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Dia das Mães deve ou não ser celebrado nas escolas? Entenda a polêmica

07 de Maio de 2018 | Educação
A comemoração (ou não) de datas como o Dia das Mães e o Dia dos Pais varia conforme o projeto pedagógico de cada instituição e deve fazer parte do processo educativo das crianças

Por Verônica Fraidenraich

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A favor da iniciativa: Mara gosta de participar das festas na escola da filha Giullia, 4,
onde já ganhou vários mimos, como este cartão e a flor de madeira abaixo | Fotos: Juliana Frug

 

Muitas escolas mantêm a tradição de celebrar datas como os Dias das Mães, dos Pais e das Bruxas, o Carnaval ou o Natal. Outras preferem fazer apenas a Festa Junina ou uma atividade no Dia das Crianças. Há também as que passaram a comemorar o Dia da Família, como uma forma de abranger os diversos arranjos familiares. E existem, ainda, aquelas que não promovem evento algum.

A escola tem autonomia para decidir se quer ou não fazer eventos, o que depende dos seus valores e objetivos. “O Plano Político-Pedagógico (PPP) deve trazer as concepções da instituição sobre a educação, os alunos e a família, definindo como serão organizadas as comemorações”, explica a pedagoga Silvana Tamassia, diretora pedagógica dos programas de formação da Elos Educacional, em São Paulo.

Para Helena Machado de Paula Albuquerque, professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), as festas são um momento importante para o processo educativo das crianças. “Também servem para estreitar a relação entre a família e a escola e fazer com que os pais conheçam o ambiente onde o filho estuda”, afirma a professora.

Na Constelação, na capital paulista, o Dia das Mães não passa em branco. Números musicais, peça de teatro ou dança podem fazer parte do evento. “Sempre comemoramos com uma festividade simples, que dura 15 minutos, no fim do período, e, em seguida, as crianças entregam às mães um presente”, explica a diretora Mara Gurgel Seijo.

Já a Páscoa é celebrada internamente, sem a presença de familiares, e o Dia dos Pais não tem comemoração. “A gente não faz porque os pais normalmente não conseguem sair do trabalho mais cedo para chegar à escola às 17h30, que é o horário da festa”, afirma Mara.

A supervisora de vendas na área de turismo Mara Atanásio de Freitas, mãe de Giullia, de 4 anos, que frequenta a escola Constelação, diz que já esteve em dois eventos do Dia das Mães e gosta da iniciativa. “As turmas se apresentam uma de cada vez, e, quando seu filho entra, é emocionante”, conta Mara. Com dinheiro enviado pelas próprias mães, a escola compra um presente que os filhos entregam no dia da festa. “Já ganhei um pijama, um colar, uma flor de madeira e cartinhas e adorei”, recorda Mara.

Opiniões diversas

flordemadeira_julianafrug.jpg (298 KB)No Rio de Janeiro, a Atchim Creche Escola também costuma fazer eventos nos Dias dos Pais, das Mães, do Índio e do Meio Ambiente e na Páscoa. “Todos eles são explorados de acordo com o projeto pedagógico que está sendo desenvolvido”, destaca a coordenadora Sofia Helena Martins.

O Dia das Mães deste ano será às 13h para facilitar a ida das mamães. Atividades de expressão corporal, inglês e psicomotricidade estão previstas, junto com um piquenique no pátio.

A assessora de comunicação Susana Ribeiro, mãe de Daniel, 5 anos, que estuda na Atchim, acha que as festas são importantes, pois, mesmo quando é feito algo simples, o filho fica feliz com a presença do familiar na escola. “Eu sou divorciada, mas sempre vou à Festa das Mães, e o pai vai no Dia dos Pais. Se a composição da família é diferente, cabe muito a nós, pais, trabalhar isso na cabeça da criança”, acredita. Ela diz que, caso a escola resolva fazer o Dia da Família, não vai se opor. “Do mesmo jeito que não me incomodo de ter festas separadas”, explica Susana.

Se há quem esteja satisfeito com as festas, outros, nem tanto. A administradora Daniela Fernandes Deus, de São Paulo, diz ser a favor da Festa da Família, embora a escola da filha Nina, de 4 anos, comemore datas como os Dias das Mães e dos Pais.

Ela conta que, devido a reclamações, a direção da escola chegou a fazer uma pesquisa para saber se os pais preferiam criar um evento só para todos os familiares, mas a maioria não quis. “Quando Nina tinha 1 ano, lembro que fizemos juntas uma receita de maçã do amor. Outra vez, havia vários cantos, com atividades como pintura e massinha, mas não percebo minha filha empolgada nesses dias, acho que ela não entende, por exemplo, por que o pai não pode ir junto comigo e vice-versa”, relata.

A diretora da Escola Constelação diz não receber queixas por fazer essas festas e relata que, se a mãe ou o pai não puderem comparecer, orienta que outro familiar vá. Sofia, da Atchim, diz fazer o mesmo. “Se for o Dia dos Pais, por exemplo, sugerimos que venha alguma figura masculina, como o irmão mais velho, um tio ou avô”, explica.

Para prevenir surpresas ao longo do ano, é importante que os pais questionem o assunto nas conversas com a direção na hora da escolha da instituição. “O responsável pela criança precisa conhecer a proposta educativa da escola, se ela é coerente com as suas expectativas, e pode, inclusive, questionar qual o sentido e o objetivo das festas para os alunos”, orienta a professora da PUC-SP. Ela sugere que isso seja feito antes do ato da matrícula.

ENQUETE DA CANGURU
Perguntamos aos nossos leitores o que eles acham das comemorações do Dia das Mães e de outras datas nas escolas dos filhos. As respostas mostram como o assunto divide os pais:
» A favor da celebração de Dia das Mães e afins: 59%
» Contra a celebração (ou a favor do Dia da Família): 41%

 

Diferentes arranjos familiares

Ainda assim, para evitar que os pequenos sintam-se excluídos nesses momentos, muitas instituições passaram a realizar o Dia da Família. O objetivo é abranger, principalmente, as crianças que fazem parte de composições familiares variadas – como as que vivem só com a mãe ou com o pai, com o padrasto ou a madrasta, com duas mães, com dois pais, com os avós ou cujos pais faleceram. Para alguns estabelecimentos, trata-se de uma prática recente. Para outras, faz parte da sua criação.

No Colégio Logosófico, em Belo Horizonte, por exemplo, há mais de 30 anos a temática familiar integra um projeto realizado desde as turmas de educação infantil até o ensino médio. É uma proposta que dura cerca de um mês e culmina com uma atividade maior. A cada vez, são trabalhados elementos diversos, como a colaboração na família, o papel de cada um e o valor dos avós, favorecendo o cultivo dos sentimentos. “Procuramos ampliar a consciência do que estamos construindo na vida das crianças”, ressalta Vanessa Campos Nagem Araújo, coordenadora pedagógica geral do colégio.

Entre as atividades propostas, já houve envio de carta pelos Correios para os pais, apresentações de música e de dança e piquenique, além de vales-presente de massagem, filme com pipoca e passeio de bicicleta para serem feitos em família.

O servidor público mineiro Daniel Rocha Rimulo tem duas filhas no colégio – Raquel, de 8 anos, e Joana, de 6 – e conta que, desde a época em que estudou lá, havia esse projeto. “Acho muito válido, pois serve de estímulo para que os pais participem mais da vida dos filhos, e as crianças gostam de nos ver na escola, envolvidos nas atividades”, afirma Daniel.

O engenheiro Cláudio de Melo Correia Pinto, cujas filhas Camila, 9 anos, e Olívia, 3 anos, também frequentam o Logosófico, diz apreciar a comemoração. “Elas reforçam o valor da família e trabalham com as crianças como elas podem colaborar em casa”, destaca Cláudio. Para ele, datas como os Dias dos Pais e das Mães têm um apelo muito comercial. “Acho que isso a gente deve comemorar ao longo do ano, ao nos dedicarmos aos filhos para eles reconhecerem esse papel”, ressalta Cláudio.

Sem festas

Na instituição paulistana Espaço da Vila, não são realizadas comemorações, exceto a Festa Junina e um piquenique no fim do ano, para confraternizar com as famílias. “Não fazer festas é uma escolha consciente da nossa parte, porque a gente acha que tem alguns valores imbricados nessas datas com os quais não concordamos, mas a gente respeita as famílias que valorizam esses dias”, relata a diretora Ana Paula Yasbek.

Ela lembra que, certa vez, uma mãe escreveu numa ficha que uma das expectativas que tinha era em relação à realização de comemorações na escola. “Conversei com ela que não fazíamos festas, mas que ela teria um convívio cotidiano com a escola e não só nas festinhas, e ela entendeu”, recorda Ana Paula. Ela conta que, às vezes, as famílias são convidadas a participar de uma situação com a turma, para fazer uma receita, cantar uma música. “Mas sem o caráter comemorativo”, completa a diretora.

Seja qual for a prática adotada pela instituição, o principal é que contribua para o desenvolvimento dos alunos e para aproximar a família da escola.

 

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