Consulte a Melhor Programação para o seu filho

Consulte a melhor programação para o seu filho

Ver todas as atrações


A ignorância NÃO é uma benção

27 de Novembro de 2017 | Blogs Antigos
ideia-pixabay.jpg (205 KB)
Foto: Pixabay

Toda porta que se fecha também abre caminho para algo novo e desconhecido, que às vezes é assustador. Assim estamos vivendo os últimos meses de 2017, quando Augusto finaliza sua permanência no jardim Waldorf. Carregamos em nosso coração toda a gratidão pelos anos vividos nessa escola. Verdadeiramente um ninho, onde fomos acolhidos para firmar nossos passos nos cuidados e educação dele. Onde meu filho aprendeu a confiar em si mesmo em um ambiente social, viveu novas experiências na convivência com outras pessoas e com o seu corpo no ambiente físico.

Para todos os pais, a mudança de escola sempre gera algum desconforto. Para pais de crianças com necessidades especiais de saúde ou educacionais específicas gera um pouco mais, nesse país onde a inclusão ainda dá os primeiros passos... Uma criança ter comprovada necessidade e direito previsto em lei ao acompanhante no ambiente escolar costuma não ser garantia de quase nada na prática. Da mesma forma, acontece com o direito ao Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) e outros já previstos na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) desde 2015.

Recordação e gratidão pelo que recebemos nos últimos anos escolares me fortalecem para esse momento delicado. Uso como escudo para a insegurança pelo que está por vir. Mas uma certeza eu carrego no meu coração há muito tempo: ao contrário do que prega o ditado popular, a ignorância NÃO é uma benção! Nunca será! A ignorância são os grilhões que nos prendem ao quarto escuro. É a prisão que nos mantém à parte da realidade, mesmo ela continuando a existir lá fora e impondo suas contingências.

Não, nunca me sentirei abençoada pela ignorância. Como definir, julgar e se defender de algo ou alguém que não se conhece? Prefiro me dedicar a entender todas as nuances ainda desconhecidas que afetam nossa vida. Eu escolho abandonar o comodismo e caminhar em direção à luz do conhecimento que guiará minhas ações.

Prefiro encarar de frente o desafio diário, conhecer as capacidades e limitações do meu filho e da escola para onde ele irá. Trabalhar ativamente como colaboradora desse processo, não apenas apontando o que é direito, mas batalhando pelo que necessita ainda de construção. Não é simples constantemente estudar novas abordagens terapêuticas e pedagógicas, as leis e os avanços da inclusão no Brasil, mas essa é a forma que escolho para garantir o melhor futuro possível.

Me enveredo em novas possibilidades e incertezas. Me contorço para desatar os nós que a tradição inerte cria frente aos desafios da diversidade humana. Mas eu e outros pais que lutam pela educação regular de qualidade para seus filhos sabemos que lutamos para sermos merecedores das oportunidades que Deus nos brindará a cada dia do novo ano. Sempre em frente! O preparo do caminho de flores será feito com nosso próprio esforço, e de toda a comunidade escolar.