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Como prevenir e tratar os piolhos, que muitas vezes se proliferam nas escolas

01 de Agosto de 2017 | Saúde
Piolhos são comuns na infância e se proliferam facilmente nas escolas. Veja como prevenir e tratar o problema

Por Rafaela Matias

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Piolho é um dos vilões da infância e fácil de se propagar nas escolas | Foto: Deposit Photos

 

Na primeira semana de agosto, é hora de reencontrar os amigos, matar as saudades que surgiram nas férias, rever as professoras e brincar muito no recreio. Mas essa chuva de abraços e beijos que marcam os reencontros pode criar o ambiente perfeito para a proliferação de um antigo vilão da infância: o piolho.

Também conhecido como pediculose da cabeça, o problema (que já afeta a humanidade há milhares de anos) é causado pela infestação do parasita Pediculus humanus no couro cabeludo. São insetos pequenos, sem asas, que se alimentam de sangue e cuja transmissão ocorre principalmente pelo contato direto ou pelo uso de bonés, chapéus, escovas de cabelo, pentes ou roupas de pessoas contaminadas.

Segundo a médica Mariane Cordeiro Alves Franco, presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o piolho pode afetar pessoas de qualquer idade, mas é mais comum na infância por causa de algumas características dessa fase da vida. "Os pequenos, principalmente durante os ensinos infantil e fundamental, brincam, suam, se jogam na terra, se abraçam, se beijam, trocam objetos e não têm tanto cuidado com a higiene pessoal", afirma. Além disso, ela destaca o fato de as crianças passarem muito tempo em grupo nas creches, nas escolas e nos berçários, o que facilita o contágio e acaba gerando epidemias.

Apesar da rapidez com que se espalha, o piolho pode ser curado facilmente, com o uso de xampus especiais ou, em casos mais graves, de remédios de uso oral. "Esses produtos costumam ter preços bem acessíveis e são muito eficazes para acabar rapidamente com os piolhos e as lêndeas", afirma Mariane Cordeiro, que destaca os xampus à base de permetrina, um composto sintético utilizado em inseticidas e repelentes. Remédios caseiros, como água morna com vinagre, também são eficientes, já que a acidez cria um ambiente inóspito para o parasita e ajuda a desprender as lêndeas.

Dica de ouro

Piolhos são atraídos por odores como aqueles adocicados e cítricos dos xampus infantis, normalmente com cheirinho de frutas ou chiclete. O indicado, de acordo com a médica Mariane Cordeiro Alves Franco, é usar xampu neutro durante a semana, quando a criança vai à escola, e deixar os mais cheirosos para os fins de semana.

 

A médica Cláudia Márcia de Resende Silva, dermatologista, pediatra e presidente do Comitê de Dermatologia da Sociedade Mineira de Pediatria, afirma que o principal erro dos pais na hora de tratar o problema – e também o maior dificultador do processo – é o uso errado dos produtos. Para ela, os remédios tópicos, ou seja, aqueles aplicados diretamente na pele, são tão eficazes quanto os de via oral e causam menos efeitos colaterais, mas precisam ser usados da maneira correta para fazerem efeito. "Muitas pessoas aplicam o medicamento como se fosse um xampu comum, sem antes ler a bula ou o modo de usar”, afirma a especialista, explicando que, dessa forma, o remédio é diluído na água e a sua ação fica prejudicada. "O correto é lavar o cabelo com o xampu comum sem condicionador, tirar bem o excesso de água e, com os cabelos úmidos, passar o xampu especial como se fosse um banho de creme. Depois de deixar o produto agir por cerca de dez minutos, pode enxaguar e não se deve passar mais nada, para deixar o efeito residual do remédio", afirma. Após cumprir as etapas, é preciso esperar pelo menos 24 horas para lavar o cabelo novamente. Depois de dez dias, deve-se repetir o processo.

Se, mesmo assim, o problema não for resolvido, é indicado procurar um pediatra ou dermatologista. Apesar de inofensivo na maioria das vezes, os piolhos podem acarretar complicações. "Especialmente nas crianças que sofrem com alergias ou dermatites, a coceira pode ser extrema, causando feridas maiores e abrindo espaço para infecções", explica Mariane Cordeiro.

Em casos de surto, a escola deve enviar um comunicado aos pais para que redobrem os cuidados e ajudem a evitar uma epidemia. Para fazer a prevenção, é indicado lavar a cabeça da criança todos os dias durante os períodos de infestação, fazer a busca pelos piolhos começando pela nuca (que é o local preferido desses insetos), passar pente fino após o banho, manter o cabelo preso em rabos de cavalo ou tranças e lavar bem roupas, acessórios, roupas de cama, travesseiros e outros objetos usados pela criança, de preferência colocando-os para secar ao sol.

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