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No Brasil, 86% das crianças e adolescentes têm perfil em redes sociais

05 de Outubro de 2017 | Notícias

Da Redação

tecnologia_hal_gatewood.jpg (104 KB) Quase 9 a cada 10 crianças e adolescentes, de 9 a 17 anos, possuem redes sociais no Brasil. É o que aponta a quinta edição da pesquisa TIC Kids Online Brasil do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que atua sob os auspícios da UNESCO.

A rede social queridinha das crianças é o Facebook, com 75% de pesquisados inscritos. No WhatsApp são 72% de inscritos. Em seguida, aparecem Instagram (36%), Snapchat (27%) e Twitter (16%).

A maioria (34%) das crianças e adolescentes têm pelo menos 500 amigos nas redes sociais.

O dado traz uma preocupação em relação à segurança dos pequenos, já que quase metade deles (49%) deixa as contas totalmente públicas, para qualquer pessoa poder ver todas as suas informações, 82% publicam foto de perfil que mostra bem o rosto, 75% informam o sobrenome na internet, 23% informam até o endereço e 22% das crianças e adolescentes já se encontraram pessoalmente com alguém que conheceram pela internet.

O estudo fez um mapeamento completo do uso da internet pelos jovens brasileiros. Foram entrevistadas 2.999 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos, bem como seus pais ou responsáveis, em todo o território nacional. As entrevistas aconteceram entre novembro de 2016 e junho de 2017, com o objetivo de compreender de que forma esse público utiliza a internet e como lida com os riscos e as oportunidades decorrentes desse uso. A TIC Kids Online Brasil segue alinhada com o referencial metodológico da rede europeia EU Kids Online, liderada pela London School of Economics. 

Publicidade

A pesquisa concluiu ainda que 48% dos usuários de Internet de 11 a 17 anos buscaram informações sobre marcas ou produtos na internet, um crescimento de 19 pontos percentuais em relação a 2013, quando essa proporção era de 29%. 

De acordo com o estudo, embora a televisão continue sendo o principal meio de exposição à publicidade ou propaganda (80%), cresceu o percentual dos usuários de Internet de 11 a 17 anos que tiveram contato com conteúdos mercadológicos em sítios de vídeos: 69%. Em 2013 esse percentual era de 30%. Outros 62% ainda foram expostos a propagandas ou publicidade em redes sociais.

A pesquisa revelou ainda que 42% tiveram contato com propaganda ou publicidade não apropriada para a sua idade, segundo a declaração dos seus pais ou responsáveis. "Se, por um lado, as crianças e adolescentes estão cada vez mais conectadas, elas estão também cada vez mais expostas a conteúdos mercadológicos na rede. Esse é um desafio que precisa ser tratado por pais, educadores e formuladores de políticas públicas, especialmente se levarmos em consideração que o reconhecimento do caráter comercial da publicidade na Internet é mais complexo para o público infantil", ressalta Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

CLIQUE AQUI para acessar a pesquisa na íntegra.

Conectividade

Em sua quinta edição, a pesquisa TIC Kids Online Brasil estima que cerca de oito em cada dez crianças e adolescentes (82%) com idades entre 9 e 17 anos são usuários de internet, o que corresponde a 24,3 milhões de crianças e adolescentes em todo o país. Os resultados apontam a existência de importantes disparidades regionais e socioeconômicas no acesso e uso da rede. Enquanto em áreas urbanas 83% das crianças e adolescentes estavam conectados, em áreas rurais, essa proporção era de 65%. Na região Sudeste, 91% das crianças e adolescentes declararam ser usuários de Internet; no Norte, apenas 69%. Outro fator relevante é a condição socioeconômica: são 5,9 milhões (98%) de usuários nas classes A e B, 11,1 milhões na classe C e 7,4 milhões (66%) nas classes D e E.

Os resultados confirmam a tendência de crescimento no uso de dispositivos móveis por crianças e adolescentes para acessar a Internet – em 2016, 91% (22 milhões) acessaram a Internet pelo celular. Em 2012, essa proporção era de 21%, e em 2014, 82%. Em contrapartida, o uso da rede por meio de computadores apresentou queda. Para todos os dispositivos, com exceção do telefone celular, há uma diferença acentuada entre as classes no acesso à Internet. "Enquanto crianças das classes A e B têm à disposição uma variedade de dispositivos para acesso à rede, outras têm um ecossistema de acesso mais restrito", aponta Barbosa.

A pesquisa estima, ainda, que 37% das crianças e adolescentes usuários de Internet acessaram a rede exclusivamente por meio de telefones celulares – o equivalente a 8,9 milhões de crianças. Este é o principal meio de acesso à Internet para os usuários nas áreas rurais (54%), na região Norte (52%) e nas classes D e E (61%).

Discriminação

Em 2016, a pesquisa estima que 41% dos usuários de Internet de 9 a 17 anos (10 milhões de crianças) declararam ter visto alguém ser objetos de discriminação na internet – resultado estável em relação a 2015. O contato com conteúdos de natureza agressiva na rede é maior entre meninas (45%) e adolescentes entre 15 e 17 anos (53%). Entre os principais motivos de discriminação identificados estão: cor ou raça (24%), aparência física (16%) e o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo (13%). Uma parcela menor (7%) afirma ter se sentido pessoalmente discriminada na rede – o que representa 1,7 milhão de crianças e adolescentes usuários de internet.

O levantamento revelou ainda que os usuários de internet com idades entre 11 e 17 anos estão expostos a outros tipos de conteúdos sensíveis na rede, como assuntos relacionados a "formas de tornar-se muito magro" (27% entre meninas e 9% entre meninos) e "formas de machucar a si mesmo" (17% entre meninas e 12% entre meninos).

Segurança

Em 2016, cerca de 7 em cada 10 (69%) crianças e adolescentes usuários de internet utilizaram a rede com segurança, segundo a declaração dos seus pais ou responsáveis. A percepção sobre segurança on-line se mostrou maior entre crianças cujos pais têm escolaridade alta (75% com Ensino Médio ou mais) e aqueles das classes A e B (79%).

As mídias tradicionais como televisão, rádio, jornais ou revistas, destacam-se como fontes para buscar informações sobre o uso seguro da Internet, segundo a declaração dos pais (54%), seguidas por familiares e amigos (52%) e por meio da própria criança ou adolescente (51%). Já as menções à escola (35%) ou ao governo e autoridades locais (26%) ficam em patamares inferiores. "Esse resultado revela a necessidade de difusão e ampliação do debate sobre oportunidades e riscos associados ao uso da Internet por iniciativa de políticas públicas", enfatiza Barbosa.