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Como fugir do estereótipo de princesa

22 de Janeiro de 2018 | Antiprincesas
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Foto: Annie Spratt

No primeiro texto de 2018, conversamos sobre a importância de oferecer às meninas alternativas ao estereótipo da princesa doce, indefesa e salva por um príncipe. Mas por que é importante ensinar outras histórias às meninas?

Porque ser menina é periogoso.

Jerramy Fine, a autora de um livro que defende princesas, reconhece que as mulheres têm sofrido algumas formas de opressão ou injustiça ao longo da história, mas tristemente não há nenhuma solução pronta para lidar com isso. Você só vê algumas formas de opressão ou injustiça, Jerramy? Mulheres, por serem mulheres, têm sido condenadas por bruxarias, mortas em fogueiras, traficadas ou vendidas como mercadoria, estupradas em massa, violentadas por seus maridos, oferecidas em casamento ainda crianças, etc., etc., etc. há milênios e tudo isso são apenas “algumas formas de opressão ou injustiça”? Não! Isso é violência generalizada e naturalizada (não esqueça que, a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil). E o que está por trás disso é a ideia de superioridade masculina e a noção de que as mulheres existem para servir os homens – em outras palavras, machismo. Assista aqui ao vídeo Dear Dad para entender a extensão do problema na vida de uma menina.

Triste não é ver que não há solução, como aponta a autora, mas sim reconhecer que muitas destas atrocidades estão acontecendo neste exato instante. E você também se engana se acha que não há nada a fazer. Se você tem um filho homem, ensine-o a respeitar as mulheres, a não tratá-las como objetos, a não postar vídeos íntimos de uma namorada, a fazer sua parte nas atividades domésticas, a ser um pai presente. Se você tem uma filha mulher, que tal parar de promover o estereótipo de princesas e mulheres passivas (o mercado e o cinema já farão isso por você, acredite) e ensinar as meninas a lutarem por seus sonhos e a se defenderem das diversas formas de violência a que estão sujeitas apenas por terem nascido mulheres? Estes podem ser ótimos começos, não acha?

Michele Yulo, do site Princess Free Zone, defende que as meninas podem usar coroas se quiserem, mas que também devem ser livres para tirá-las, se desejarem. Jerramy Fine defende que a paixão de tantas meninas por princesas independe da mídia e do consumo. Porém, como uma menina provavelmente reagirá diante de 40 mil itens de princesa disponíveis só no mercado norte-americano? Com tantos itens cor-de-rosa nas gôndolas ditas de “menina”, como não acreditar que o que está ali é o ideal para elas? Um dos objetivos do Princess Free Zone é quebrar os típicos estereótipos reforçados pelo markenting para crianças (em tempo: marketing para crianças – isso deveria mesmo existir?).

Também podemos empoderar as meninas por meio da leitura de histórias. Lembram que falei no início do texto sobre alternativas? Exemplo disso é a coleção de livros infantis Antiprincesas, que apresenta histórias não de princesas, mas de mulheres reais como Frida Kahlo, Clarice Lispector e Violeta Parra, mulheres que lutaram por causas justas e que fizeram a história da América Latina. A coleção também traz histórias de anti-heróis ou homens que fizeram coisas fora do comum, como Eduardo Galeano, Julio Cortazar e Che Guevara.

Outro livro muito bacana é o Histórias de ninar para garotas rebeldes, de Elena Favilli e Francesca Cavallo. As autoras perceberam que grande parte das obras para crianças ainda estão repletas de estereótipos tradicionais de gênero. O livro traz histórias de cem mulheres inspiradoras que incentivam outras meninas a seguirem seus sonhos. O livro também é importante para que os meninos se acostumem com a ideia de mulheres fortes.

Por fim, sugiro o incrível Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis, que mostra a história de princesas africanas (viu como não sou antiprincesas? :-)) que lideraram revoltas, gerenciaram quilombos e lutaram pela liberdade no Brasil. Vale muito a leitura, já que muitas delas têm pouquíssimo destaque nos livros tradicionais de história, comumente escritos por homens brancos.

 

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