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Ganhando presentes o tempo todo, nossas crianças estão ficando mal-acostumadas

26 de Setembro de 2017 | Meu Dinheirinho

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Nossos filhos estão ficando cada vez mais mal-acostumados a ganhar presentes. Antigamente poucas eram as ocasiões em que os filhos eram presenteados pelos pais. Lembro-me que eu só ganhava presentes no meu aniversário (em fevereiro) e no Natal. E demorava uma eternidade entre as duas datas.  Apesar do dia 12 de outubro ter sido oficializado como Dia da Criança pelo presidente Arthur Bernardes, por meio do decreto nº 4867, de 5 de novembro de 1924, esta lei não chegou em minha casa.

Hoje qualquer motivo é razão para presentearmos nossos filhos. E não são somente as datas festivas do calendário. Até a lua mais brilhante no céu serve de pretexto. E qual é a principal consequência disso? Eles dão cada vez menos valor às coisas que ganham. Como tudo chega muito fácil, perde o valor.

Quando eu queria uma coisa e pedia aos meus pais, a primeira observação que ouvia deles era sempre: “Não sei se vou te dar”. E a segunda, em seguida, era: “Mas se ganhar vai ser só no seu aniversário ou Natal (dependia de qual seria a próxima data)”. A expectativa ficava enorme. E se o meu desejo se concretizava, aquele presente passava a fazer parte da minha vida de uma forma muito intensa. E assim foi com minha bicicleta, minha radiola, meu training da Adidas.

E hoje o que acontece? A criança ganha o brinquedo que pediu e acaba brincando com ele por poucos dias (quando não são horas). Logo chega um novo e o antigo (de poucos dias ou semanas) fica esquecido na prateleira.

Há dois anos a Maria Eduarda nos pediu uma boneca de Dia das Crianças. Ela queria uma Adora Doll. Fui olhar na internet e vi que ela custava mais de R$ 800,00. Era importada e o dólar estava nas alturas. Nos Estados Unidos, o preço dela era bem mais acessível. Disse então para a Duda que não havia a menor possibilidade, pois, a boneca era muito cara e também não tínhamos nenhuma viagem programada para os Estados Unidos. Ela tentou argumentar dizendo que várias de suas colegas já tinham esta boneca. Disse então a ela que nem tudo que as colegas tinham ela iria ter. Da mesma forma, algumas coisas que ela tinha ou fazia as colegas não tinham nem faziam.

O tempo passou e, no ano seguinte, eu e minha esposa iríamos fazer uma viagem para os Estados Unidos. Falamos então para a Duda que ela podia pedir um presente. Ela pediu a Adora Doll. Fiz a compra pela internet (com um valor dentro do meu orçamento) e pedi que a entrega fosse feita no meu hotel. Não precisa dizer que ela adorou o presente. A Aninha (nome da boneca) passou a nos acompanhar para todos os lugares.

Acredito que a expectativa e a espera deram um grande valor para aquela boneca. Em abril deste ano, na comemoração de oito meses do irmão, a Duda fez questão de também cantar parabéns para a Aninha. Ela estava completando um ano de vida!!