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Mesada e tarefas domésticas: boa combinação?

13 de Março de 2018 | Meu Dinheirinho
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Foto: Pixabay

Por Carlos Eduardo Costa

O post desta semana tem o objetivo de fazer uma reflexão sobre a dúvida que uma mãe me enviou por e-mail. Ela me contou que tem uma filha de 6 anos e estipulou uma mesada de R$ 50,00 mensais se ela se comportar conforme os combinados. Caso a menina descumpra o que foi conversado, perde uma respectiva quantia da mesada. A dúvida dela é saber se é adequado vincular o valor da mesada à realização de atividades pela criança.

A primeira coisa a se fazer é parabenizar esta mãe pela preocupação com a educação financeira da filha. Ela está não só cuidando do presente, mas também garantindo um futuro melhor para a criança , pois uma pessoa bem educada financeiramente vai se tornar um adulto equilibrado com suas finanças. E, assim, será mais fácil realizar os objetivos que venha a ter no futuro.

Antes de responder à dúvida da mãe, gostaria de comentar outra situação. Considerando que a filha tem 6 anos de idade, acredito que uma semanada seja mais adequada, pois para uma criança dessa idade 1 mês ainda é um conceito distante. A semana é algo mais concreto. Segundo o educador financeiro Álvaro Modernell, também especialista no assunto, somente a partir dos 12 anos a criança tem condições de lidar bem com um ciclo mensal.

Na faixa etária dessa criança, eles começam a conhecer os dias da semana e passam a associá-los às suas atividades. Aproveitando isso, seria mais interessante marcar um dia da semana para o pagamento da semanada. Com o passar do tempo, o mesmo poderá ser realizado quinzenalmente.

Outra questão importante e fundamental para que a mesada cumpra o seu papel educativo é a definição dos compromissos da criança com aquele dinheiro. Com a mesada, as crianças passam, pouco a pouco, a ser responsáveis por alguns de seus gastos. No início, pequenos gastos como guloseimas após a escola ou figurinhas de algum álbum. Depois, novos gastos podem ser incorporados como lanches ou outras atividades de lazer.

Os pais devem respeitar esse combinado. Caso, a criança gaste toda a mesada antes do tempo, é preciso aguardar até a nova data acordada para o pagamento. Por maior que possa ser difícil ver o sofrimento da criança ao ficar privada do consumo, esse fato é positivo pensando na sua educação financeira. Caso contrário, a criança crescerá acreditando que ela não precisa fazer escolhas, pois sempre haverá uma fonte inesgotável de recursos, representado, inicialmente, pelo dinheiro do pai ou da mãe e, depois, na idade adulta, poderá ser o cartão de crédito.

No meu entendimento como educador, a vinculação da mesada ao cumprimento de atividades acaba por desvirtuar a possibilidade de educação financeira. A mesada deve ter como função principal permitir que a criança conheça alguns conceitos importantes para sua a vida financeira: escolhas de consumo para o seu dinheiro, definição de um orçamento e hábito da poupança. Ou seja, os objetivos estão limitados ao comportamento financeiro da criança.

Como a educação é um processo mais amplo, ao relacionar o cumprimento de regras e tarefas às finanças, os pais podem estar mostrando que tudo na vida está ligado ao dinheiro. Corre-se o risco dessa criança crescer com um comportamento mercenário, acreditando que tudo precisa ter uma contrapartida financeira.

Vale lembrar que um dos pilares da educação financeira é a generosidade e devemos ensinar que algumas de nossas ações são feitas sem a expectativa de se receber algo em troca.

Para finalizar, é importante lembrar que a mesada é somente uma das ferramentas que podem ajudar na educação financeira de sua filha. E que nenhuma delas será mais importante que o seu exemplo.

 

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