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Desenvolvimento escolar ATÍPICO - Dislexia

22 de Dezembro de 2015 | Lição de Casa

DislexiaDando continuidade ao tema da coluna anterior ("Desenvolvimento escolar TÍPICO e ATÍPICO"), vamos prosseguir entendendo um pouco mais sobre os problemas que afetam os processos de aprendizagem.

Existem várias definições sobre aprendizagem, estabelecidas por estudiosos diferentes e de diferentes áreas de conhecimento. Em linhas gerais podemos dizer que uma criança aprende quando, ao ser exposta a um estímulo ou objeto ou informação, interage com este e muda suas habilidades e competências ou seu comportamento. Em outras palavras, aprendizagem acontece quando um estímulo ou informação teve significado para a criança, e este significado absorvido por ela alterou sua relação com o objeto e a partir do objeto.

Para que a aprendizagem ocorra, são necessárias importantes funções neurobiológicas e neuropsicológicas. O cérebro é o centro do processamento. Assim como os fatores biológicos, os fatores ambientais, escolares e familiares também exercem um papel fundamental. Juntando-se a estes, temos os fatores de personalidade, como as questões emocionais e a modalidade de aprendizagem.

Alguns autores dividem a dificuldade de aprendizagem em dois grupos – dificuldades escolares e distúrbios de aprendizagem. Nessa coluna, falaremos sobre um distúrbio de aprendizagem conhecido como DISLEXIA (dis = distúrbio / lexia = leitura). A leitura é um ato cerebral bastante complexo. Sua aprendizagem utiliza-se de forma gradativa de duas rotas: a lexical e a fonológica. A alta performance na leitura é adquirida quando ambas as rotas são utilizadas de forma automática e simultânea. Pode haver casos de dislexia em uma ou em outra rota. Um diagnóstico preciso determinará qual tipo de intervenção mais adequada deverá ser aplicada. 

Por envolver várias áreas de conhecimento, o diagnóstico de dislexia não é fácil de ser alcançado. Em função disso, deve ser feito por uma equipe multidisciplinar. Pesquisas recentes apontam as causas da dislexia como sendo uma relação do processamento fonológico, estímulos ambientais e questões genéticas. Assim sendo, o envolvimento de profissionais da área médica, da psicologia (neuropsicologia), fonoaudiologia, psicopedagogia, pedagogia, dos familiares e da comunidade escolar é de suma importância. Dessa forma, com uma intervenção adequada, há possibilidade de melhora expressiva em curto espaço de tempo.

É necessário ter muita cautela ao se levantar a hipótese de um diagnóstico de dislexia. Muitos problemas de leitura e escrita são decorrentes de outros fatores como os motivacionais, falhas na alfabetização, questões familiares e a forma como a criança foi exposta aos estímulos iniciais relacionados com a aquisição de leitura e escrita. Uma condução inadequada ao se notar os primeiros sintomas de dificuldade de leitura e escrita pode rotular a criança e levá-la a apresentar outros problemas como apatia, ansiedade e desinteresse escolar.

Após a confirmação do diagnóstico de dislexia, alguns cuidados simples em sala de aula com a criança disléxica podem gerar grandes resultados:

  • estimular sempre a consciência fonológica por meio de exercícios em sala de aula e também em casa;
     
  • permitir que a criança tenha fácil acesso ao professor para tirar suas dúvidas;
  • pedir que a criança repita oralmente a instrução do exercício a ser feito sem que haja exposição da criança perante a turma; 
  • valorizar outras habilidades da criança; 
  • flexibilizar a forma de avaliação de conteúdo para além da prova escrita; 
  • respeitar o ritmo da criança; 
  • promover a preparação e reciclagem constante dos professores para lidar com os alunos com desenvolvimento escolar atípico; 
  • estimular a interação da comunidade escolar na condução dos casos de dificuldade escolar e distúrbios de aprendizagem; 
  • buscar ajuda de especialistas.