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Excesso de Para Casa: veja 7 dicas para lidar com esse desafio

15 de Setembro de 2016 | Lição de Casa

Foto: PixabayMateus, um menino de sete anos cheio de energia, entra no consultório todo animado: "Hoje eu posso escrever outro livro de desenho?". Muito amigavelmente eu digo: "Sim, se é isso que você pensou em fazer hoje. Posso te ajudar em alguma coisa?" Eu nem havia terminado a frase e ele dispara: "Não precisa. Já tá tudo aqui na minha cabeça. Só falta fazer. Tenho muitas coisas legais aqui na minha cabeça. Só falta fazer".

E ele fica ali por trinta e cinco, quarenta minutos imerso num frenesi de ideias, insights, imagens, rabiscos e aventuras infindáveis. Sua face chega a corar de tanto êxtase. Depois de algum tempo, sem titubear, me entrega orgulhoso mais uma obra-prima a ser contemplada. Felicíssimo com mais um livro concluído, dispara que na próxima semana já sabe sobre o que vai escrever, em forma de desenho, no seu próximo livro de aventuras.

Os pais de Mateus foram chamados pela coordenação de uma tradicional escola belo-horizontina para conversar sobre alguns comportamentos do menino que estariam dificultando a concentração dele e de seus colegas durante as aulas. A escola relatou que ele tem estado muito inquieto e agitado, num senta-levanta angustiante, segundo relato da professora que o acompanha diariamente. Deixa derrubar os objetos e às vezes fica olhando para o "nada". Os pais então foram orientados a procurar um especialista para ver se ele estava tendo problemas para se concentrar.

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Este é um pequeno histórico resumindo as circunstâncias escolares do Mateus, relatado pelos seus pais, quando os recebi em meu consultório. Em nossa primeira entrevista, ouço, dentre muitas observações do dia a dia do Mateus, a labuta na hora do Para Casa. São muitas folhas de tarefas que, sozinha, uma criança de sete anos jamais conseguiria fazer, ainda que tivesse autonomia acima da média esperada para sua idade. Assim sendo, Mateus depende que um adulto que não só coopere, mas que também opere algumas funções para dar cabo de tanto trabalho de um dia para o outro. 

E assim, dia sim e outro também, inclusive nos finais de semana, a mãe o acompanha nessa não muito divertida aventura. Sobra pouco tempo pra brincar. Pra criar. Pra não fazer nada e assimilar o que aprendeu. Os pais de Mateus encontram-se num dilema: como balancear essa equação entre permitir que os filhos descansem diariamente mas também peguem firme nos estudos, preparando-os para o mundo competitivo dos vestibulares em boas universidades se não começarem desde cedo?

É certo que este equilíbrio está a cada dia mais difícil. As escolas consideradas boas nos resultados dos vestibulares, desde cedo, andam caprichando no volume de Para Casa. Aguentar esta rotina pesada não é perfil de toda criança. E nem garantia de êxito, certo? O fato é que as crianças andam "dando tilt" com tantos afazeres cada vez mais cedo. E às vezes esse tilt se expande para toda a família. Quando este é o cenário de seu filho e de vocês pais e responsáveis, alguns cuidados podem ajudar muito:

  1. Organizar o material previamente - é uma tarefa simples que otimiza bastante o tempo. Conheço pais que têm "kit para casa" com tesoura, cola, régua, revistas, quadrinhos, jornais, etc.
  2. Rotina, hábito e combinados - criar e respeitar a rotina faz muito bem na hora das tarefas escolares. Existem casos em que o problema em manter a rotina está nos pais e cuidadores.
  3. Um grande companheirismo - brigas nesta hora tornarão ainda mais difícil o processo.
  4. Cuidar das relações familiares - lembrar ao seu filho e a si mesmo que vocês estão remando na mesma direção. Com os mesmos objetivos.
  5. Dar feedback nas reuniões na escola - nas reuniões na escola pontuar sobre o volume excessivo de Para Casa, se for o caso.
  6. Reconheça os esforços de seu filho. Verbalize isso de forma clara pra ele. Diariamente - sempre, sempre, sempre incentive seu filho. Se o xingatório for maior que o reconhecimento pelo esforço, ele se sentirá desmotivado.
  7. Mudança de escola - há casos que a maior dificuldade está em conciliar o perfil da criança ao perfil da escola. Mesmo que seja uma ótima escola. Mesmo que você, seu pai, seu avô tenham estudado lá, pode não ser o perfil de seu filho.