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Como o incentivo ajuda seu filho a experimentar alimentos diferentes

19 de Maio de 2017 | Alimentação Infantil
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Foto: Pixabay

Neofobia alimentar é o medo de consumir alimentos novos ou considerados estranhos. Geralmente, acomete crianças até os 7 anos, podendo ter picos e crises.

Sabemos o quão terrível é ver aquele pequeno ser travar uma briga com nossos esforços e  tornar frustrante a nossa expectativa de oferecer a ele uma vida saudável, pautada em nutrientes, cores e texturas. Os momentos de alimentação se tornam tensos, cheios de cobranças e um verdadeiro martírio para pais e filhos.

Nas minhas turmas escolares, vejo muitas crianças assim e, para elas, por mais que haja estímulo e curiosidade por experimentar, os pensamentos negativos em torno daquele alimento travam o maxilar e as fazem desistir. Há muito tempo venho tentando entender a neofobia e criar técnicas para auxiliar estas crianças a ultrapassar essa fase, que é tão dolorosa para elas também.

A empatia deve estar sempre presente nesses momentos, pois crianças com restrição alimentar são bombardeadas de críticas a todo instante. A cada refeição, as frases que mais escutam são, por exemplo:

-“Joãozinho”, você não come nada! Impressionante!
-“Joãozinho”, se não comer tudo, você não vai ao parque! (ou outra recompensa qualquer)
-“Joãozinho”, se não comer, você vai ficar doente!
-Ahh, “Joãozinho”, desisto de você! Coma se quiser, não estou nem aí!
-Olha lá “Joãozinho”, “Maria” está comendo tudo e você está nessa frescura aí!

O que “Joãozinho” escuta nessas frases envolve-o ainda mais no cenário do medo, tornando muito difícil fazê-lo acreditar que ele pode, sim, controlar o negativismo e confiar em seu potencial.
Corta o coração escutar seres tão pequenos e cheios de vida dizendo que simplesmente não conseguem e desistindo da oportunidade de serem felizes comendo algo gostoso.
Como educadora alimentar, eu precisava cuidar disso, e uma palavra, que virou símbolo atual do poder feminino, clareou meus pensamentos. Criei, então, o Empoderamento alimentar.

Tudo começou a partir da minha própria experiência

Eu era uma criança considerada muito chata para comer. Tinha pouco apetite, mas comia muito por ser regra da casa. Diversas foram as vezes que fui dormir com comida no canto da boca para não ter que engolir a última colher. Não gostava de experimentar e não comia vários alimentos. Me dava muito trabalho ficar catando os ingredientes no prato ou explicando e justificando para os adultos o porquê de não querer comer. Até que um dia me cansei disto e disse a mim mesma:
- Quer saber? A partir de amanhã, eu vou comer tudo!

Eu conto essa história para as crianças e continuo dizendo como foi que mudei minha realidade, olhei para o espelho e disse a mim mesma: - Eu posso! Eu consigo! Sou capaz!
- Sou uma criança incrível e sei que tenho coragem de experimentar!
-Brócolis, você é lindo delicioso e eu vou te comer!

Vocês precisam ver as caras que surgem quando conto essa experiência. É como se, para muitos daqueles alunos, existisse uma luz no fim do túnel. A experiência se completa quando dizemos frases de incentivo juntos e em bom som. Se preciso for, gritamos, acompanhados, por exemplo, de tomates nas mãos:

- Vamos lá, digam comigo: Eu consigo, eu sou capaz, sou incrível, sou corajoso! E vou conseguir experimentar você, tomate!
-1,2 e 3....já!

Encontro tomates na boca de todos os alunos. Alguns comem, alguns cospem...Mas reparem:eles conseguem coragem para experimentar, e isso é fundamental!

Tive um retorno de uma criança outro dia que não conseguiu experimentar, mas levou o tomate para casa.  Diogo dizia:
-Não consegui experimentar o tomate ainda.
Eu, abaixada à sua altura, olhando em seus olhos, disse:
-Diogo, não tem problema, vai chegar uma hora que você vai conseguir. Acredito em você! E você? Acredite em você também!
Diogo lançou um sorriso no rosto, me deu um super abraço e saiu para brincar com os amigos, com certeza acreditando mais em si mesmo!

Para terminar este texto, quero mostrar a vocês como é incrível, a partir da visão deles, quando eles conseguem experimentar algo novo.

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Portanto, nunca deixe de oferecer alimentos saudáveis, seja firme com ternura e acredite em seu pequetito. Ele pode te surpreender.