosso cotidiano. E, aí, inevitável... Desesperança. E desesperança não rima com criança. Como vir aqui para escrever algo e pensar em nossas crianças, em nossos filhos, sobrinhos, netos...?

Penso nos meus filhos e, inevitavelmente, penso neste mundo de indiferença, de dor, de dor que é imposta, muitas vezes, de forma deliberada ao semelhante. Minha cabeça viaja, acompanha o meu corpo que, estático, se desloca pelas nuvens.

Chego ao solo, encontro a maior cidade brasileira, e pela janela do carro observo a metrópole impessoal, o trânsito que se expressa feito guerra, o olhar de disputa que me ronda. Não sou um estrangeiro, pois sou parte dessa vida. Sou parte e coparticipante, obreiro dessa sociedade que fala de respeito, de tolerância, propagandeia o afeto, mas não o pratica.

Desejo de pai aparece: proteção, envolver meus filhos na redoma e tentar, de alguma forma, desenhar um mundo com outras cores. Dá medo, insegurança, angústia.

Mas penso nos meus filhos. Penso nos filhos de todos e recordo do sorriso que nasce com as crianças, qualquer criança, mas que vai sendo roubado, envilecido. Afinal, que queremos? Não seremos capazes de abrir mão de nossas idiossincrasias e individualismo em prol de um mundo melhor?

Qual é o nosso legado? Que legado vamos deixar para nossas crianças? Claro, não tenho resposta, não tenho receita. Mas arrisco dizer que nesta semana, quando os católicos celebram o dia de São Francisco de Assis (4 de outubro), espécie de encarnação da bondade, da capacidade de se dar para os outros – homens e bichos –, convido você, que me “enxerga” do outro lado dessa tela, a pensar em qual é a “morada” que queremos. Qual é o lugar que queremos erguer e deixar para nossas crianças? Elas merecem mais, nós devemos isso a elas.