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História de mãe: 'Não permita que o mundo determine o que seu filho será'

21 de Julho de 2017 | História de mãe

Por Cleusangela Barros

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Cleo e seu filho em foto de arquivo pessoal

 

Muitas mães concordarão comigo. A maior emoção experimentada na vida é o nascimento de um filho!

O meu nasceu lindo, perfeito como nos meus sonhos de menina, desde quando comecei a acalentar bonecas, lá na mais tenra idade.

Sentia que sugava o meu coração, junto com o leite que fluía para sua boca sedenta. A entrega é mesmo total, incondicional.

Então o meu lindo bebê adoeceu e eu desejei sofrer a sua dor. É inadmissível vê-lo chorar, é inadmissível receber o diagnóstico de uma doença grave...

Prestes a realizar o sonho de ganhar uma menina, feliz com o resultado do ultrassom que revelou o sexo, descobri que o meu pequeno príncipe estava vitimado por uma meningite pneumocócica.

Meu mundo desmoronou!

Meu primeiro bebê poderia morrer ou ficar com uma grave sequela... O médico, insensível, deu o diagnóstico sem nenhum cuidado, sem nenhum constrangimento, com a frieza de quem lida com a morte todos os dias, com a insensibilidade de quem desconhece as emoções de uma mãe sonhadora.

Foram dias terríveis. Chorei, perdi peso... Estava grávida e o organismo recusava o alimento. Se meu filhinho não comia, eu me esforçava muito, mas não conseguia comer.

Veio a alta, o alívio, até receber a notícia: ele estava surdo!

Foi como se o médico tivesse dito que o filho dos sonhos tinha morrido e em seu lugar tivesse nascido aquele que não respondia aos estímulos sonoros, que foi parando de falar, de me chamar de mãe, de cantar as musiquinhas já aprendidas com 1 ano e 9 meses.

Procurei o manual de instruções, busquei ajuda dos especialistas, mas não havia respostas para minhas dúvidas e angústias, naqueles remotos anos de 1987.

Dizem que onde nasce um novo filho, nasce também uma nova mãe. Parei de chorar e fui me reinventar, afinal.

Com o meu marido, homem maravilhoso, sempre presente na educação dos filhos e minha linda filhinha, com apenas 1 aninho de idade, saímos do interior da Bahia em busca de uma capital que oferecesse maiores chances de superação. Escolhemos Belo Horizonte!

Com muito amor e dedicação e também com uma pitadinha de criatividade, a família se uniu para suprir o que os profissionais não davam conta de fazer. Assim, fomos nós que o alfabetizamos e isso cabe num capítulo inteiro da história.

Com a entrada de LIBRAS na vida do meu filho, um mundo de possibilidades se abriu. Hoje ele é casado, está fazendo Sistema da Informação na PUC Minas e construindo sua Startup, empresa que promete superação da barreira comunicativa entre surdos e ouvintes.

Minha mensagem é para as mães que hoje experimentam a mesma dor. Gostaria de dizer que pulem a etapa das lágrimas, mas sei que isso faz parte.

Que seja por um breve período então, já que não mudará a situação. Pela minha experiência, é um tempo perdido.

Desviem o foco das limitações, sequem os olhos e enxerguem as possiblidades. Não permita que o mundo determine o que seu filho será. Se precisar lutar, lute. Brigue até na justiça se for necessário. A vitória é certa!

Continuará ali, bem diante dos seus olhos, realizado e feliz, O FILHO DOS SONHOS. 

 

Cleusangela Barros Meira Silva, 55 anos, natural de Ipiaú -Ba,  é mãe de Felipe Barros, aluno surdo do curso Sistema da Informação da PUC Minas, sócio criador da Startup SignumWeb, plataforma de videoconferência em desenvolvimento no Techmall SA, que oferece às empresas brasileiras a possibilidade de chamar o intérprete de LIBRAS para atendimento online aos seus clientes surdos, promovendo acessibilidade comunicativa. 

 

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