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Cultivando as relações desde cedo

02 de Dezembro de 2015 | Lição de Casa

RelacionamentoEstudei até o ensino médio na pequena e (ex)pacata cidade de Dionísio, na região leste de Minas. Nossas vidas giravam em torno das atividades escolares. Todos os dias nos reuníamos na casa de algum colega para fazer o "dever". Era simplesmente divino. O convívio diário com os colegas em outro ambiente que não o da escola, na realização das atividades escolares, aumentava o vínculo entre nós e com os estudos. A convivência era tão intensa que alguns casamentos surgiram a partir desses encontros, e as amizades plantadas nessa época criaram raízes tão fortes que muitas permanecem profundas até hoje. 

Percebo, desde que vim morar na capital, que os vínculos estabelecidos com os colegas de escola são bem parecidos por aqui.  Vejo isso, por exemplo, nas relações dos meus ex-alunos do ensino médio. Grande parte está em diferentes faculdades, mas sempre os vejo juntos em fotos postadas nas redes sociais, sinalizando que as amizades ali construídas estão sendo cultivadas e permanecem vivas.

As amizades criadas durante a infância e juventude têm um sabor muito especial. Nessa etapa de nossas vidas, a espontaneidade impera. As situações vividas em grupos de amigos de escola tem uma conotação de aventura, muitas delas acompanhadas de crises de risos inoportunas e intermináveis. Dias desses, uma de minhas turmas das antigas se reuniu. Era "causo atrás de causo". Situações que na época foram vividas por nós como embaraçosas ganharam novos ares ao serem ressignificadas, e as gargalhadas foram muitas. O encontro terminou com laços reforçados, muita nostalgia e promessas de que as reuniões se tornem mais frequentes. 

Hoje, meus pequenos - uma com 11 e outro com 9 anos - se reúnem diariamente com os colegas via whatsapp para falarem e resolverem dúvidas do "para casa". Eles não possuem celulares, então permito que criem no meu aparelho os seus grupos, assim posso monitorá-los. Mas uma mudança no comportamento deles chamou minha atenção. Pela manhã, ambos ficavam eufóricos, avançando sobre mim, pedindo para consultarem em seus respectivos grupos de escola quais eram os "para casa" daquele dia. Aconteceu uma vez, duas, três. Perguntei a eles se não estavam anotando as instruções dos professores em suas agendas e se estavam ficando dependentes da consulta no whatsapp para saberem o que deveria ser feito. Começaram a enrolação para explicar: "não, porque, daí, então, tipo..." Hum... o que sinaliza e significa isso? Novos rumos? Nova logística para otimizar o compromisso escolar diário? Ainda não concluí. Pelo sim pelo não, reforcei com eles o significado e a importância de anotar o "para casa" TODOS OS DIAS e não criar dependência dos grupos virtuais para cumprirem com as obrigações escolares que são individuais. Devem consultar os grupos só depois que o "para casa" estiver pronto - para esclarecerem EVENTUAIS dúvidas. Assim, asseguro de que estão anotando em suas agendas pessoais suas tarefas escolares. Consultar para tirar dúvida, ok. Mas dependerem, não. 

Cultivar, alimentar, permitir que os bons vínculos que nossos filhos possuem hoje em suas escolas possam permanecer é excelente. Cabe a nós estabelecermos prioridades e criarmos situações para que eles tenham uma convivência PRESENCIAL com seus amigos durante a infância e adolescência. Permitir que reuniões virtuais sejam mais frequentes que as presenciais desde pequenos não parece ser um bom caminho. Se para nós, adultos, os vínculos criados em nossa juventude permanecem em nós como uma lembrança boa e uma parte importante na construção de nossa identidade e de nossa história, proporcionar isso aos nossos pequenos, já nascidos na era das redes sociais e das relações virtuais, deixou de ser um privilégio e se tornou uma necessidade.