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Igualdade de oportunidades: o que a natação nos ensinou sobre adaptação

29 de Setembro de 2017 | Blogs Antigos

 

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Foto: Arquivo Pessoal

Vivi algo muito emocionante, que gostaria de compartilhar com vocês. Meu filho tem 7 anos e frequenta a natação desde bem pequeno, quando identificamos sua fascinação pela água e presenciamos ele entrando na piscina sem nenhuma noção do perigo. Isso é muito comum em crianças com autismo e aconteceu também conosco.

Ele adora a natação, funciona aqui em casa como uma atividade terapêutica que o ajuda em muitos aspectos. Mas, para isso, houve a necessidade de dialogar com a coordenação da academia porque, apesar da idade dele, não é ainda capaz de frequentar a turma de crianças da faixa etária, como costuma acontecer. Negociamos essa exceção pelo seu nível de aprendizado e características (distração e ansiedade) dentro da piscina. Sua aula precisa ser individual, e o colocamos no início do turno, horário mais tranquilo no ambiente. Ele frequenta também apenas uma vez na semana. Abrimos mão do outro dia após observarmos que ele estava ficando sobrecarregado, devido aos outros atendimentos além da escola. Atividade na água para crianças com autismo pode significar um grande desafio pelos estímulos sensoriais durante a atividade, que podem funcionar como intenso relaxamento ou como sobrecarga sensorial.

Ele já está nadando nesse esquema há quase um ano, mas só durante a “apresentação de natação” para os familiares eu tive clareza do que estamos fazendo por ele. Observei que todos dos horários individuais eram crianças muito pequenas, no máximo com 4 anos. Em contraste com meu filho já com seu corpão de 7 anos. E nessa idade isso faz muita diferença... Ele era muito maior e demonstrava efusivamente por sorrisos, risadas e poses a alegria imensa por mostrar o que havia aprendido. 

Então, percebi que estávamos vivendo um conceito relativamente novo que precisa ser multiplicado. A igualdade de oportunidades exige capacidade de adaptação do ambiente, das exigências e expectativas para o desempenho de atividades. Reduzir o grau de dificuldade, aumentar o nível de ajuda e criar a real possibilidade de realização é essencial quando lidamos com crianças de desenvolvimento atípico. A atividade pode e deve ser desafiadora, mas com atenção às habilidades atuais da criança para que seja realizável com alegria e prazer.

Fiquei observando a piscina e refletindo como ele estaria se houvesse a imposição de estar na turminha, mas sem a chance de se sentir tão confiante por ter sido respeitado em suas características. Fiquei muito grata por isso. Ele está evoluindo, já se desenvolveu bastante na natação e se sente feliz assim, o que é mais importante.

Não estou com isso levantando nenhuma bandeira definitiva sobre enturmação de crianças de desenvolvimento atípico. Pelo contrário, a tão discutida inclusão precisa ser feita em todos os ambientes, em cada situação onde é necessário cuidar para que todos possam desfrutar das mesmas oportunidades. E o olhar precisa ser atento à individualidade, em cada contexto. Oferecer atividades a cada um da forma como pode desempenhar, no nível de complexidade que consegue naquele momento.

A gratidão invadiu meu coração ao ver o rosto do meu filho refletir a confiança que adquiriu em si mesmo. Ver que ele não se preocupava em se comparar com as demais crianças nadando, mas em superar a si mesmo. Mais uma vez, me senti uma aprendiz dele...