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Roberta e Taís Bento dão três dicas fundamentais para o aprendizado das crianças

15 de Maio de 2018 | Notícias - Educação

Por Luciana Ackermann

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Taís e Roberta Bento participaram do 4º Seminário Internacional de Mães, mediado por Ivana Moreira | Fotos: Gustavo Andrade

 

Você costuma eliminar as atividades físicas da vida do seu filho na semana de provas? Ou, quando ele anda meio mal na escola, suspende o futebol como uma forma de castigo? Então está mais que na hora de rever seus conceitos, pois cortar os exercícios físicos não é a solução, muito pelo contrário.

Recente descoberta na área da neurociência cognitiva comprovou que as atividades físicas estimulam o cérebro a produzir novos neurônios, aumentando assim as conexões entre eles, o que facilita o aprendizado. Esse foi um dos ensinamentos passados por Roberta e Taís Bento, mãe e filha, autoras do livro Socorro, meu filho não estuda, durante a quarta edição do Seminário Internacional de Mães, coorganizado pela Canguru.

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Atividades físicas, sono e organização são dicas-chave apresentadas
por Taís Bento e Roberta Bento em sua palestra

O sono foi outro fator essencial apontado pela dupla para manter as ligações entre os neurônios. É nesse momento que ocorre autolavagem das toxinas produzidas pelo cérebro. No ciclo completo do sono, o cérebro relaxa, diminui de tamanho e fica limpo para o dia seguinte. “Dormir pouco ou dormir mal deixa o cérebro cheio de lixo andando no meio dos neurônios, impedindo conexões, fazendo com que o aluno não lembre o que estudou. É o motivo de muitos brancos na hora da prova”, resume Taís.

Roberta acrescenta ainda que pesquisas revelam que as crianças dormem cerca de duas horas a menos que gerações passadas. Entre as causas: a falta de cansaço físico, porque movimentam-se bem menos devido às mudanças no estilo de vida, e a superexposição a internet e televisão. “Ao acordarem sem terem feito o ciclo completo do sono, para se livrar das toxinas, não conseguem se concentrar para aprender”.

Mamães e papais, ao receberem aviso da escola de que seu filho não pára quieto, atenção: “Mexam na quantidade de sono da criança, acrescentem 15 minutos por semana. Em um mês estará dormindo uma hora a mais. Não adianta querer mudar de uma vez, vá de forma gradativa. Isso terá um impacto muito grande na aprendizagem”, orienta Roberta.

"Dormir pouco deixa o cérebro cheio de lixo
andando no meio dos neurônios,
impedindo conexões, fazendo
com que o aluno não lembre o que estudou."

Além de jogar fora as toxinas, durante o sono, o cérebro também despacha algumas informações e reforça outras. Nisso o que é repetido leva vantagem. Não à toa, alguns sabem de cor o texto do comercial da TV e não guardam o conteúdo ensinado na escola. “Tudo que aprendemos pela primeira vez, o cérebro entende como um rascunho e, nas próximas noites de sono, decidirá o que fica e o que sai”, explica Taís, apontando a necessidade de repassar, rever o que foi ensinado, por meio de tarefas, exercícios e demais atividades relacionadas ao conteúdo apresentado. É dessa forma que o cérebro o entenderá como algo importante. 

A recorrente e famosa preguiça de estudar pode e deve ser prevenida desde o nascimento. Roberta explica que atividades simples do dia a dia desenvolvem habilidades essenciais para o aprendizado como o senso de responsabilidade. Até mesmo na troca da fralda isso pode ser feito, dando um dos objetos para o bebê segurar, e assim progressivamente, como guardar os brinquedos, algumas roupinhas na parte inferior dos armários. E elogiá-los ao realizarem essas tarefas, o que ajuda a fortalecer a autoestima deles.

Roberta, que nasceu com paralisa cerebral devido a um problema durante o parto e recebeu diagnósticos e prognósticos de que teria problemas na fala, na audição, na locomoção e no aprendizado, sabe como ninguém o poder e a força dos estímulos corretos dos pais. “Embora fossem pessoas simples, foram muito sábios e sempre decidiram focar no meu potencial. Anos depois, descobri na neurociência que um dos fatores que mais impactam a capacidade de aprender de uma criança é a expectativa que os pais demonstram para ela em relação à capacidade que ela tem em superar os desafios. O que aconteceu comigo é que meu cérebro criou rotas alternativas na área onde tenho a lesão, graças aos estímulos que meus pais me deram, eles deixaram que eu encontrasse os meus limites e pedisse ajuda”, disse a emocionada Roberta, que se tornou referencial mundial da educação.

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Plateia ficou emocionada com relato de Roberta 

 

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