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Daniel Becker: pediatra dá 7 dicas para montar a agenda dos seus filhos

01 de Abril de 2018 | Comportamento - Saúde

Por Verônica Fraidenraich

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Foto: Pixabay

Muitas crianças hoje têm uma verdadeira “agenda de executivo”, complementando o horário na escola com atividades como inglês, natação, música ou judô. Fizemos sete perguntas ao pediatra Daniel Becker, do Rio de Janeiro, que tem quase 30 anos de experiência na área, para ajudar os pais a refletirem sobre até que ponto as atividades extracurriculares são benéficas ou se extrapolam para o estresse. Confira.

 

#1 A rotina de atividades extracurriculares faz bem para as crianças?

Essas atividades podem ser úteis, contanto que se- jam feitas com moderação e de acordo com a idade da criança. Lembrando sempre que esses momentos devem ser contrabalançados com tempo livre para brincar, que é a essência da infância. Se a criança não tem essa opor- tunidade, ela não vai ficar bem, pode se estressar, o que compromete o seu desenvolvimento.

#2 A partir de que idade os pequenos devem ter atividades extracurriculares?

A partir do momento em que eles vão para a creche, em torno dos 2 anos, podem fazer outra atividade, ou até antes, com 1 ano. Cursos de natação, musicalização ou psicomotricidade, com 8 meses, 10 meses, 1 ano, podem ser válidos, desde que seja com moderação.

#3 A escolha das atividades deve partir das crianças, dos pais ou de ambos?

A gente pode direcionar as crianças para atividades que achar adequadas para elas. Porém, é importante não colocá-las em atividades na ânsia de torná-las adultos mais bem preparados para o mercado. Esse é um critério muito pobre para que uma atividade seja escolhida para o seu filho. Atividades artísticas, como música, dança, balé e pintura, são válidas, pois ajudam a desenvolver habilidades emocionais importantes para o sucesso pro- fissional na vida adulta. A criança também deve parti- cipar dessa escolha. Se ela não gosta de natação, tudo bem, só precisa aprender a nadar, depois pode ser libe- rada. As crianças têm que fazer o que gostam.

#4 Qual é o limite de número de atividades ou horas por semana?

Não pode haver exagero de modo que a atividade preencha a agenda toda da criança. O ideal é uma vez por semana, no máximo duas, de atividade estruturada. Uma criança que fica das 7h às 17h numa creche não deve ser colocada em atividades extras. Nesse caso, é bom passar uma ou duas horinhas no parque antes de voltar para casa. Se não der, deixar que brinque em casa com seus bonecos ou livros. Que corra pela casa com papai e mamãe, que jogue bola, em paz, sem pressão, e aproveite os fins de semana para ir a praças ou parques. Agora, se for uma criança que não frequenta uma creche, aí, sim, ela pode ter uma parte do dia em atividades estruturadas – sempre contrabalançando com momentos de livre brincar.

#5 Há atividades inadequadas para crianças de 0 a 6 anos?

Nessa faixa etária, quanto mais lúdica a atividade, melhor. Evitaria coisas que envolvam muito treinamento e esportes que incentivem a competição.

#6 Como saber se a atividade não está sendo benéfica à criança?

É preciso usar bom senso. Se ela chora para ir, reclama, se está parecendo infeliz, é obvio que tem que se reavaliar a rotina dessa criança como um todo. Incluem-se aqui aspectos como se ficam confinadas em casa ou na creche em tempo integral, se mal veem os pais, se têm uma alimentação muito industrializada. Tudo isso tem que ser revisto para que tenham uma vida mais sau- dável. Moderação e olhar sensível para as crianças são fundamentais.

#7 As atividades extracurriculares podem ser uma forma de ocupar os filhos quando os pais não estão presentes?

Se os pais estão ausentes, mas contam com alguém para levar a criança numa atividade, essa mesma pessoa que leva pode ir até um lugar onde haja um pouco de natureza e deixar a criança brincar livremente, sozinha ou com outras crianças. Isso é muito mais importante na infância do que aulas de inglês, judô, jiu-jítsu, culinária, corte e costura, princesa, línguas, ioga, meditação etc. A brincadeira livre é formadora, pois permite que a criança aprenda uma série de habilidades que serão importan- tes para a vida adulta: ter coragem, tomar iniciativa, se autoestimular, explorar seu entorno e praticar ativida- de física de forma natural. Vai também se machucar um pouquinho, ralar o joelho, por exemplo, o que e ótimo, pois depois poderá acompanhar a cicatrização da feri- da e perceber que é capaz de ser resiliente. Ao brincar com outras crianças, também terá de negociar regras e condições e aprender a trabalhar em equipe. Olha quan- tas habilidades sensacionais para a vida adulta a criança aprende sozinha!

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