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Mudei meu filho de escola, e agora? Veja como tornar a adaptação mais fácil

11 de Janeiro de 2017 | Educação

Por Daniele Franco

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Lucas, e a irmã Manuela: o menino ofereceu dinheiro da sua poupança para não ter que mudar de escola | Foto: Gustavo Andrade

 

Quando chegou o boleto para a renovação da matrícula de seu filho mais velho, a fonoaudióloga Renata Costa, 39, levou um susto. O novo valor da mensalidade iria aumentar em 40% e ficar inviável para o orçamento familiar. Ela teve, então, que tomar a difícil decisão de mudar Lucas, então com 6 anos, da escolinha de que ele tanto gostava e na qual estava plenamente adaptado. 

A reação do pequeno foi tocante: ele se ofereceu para tirar o dinheiro de sua poupança para não ter que mudar de escola. “Foi gesto muito espontâneo, que nos fez perceber o quanto a mudança seria difícil para ele em diversos aspectos.” Se, para os adultos, qualquer mudança pode, muitas vezes, significar dor de cabeça, para as crianças a situação é ainda mais delicada.

De acordo com o professor da UFMG Cristiano Gomes, pós-doutor em psicologia da educação, isso se deve ao fato de as crianças menores precisarem criar vínculos. “Na antiga escola, esses vínculos já estão estabelecidos, seja com a professora, com os coleguinhas ou com o próprio ambiente escolar, e uma mudança forçaria a quebra dos antigos e a criação de novos vínculos, o que para elas pode ser difícil", explica.

Mas, se a mudança for inevitável, o que fazer para torná-la uma experiência mais fácil para toda a família? A primeira atitude tem que partir dos pais, diz Gomes. Eles precisam passar a segurança necessária aos filhos e evitar qualquer demonstração de que estejam assustados ou com medo da nova rotina. O especialista também destaca que é importante conversar com a nova escola e ser totalmente sincero sobre os motivos da mudança e as particularidades da criança, o que facilita o trabalho de acolhimento e adaptação.

Patrícia Caram, orientadora e psicóloga do Colégio Colibri, em Belo Horizonte, concorda que é essencial ser claro com a escola quanto às características dos filhos. “É importante, mais do que não esconder nada da escola, que os pais sintam na instituição uma parceira antes de qualquer coisa – e, para a escola ser essa parceira, ela precisa saber como ajudar” afirma.

O acolhimento das escolas

Assim como outras escolas ouvidas pela reportagem, o Colégio Colibri faz uma entrevista com os pais de novatos, antes mesmo da matrícula, para que os profissionais conheçam a história da criança. “Quando começa o ano letivo, nós fazemos um trabalho de acolhimento que envolve uma dinâmica de apresentação e um acompanhamento próximo nas primeiras semanas, fazendo com que a criança se sinta parte da comunidade escolar”, diz a orientadora Patrícia Caram.

A Escola Bilboquê, de Beagá, tem um método parecido de ambientação, levando as famílias para conhecer as dependências do lugar. “Depois que a criança entra, iniciamos um trabalho de adaptação que inclui a mistura das turmas entre alunos veteranos e novatos e o desígnio de tutores, que são dois coleguinhas que ficam encarregados de apresentar a escola para os que estão chegando”, conta Maria Claret Lamounier Elias, diretora pedagógica da instituição.

Já na Escola Americana, também na capital mineira, a adaptação varia de acordo com a idade das crianças. Aquelas que têm entre 3 a 4 anos, por exemplo, têm um horário especial de adaptação na primeira semana de aula. “É importante lembrar que crianças são indivíduos, com personalidades e características próprias. Cada uma se adaptará de um jeito e em seu próprio tempo”, diz a gerente de admissão, Roberta Coelho. “A escola e a família devem trabalhar como um time para que haja sucesso na educação.” 

Esperança na mudança

Muitas vezes, entrar em uma escola nova é uma demanda do próprio aluno, que pode não estar se sentindo à vontade no ambiente atual. Foi o caso do pequeno Augusto, de 6 anos, como relata sua mãe, a pedagoga Marcela Bracarense, 35: “Ele é uma criança especial, com espectro autista, e eu percebi que a escola não considerava essa particularidade dele e não procurava maneiras de ajudá-lo quando ele precisava”.

A mudança também significou uma reviravolta na vida da família inteira. É que, para ficar mais perto do novo colégio, Marcela decidiu mudar de casa. Hoje, dois anos depois de tomar a decisão, Augusto está feliz no novo ambiente, e a família, satisfeita com a decisão.

E o que aconteceu com o Lucas, que queria até quebrar o cofrinho para evitar a mudança? A família adorou a nova escola e até decidiu inscrever lá a caçulinha, Manuela, de 1 ano. Agora, passados apenas seis meses, Lucas se prepara para uma nova troca, porque já estava no último ano do ciclo básico. Mas, desta vez, ele está entusiasmado com o desafio. “Acredito que o que nos ajudou no processo foi a sinceridade, porque desde o começo nós explanamos os motivos reais da saída dele e colocamos como uma razão justa. Hoje ele sabe que planos podem mudar a qualquer momento e que a mudança nem sempre é ruim”, conclui a mãe. 

Outras dicas para ajudar na adaptação do seu filho

Os pais podem inserir o ambiente escolar no cotidiano da família de maneira indireta, criando uma relação que vai fazer a criança se sentir em casa nos dois lugares. Como fazer isso? 

• Ensinar brincadeiras para fazer com os colegas

• Contar histórias para serem repetidas na escola

• Desenhar com as crianças e fazer com que elas levem o resultado para que os amiguinhos vejam

Essas ações simples aumentam significativamente a segurança dos pequenos no ambiente escolar.

 

Como saber se meu filho quer mudar de escola?

Seu filho fala com você. Mesmo que não diretamente, ele se comunica. Como pais, é preciso que estejamos abertos ao diálogo e atentos aos sinais que eles podem apresentar caso não estejam se adaptando à nova escola:

Choro: Se a criança chora muito, se aborrece por qualquer ou nenhum motivo, seja dentro ou fora da escola, é importante procurar a raiz do problema, que pode, sim, estar na falta de adaptação da criança à intsituição.

Chamar pelos pais: Quando a criança chama pelos pais durante o período escolar é porque ela não se sente segura ou confortável no ambiente em que está inserida.

Apego a objetos: De um jeito muito parecido com os pais, alguns objetos exercem um papel de porto seguro para a criança. Se ela não desgruda de um determinado brinquedo, bico ou cobertor, por exemplo, é hora de conversar.

Observação: A família deve prestar atenção em mudanças no comportamento e no que a criança fala. Se achar que algo está afetando a adaptação, é importante ser aberto com a escola para que haja uma observação mais focada.

Estar presente: O importante é estar presente. Conversar com a criança, ler agenda, e-mails ou qualquer outro tipo de comunicação enviada pela escola. Entendendo como a escola funciona, fica mais fácil de entender como anda a adaptação da criança.

Fonte: Maria Claret Lamounier Elias, diretora pedagógica da Escola Bilboquê

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