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Como as escolas podem incentivar o paladar saudável das crianças

04 de Novembro de 2016 | Alimentação Infantil

Foto: PixabayPor Luiza Fiorini

Tenho uma memória muito ruim. Mas me lembro muito bem do cheiro e sabor maravilhosos da merenda oferecida pela escola púbica em que estudei grande parte da minha vida.

Às 9h da manhã era servido macarronada, arroz temperado, leite com pão e outras refeições estipuladas para a semana.

Ao lado de onde eram distribuídos os pratos ficava a cantina paga da escola. Lá tinha pastel frito, enrolado de salsicha, minipizza, refri e chips. 

Ahh... era tão chique comer na cantina paga! Era como se existisse um grupo seleto de alunos ricos que PODIAM comprar todos os dias o que escolhessem. Eu quase nunca comprava, mas era um sonho poder pertencer àquela classe social que se instalava na hora do recreio e comia pastel de carne.

Se pensarmos em alimentação escolar somente como uma alimentação por dia, provavelmente não daremos a ela o crédito que merece, pois devemos considerar:

  1. Que, no lanche da escola, nossos filhos aprendem por espelhamento ao comerem em grupo.
  2. Eles têm um momento talvez único no dia para comer na companhia de alguém.
  3. Recarregam as energias, param de pensar na fome que estão sentindo e conseguem aprender melhor (comigo era muito assim. Tenho muita fome às 15:00)
  4. São incentivados pelo grupo a experimentar coisas novas.
  5. Para crianças que ficam na escola em período integral, devemos lembrar que elas farão lá três refeições, das seis que são propostas para nosso dia a dia.
  6. Quando a alimentação inadequada não faz parte da rotina escolar fica mais fácil que o aluno consiga ter maior equilíbrio na hora de comer e faça escolhas melhores.

Uma escola responsável incentiva crianças a levarem hábitos saudáveis para dentro de suas casas e soltem frases como estas:

– Hoje experimentei suco de limão com couve!

– Vamos ler o rótulo?

– Esse produto tem muito açúcar

– Não quero ir ao McDonalds. Vamos fazer em casa nosso sanduíche? (Já ouvi isso uma vez, acreditem!)

Foto: PixabayA intenção não é que eles parem de comer as guloseimas. Mas que façam isso em casa, por opção da família. A escola deve saber dizer NÃO dentro de seu ambiente. Estão educando e passando valores que serão levados para a vida adulta e não podem ser permissivos com a alimentação.

Alimentação escolar hoje é tema pra motim. E deve ser encarado com muita seriedade e respeito. É responsabilidade das escolas zelar pelo ambiente alimentar saudável que propõe muitas vezes em suas aulas complementares de culinária e horta.

Qual a intenção por trás destas aulas? Como a criança irá absorver o conteúdo proposto se ao chegar na cantina a única opção que tem é processada e industrializada? Ou ao saber que o carrinho de balas que fica vendendo na saída da aula fica guardado dentro da escola. Uai, a escola incentiva o consumo de chips, doces, balas e chicletes na sua porta????

Aí ouvimos muitas desculpas, como:

– Mas nossos salgados são assados!

E na maioria das vezes tem embutidos, zero fibras, muita gordura e pouquíssimo incentivo ao paladar. Aqueles pasteis assados de frango são o Ó!

Palestras, oficinas e reciclagem dos profissionais devem entrar para o calendário escolar como entram as feiras culturais. É inaceitável, por exemplo, que aceitem de bom grado que os pais enviem refrigerantes e bebidas açucaradas para a escola mesmo nos dias de festa. Já presenciei mãe enviando MC Lanche Feliz no dia do lanche especial enviado pelos pais! Ou bebês de 1 ano comendo bolos lotados de coberturas doces intermináveis e recebendo uma lembrancinha lotada de guloseimas!

Escolas, pais, corpo docente, diretores e proprietários: estejamos mais atentos!

Bora sair deste comodismo que vocês estão e colocar os liquidificadores, fornos e panelas para produzirem barulho e comida de verdade para nossos pequenos, porque não queremos criar sobreviventes. Queremos criar seres conscientes.