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Representatividade: Conheça loja que cria bonecas para todas as crianças

01 de Janeiro de 2018 | Diversão - Notícias

Por Catarina Ferreira

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Foto: Divulgação

Bonecas que inspirem representatividade. Esse é o carro-chefe das coleções de bonecas de pano da loja Preta Pretinha, um empreendimento que surgiu há 17 anos a partir da sociedade das irmãs Lúcia, Antonia Joyce e Maria Cristina Venâncio. Na coleção étnica há bonecas negras, orientais, ruivas e loiras, entre outras. A diversidade religiosa também está contemplada, com roupinhas e adereços típicos, por exemplo, da religião judaica, muçulmana, hindu e de matriz africana.

Há ainda a coleção inclusiva, da qual fazem parte bonecas cadeirantes, com deficiência visual ou auditiva, com equipamentos como cadeira de rodas, pala, bengala e aparelho auricular, que ajuda a gerar identificação com crianças que os usem de verdade. A loja surgiu com o objetivo de trazer ao mercado bonecas negras, que de fato representassem a diversidade da etnia. Com o passar do tempo, as sócias perceberam a necessidade de representar em seus brinquedos as mais diversas características das crianças, mu ito além da cor da pele.

“Na nossa linha inclusiva, nós temos a boneca com síndrome de Down, um amputado e a que está em processo de quimioterapia. Essa última faz parte de uma parceria nossa com o GRAAC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) e, conforme o cabelo da criança vai crescendo, nós colocamos cabelo na boneca também”, diz Lúcia. Ela acrescenta que existem bonecos para meninos e meninas e também bonecas pensadas para representar crianças transgêneras.

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Foto: Divulgação

A empresa também investe em elementos que resgatem a ancestralidade africana, como turbantes, roupas, brincos e as bonecas abayomi, feitas a partir de retalhos de pano preto, sem costura alguma, que, durante a época da escravidão, as mães africanas confeccionavam para distrair seus filhos. Lúcia conta que, quando crianças, ela e as irmãs sentiam falta de bonecas negras no mercado, e as opções que existiam eram limitadas e tinham preço elevado. “Na sexta-feira, que era o dia do brinquedo na escola, nós queríamos levar algo que fosse a extensão da nossa família para brincar, uma boneca negra. Então nossa avó, que trabalhava muito bem essa questão com a gente, começou a fazer bonecas de pano para nós”,diz.

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Irmãs Venâncio | Foto: reprodução Facebook

A ideia de resgatar a confecção de bonecos da avó foi de Joyce Venâncio. Formada em psicologia, ela estava desempregada e não conseguia encontrar nada em sua área de formação. Nesse momento, ela conversou com as irmãs e propôs uma parceria para investir em um negócio próprio. O ateliê Preta Pretinha começou a cofeccionar e vender bonecas de pano em um espaço de 15m² ao lado de onde hoje funciona a loja.

O crescimento da marca fez com que as duas irmãs abandonassem seus empregos – Lúcia era bancária, e Cristina, secretária bilíngue – para se dedicarem exclusivamente à loja, já a partir do segundo ano. Em 2008, foi criado o Instituto Preta Pretinha, a partir da procura de muitas mães da região da Vila Madalena que queriam aprender a costurarpara complementar a renda em casa. O instituto oferece cursos de capacitação para mulheres em situação de vulnerabilidade social, além de oficinas e atividades sustentáveis.

O trabalho das irmãs ficou famoso entre professores, educadores e psicólogos, que passaram a visitar a sede para conhecer melhor a iniciativa. O ateliê também foi reconhecido internacionalmente, recebendo prêmios como o da Reatech (Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade). As empreendedoras ainda passaram a oferecer palestras, inclusive utilizando bonecos como ferramenta para falar de sensibilização, diversidade e inclusão.

MAIS INFORMAÇÕES:
Rua Aspicuelta, 474, Alto de Pinheiros, São Paulo.
Telefone: 3031-5385

Diversidade para além do brincar

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Foto: Divulgação

Formada em Letras pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), Patrícia Anunciada estuda relações étnico-raciais na Faculdade Campos Salles e vê com bons olhos a inserção de bonecas negras ou com outras característica físicas, além da pele branca e olhos azuis, pois elas ajudam a criar identificação com diferentes crianças e refletem a diversidade dos pequenos. A professora explica que, assim como Lúcia Venâncio, durante sua experiência como aluna também sentia falta de representatividade.

No último ano, a docente se juntou à coordenação da Escola Municipal de Ensino Fundamental City Jaraguá IV para organizar uma oficina, que teve amarração de turbante e desfile de roupas afro. De acordo com a professora, os alunos e as mães receberam muito bem a atividade. “Foi a primeira vez que as crianças se viram com roupas assim”, conta. A professora nota que muitas das suas alunas estão assumindo os cachos e procurando elementos com os quais se identificam.

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