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Vida é partilha, experiência de caminhar lado a lado

26 de Janeiro de 2018 | Sem Manual
Lucas sob a ponte de Pedra, em Ibitipoca.JPG (366 KB)
Lucas sob a ponte de pedra, em Ibitipoca | Foto: arquivo pessoal

Os primeiros 30 dias de 2018 vão se aproximando do término. Na Terra Brasil reacendem-se ódio, raiva, rancor. A dor de alguém é motivo para o delírio de outrem: desfaçatez. Difícil crer que somos ou seremos capazes de construir uma nação a partir da tolerância e do respeito à diferença. Tomados pela ira, entramos em campo para mais um embate social.

Longe [mas nem tão longe assim] deste universo estamos, eu e minha família. Há alguns dias pegamos a estrada para fazer da jornada um momento de reencontro. É tempo de ficarmos juntos, de nos apresentarmos e reapresentarmos. É tempo de nos desnudarmos ao outro mais uma vez

Primeira parada: Parque Estadual do Ibitipoca, município de Lima Duarte, na Zona da Mata de Minas Gerais. Reencontro-me, depois de mais de 15 anos, com essa terra, com esse lugar. Para alguns, Ibitipoca pode ser interpretado de três formas: “serra que estoura”, “casa na serra” e “serra fendida”, alusão a raios e trovões que são frequentes na região. Ibitipoca é terra do caminhar, é lugar de jornada que se partilha, de trilha que se vence com a ajuda do outro.

E lá vai minha filha Teresa. Há momentos em que ela fica à frente do grupo e, com passadas decididas, apresenta-se como a aventureira. Conversamos sobre a vida, sobre o mundo, sobre os bichos. Conversamos sobre como o mundo poderia ser mais terno e justo. Teresa ama os animais. Não entende o porquê de o bicho homem impor sofrimento aos outros animais, companheiros de jornada nesta nave chamada Terra. Damos as mãos para nos apoiar e para não escorregar.  

E lá vai Lucas, o meu filho. Surpreende-se com o que vê, com o que ouve, com o que sente. Surpreende-se consigo mesmo e nem se ressente da ausência de rede sem fio. Caminha sereno, descobre que preciso de ajuda e que de ajuda é preciso. Mixa de forma interessante conhecimentos frios da sala de aula, do ano difícil e doloroso de imersão em páginas e páginas, com a trilha que se apresenta, com a vegetação que o convida a descobrir o Brasil, que o convida a descobrir-se. Conta que a região deve ter ar de boa qualidade pela presença de muitos liquens nos troncos das árvores. 

Eles, os meus filhos, estão crescendo. Aliás, não sei se devo ou posso usar mais esse pronome possessivo: “meus”. Eles são, cada vez mais, do mundo. São capazes de desenhar o próprio caminho. E no meu caminho esbarro com a contradição. Não sei se comemoro ou lamento... coração de pai querendo frear o Tempo. A jornada segue, ela fazendo o caminho, desenhando o próprio caminho. Vou atrás, observando o garoto e a garota. O corpo é tomado por dores, o coração, por dúvidas.

Bora continuar a jornada. Bora continuar junto, caminhando lado a lado, se descobrindo, se desvendando, se revelando. Bor@ viver a vida em harmonia!

 

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