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Desenvolvimento escolar ATÍPICO - ESPECTRO AUTISTA

19 de Janeiro de 2016 | Lição de Casa

autismo 

"Sempre me impressionou a forma como ele vê o mundo e retorna com amor. Parece uma coisa que veio com ele, inata. Muitas vezes penso que ele veio para nos ensinar a olhar o universo das coisas apenas por esse filtro. Não tem água turva que o impeça de ver as durezas, sempre com doçura."

                                                                  Relato de uma tia cuidadora

Sempre que escrevo sobre crianças com desenvolvimento escolar atípico me vem à memória as angústias das mães, pais e cuidadores, como tias e avós, e também de professores que recebo em meu consultório buscando ajuda. As dúvidas são grandes quando surgem demandas no desenvolvimento de crianças que requerem maiores cuidados, como ocorre com o autismo.

Caracterizado por apresentar alterações expressivas no comportamento, na comunicação e na interação social da criança, o autismo é considerado um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD). As alterações aparecem por volta dos três anos de idade, podendo ser percebidas nos primeiros meses de vida em alguns casos. Estas alterações acarretarão dificuldades adaptativas significativas na criança. As causas ainda não estão bem elucidadas. Sabe-se que há maior incidência em crianças do sexo masculino.

"Sinto que estudar é um peso para ele. Mas ao mesmo tempo ele gosta da escola. Ele gosta da convivência, das possibilidades, dos amigos."

A OMS - Organização Mundial de Saúde, através do CID-10, classifica oito transtornos como sendo transtorno global do desenvolvimento (TGD). São eles a síndrome de Asperger, síndrome de Rett, autismo infantil, autismo atípico, transtorno com hiper­cinesia com retardo mental e movimentos estereotipados, transtorno desintegrativo da infância, outros transtornos globais do desenvolvi­mento e transtornos globais não especificados do desenvolvimento. Recebem a denominação de TDG por apresentarem como características comuns alterações no desenvolvimento típico, na comunicação, na interação social e no comportamento, ocorrendo variância de intensidade dessas características entre os oito tipo de transtornos. Todos são considerados transtornos do espectro autista.

"Ele é também a pessoa mais educada que já conheci. Elegante por natureza. Incapaz de interromper uma soneca, de entrar sem pedir licença, sempre com uma mão estendida, um abraço aberto. Incapaz de uma indelicadeza. Ele pode ser muitas coisas. A mim importa que ele saiba que meu colo é sempre dele."

Conforme podemos perceber, o diagnóstico de uma criança que apresenta sintomas com características do espectro autista não é uma tarefa fácil. A investigação minuciosa fará com que as intervenções possam ser mais precisas e eficazes na condução do tratamento. Alguns sinais considerados mais frequentes, como desinteresse por relacionar-se com o outro, fuga do contato visual, pouca ou nenhuma fala, rejeição ao contato físico como carinho e abraços, apego a determinados objetos e às rotinas, comportamento alheio, tendência ao isolamento e movimentos repetitivos, podem servir como indicativos de algum problema, porém o diagnóstico deve ser feito pelo médico. Com relação ao nível de inteligência, pode apresentar-se abaixo do normal, normal ou acima do normal.

"Ao mesmo tempo, acho que o mundo o agride na sua mais fina sensibilidade. Não há espaço para ele, não há chance para ele ser quem é. É preciso se enquadrar, se formatar, estar dentro e isso exige uma dose imensa de aceitação."

Especula-se que alguns gênios famosos como Lionel Messi, Albert Einstein e Bill Gates sejam autistas. Mas, longe do glamour das celebridades, humanizar e tornar eficientes os serviços, os cuidados e o acolhimento das crianças autistas e de suas famílias é um dever. Inclusão por inclusão, sem capacitação, é ineficiente. Há uma necessidade premente de centros especializados e de fácil acesso.

 

"Digo que ele é um corajoso, um bravo. Que não se cala diante do que considera injusto. Como o espaço de convivência que ele mais experimentou, depois da família, foi a escola, foi ali que ele exerceu seu espírito aguerrido. Espírito esse que acabou por contaminar seus pais, que conseguiram levar para dentro da escola os profissionais (médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, psicoterapeutas) que o assistem. Essa conquista é dele. Porque foi ele quem não aceitou a exclusão, o bullying, o não fazer parte."

 

Sobre desenvolvimento escolar atípico, ver também: Desenvolvimento escolar ATÍPICO - TDAH,  Desenvolvimento escolar ATÍPICO - Dislexia, Desenvolvimento escolar TÍPICO e ATÍPICO.