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Fala que eu te escuto. E vice-versa

24 de Novembro de 2015 | Lição de Casa

Fala que eu te escuto.Quando nossos filhos querem alguma coisa, é comum eles fazerem de tudo para conseguir. Seja tomar um sorvete bem antes do almoço, brincar na casa de um colega ou fazer cabaninha na sala usando os lençóis que acabaram de ser passados (esse é o meu caso!). A insistência é a alma do negócio. Pedem, insistem, argumentam tentando nos vencer pelo cansaço. O que de fato, às vezes, acaba acontecendo. Vivi algumas situações parecidas com a que vou relatar aqui e imagino que possa ter ocorrido com alguns de vocês. 

A criança vai até a e e pede para fazer algo. Ela diz não. Não satisfeita, vai até ao pai pedindo para fazer a mesma coisa, como se não tivesse pedido primeiro para mãe e levado um NÃO sonoro. Se o pai deixar, ótimo. Resolvido. Bom, é o que parece. Mas isso pode acabar em confusão.

Além de viver situações semelhantes com meus filhos, sempre surge um caso de ordem parecida nos relatos de pais que atendo como psicopedagoga. Às vezes alguns pais chegam a queixar-se que os filhos estão mentindo ou fazendo jogo sujo. Alguns temem que circunstâncias como a relatada acima possam indicar algum problema no caráter de seus filhos. Em casos mais graves e com alta incidência, podem nos sinalizar algo mais sério. Quando situações dessa natureza acontecem no comportamento das crianças, requerem dos pais sintonia e coerência no cumprimento ou na flexibilização das regras da família

Quando damos liberdade para que a criança possa falar o que deseja ou pensa, normalmente ela fala. Em situações em que a criança deseja argumentar sobre algo que quer realizar e recebeu um não como resposta, cabe-nos como adultos ouvi-la - é um exercício de paciência, eu sei. Reside aí uma oportunidade natural para que ela desenvolva a capacidade argumentativa. Para que possa pensar palavras adequadas para usar e desenvolva a capacidade de flexibilizar, fazendo negociações. Para falar, precisamos articular o pensamento. Argumentar então! É importante que ela estabeleça com os pais ou cuidadores uma relação de confiança de que poderá falar e será ouvida. Ouvida não quer dizer atendida - se ela vai conseguir o que deseja, é outra história. Vai depender da sintonia e flexibilização dos pais com o cumprimento das regras estabelecidas. Porém, o exercício de diálogo é fantástico para ambas as partes.

Parece conversa fiada, mas não é. Ouvir seu filho quando ele deseja e necessita falar fará com que ele desenvolva, sem que perceba, a capacidade de ouvir. A escuta é uma base preciosa na construção de numa relação de respeito e confiança. 

Não concorda comigo? Sem problema. 

Quer argumentar? Fala que eu te escuto.