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Contornando as facetas da indisciplina

23 de Fevereiro de 2016 | Lição de Casa

AdolescenteAos oito anos de idade, ainda cambaleante na leitura e na escrita, iniciou sua jornada na badalada escola de regime militar. Desde pequeno, foi absorvendo as normas, regras e como se conduzir respeitando o regimento interno. Era reconhecido e admirado pelos funcionários da escola como sendo um menino muito educado, respeitoso, alegre, cheio de amigos, cuidadoso e com postura radiante. Quando os pais iam à escola, logo os funcionários rasgavam-se em elogios: "ele é muito educado, dá bom dia, pede licença, agradece. Coisa rara para esses meninos nos dias de hoje." Aos pais, restava respirar aliviados, entendendo ser esse o feedback de que estavam no caminho certo.

O tempo passa e aos poucos a adolescência vai se instalando. A necessidade de questionar regras e vislumbrar novos paradigmas nasce junto com os primeiros fios de barba. A essa altura, beirando 1 metro e oitenta, a criança doce vai cedendo lugar a um rapaz sagaz, argumentador, de olhar firme e todo opinioso. Num misto de apreensão e contentamento, os pais veem se delinear nele um caráter difícil, pensamento questionador e, como namorada pegajosa, a teimosia. Os abraços se tornam cada vez menos frequentes, e as visitas da mãe à escola, quase uma rotina: o coração dela galopa a cada ligação do colégio convidando para uma conversa. "As notas não estão boas" ou "o uniforme incompleto" ou "respondeu de forma ríspida o professor" ou "revidou a agressividade um adversário na aula de futebol" ou "a barba está por fazer" e por aí vai.

Assim como os pais, os funcionários da escola que há dez anos o veem se desenvolver se esforçam em ajudar o adolescente a ultrapassar esta fase de onde está emergindo tanta energia concentrada querendo se expressar de forma desajeitada. Mas a escola tem regras, normas e regimento. Infligi-los é certamente arrumar problema.

No cotidiano, os pais se mantêm firmes nas orientações e na condução dos conflitos diários relacionados com as mudanças de comportamento do filho. O discurso chega ser repetitivo. O desgaste é quase inevitável e a postura de enfrentamento do grandão, que a esta altura passou de um metro e oitenta, também.

Na última semana, o disciplinário, amigo de longa data e portador de uma respeitável patente, foi desacatado. Nada grave. E mais uma vez, os pais foram chamados para uma conversa tensa, às 7:30 da matina. O vice-diretor, ex-aluno da escola e por quem o grandão não alimenta muita simpatia, deu início à reunião já avisando que fora também desacatado. A mãe, que já fora vítima do mau humor matutino de seu pequeno homem, escuta pacientemente o relato das autoridades escolares. O filho, com postura firme, cara sisuda e sobrancelhas enrugadas, escuta as referências a sua pessoa quase em êxtase de orgulho de si mesmo e de sua coragem em afrontar os que considera seus algozes.

A vida é feita de surpresas, e é o que lhe dá colorido. Eis que o disciplinador, amigo do grandão de longa data, prossegue a reunião com um discurso conciliador. Traz à lembrança as brincadeiras no corredor, as vezes que o acudira quando ainda era pequeno, o afeto e o senso de responsabilidade que vem nutrindo por ele ao longo dos anos.

Como se tivesse combinado com os pais, o amigo disciplinador repete, quase que na mesma sequência, a ladainha que o pequeno grande homem reluta em assimilar. A reunião, que parecia ter sido encomendada para repreendê-lo, era apenas mais uma aula de reforço para lembrá-lo de que o que havia aprendido ao longo de sua vida escolar era postura, valores, normas de como viver em sociedade, direitos, deveres de um cidadão e respeito às patentes e às amizades.

Antes do término da reunião, seu semblante já estava sereno. Ouviu as orientações e esclareceu o que julgou necessário. Ao se levantar para retornar à aula, surpreendentemente aproximou-se do amigo disciplinador e desculpou-se. 

O relato acima veio de uma mãe cujo filho enfrenta os altos e baixos da adolescência.

Para que os pais e cuidadores possam ajudar na formação de um sujeito consciente e autônomo, necessitam conceder liberdades e responsabilidades de forma gradativa aos filhos. Neste sentido, um discurso afinado com a escola que ele frequenta reforçará os valores com os quais o núcleo familiar se identifica. Como sabemos, não há receita para corrigir as diversas facetas da indisciplina. Alguns caminhos, porém, parecem dar resultados. Algumas possibilidades:

  • Como adultos, devemos ter sempre o controle da situação. Isso inclui o autocontrole. Revidar um ato de indisciplina ou desacato vai agravar ainda mais a situação.
  • Saber ouvir. O ato de ouvir nos coloca numa posição de acolhimento, que transmite empatia e respeito.
  • Certificar-se de que compreendeu o ocorrido, retransmitindo a informação recebida para evitar mal-entendidos.
  • Recorrer sempre às regras já estabelecidas a fim de demonstrar que não se trata de um julgamento, mas de cumprimento às regras.
  • Manter a coerência. Agir com igualdade em casos semelhantes.
  • Agir com cordialidade incentivando a autonomia da criança, permitindo que ela pergunte e argumente para ajudar em sua compreensão das regras.
  • E a todo custo, evitar constrangimentos.