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Sobre ovos cozidos e como ensinar o conceito de justiça para os filhos

06 de Abril de 2018 | Sem Manual

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Por Marcílio Lana

Era uma dessas típicas manhãs de sábado. Inúmeros compromissos, na agenda infantil e na agenda adulta, a serem percorridos e cumpridos. Da troca de óleo do carro, à comemoração do aniversário da colega de turma da filha caçula, sem esquecer que era preciso buscar a mochila do mais velho, que estava passando por reparos, rompida em razão do excesso de peso do material escolar. Tudo parecia exatamente no lugar, uma rotina comum a de tantos outros sábados.

Já em casa, era necessário preparar o almoço emergencial. Nada muito complicado, aproveitando as boas sobras da última refeição. Bastava uma salada e pronto. Filho e filha à mesa, surpresa quando um deles argumenta: “Pai, a gente não come mais ovo cozido!”.

Atropelado pelos afazeres, pela necessidade de cumprir as tarefas, o pai indaga: “Desde quando?”. “Desde o início deste ano”, respondem, ao mesmo tempo, os dois.

Era início de abril e o pai se via surpreendido com um detalhe do cotidiano familiar que lhe era estranho.  Filho e filha, que então não tinham objeção ao cozimento de ovos, negavam-se a ingerir o tal provimento.

A mais nova, percebendo o estranhamento do pai, emendou: “É que você fica pouco em casa. E aí já não sabe direito o que a gente gosta ou não gosta, papai! A gente prefere mesmo é bife de hambúrguer.”.

Ele quase cedeu, tomado pela culpa da ausência continuada. Mas, de repente, resolveu argumentar. “Olha, eu até entendo que bife de hambúrguer possa lhes parecer mais saboroso. Mas não faz tão bem à nossa saúde. Então, eu vou pedir um esforço para que vocês comam sim os ovos cozidos!”.

O mais velho argumentou: “Pai, esse não é justo! Eu posso decidir o que comer e como comer.” Já a postos para iniciar a exposição de argumentos contrários à afirmação do filho, o pai é novamente surpreendido. A filha mais nova, brincando com o ovo cozido, pergunta: “Pai, o que é justiça?”.

Entre o dilema dos ovos cozidos, dos males dos alimentos processados e do significado de justiça, o pai sentou-se.  Refletiu que podia partir para um preparo diferente, uma fritura, talvez. Mas decidiu que essa decisão culinária podia esperar. “Filha, justiça é algo que ajuda a gente a manter a igualdade para todos os seres humanos, independente da raça, da etnia, da opção sexual ou de quanto dinheiro cada um possui”.

Ela olha para ele é afirma: “Então, a justiça é muito importante! Por isso, os juízes e juízas têm que ser muito bons e pensar com o coração, procurando entender e sentir direitinho que eles têm uma grande responsabilidade, não é papai”.

Até ali fora da conversa, o mais velho resolve se expressar: “A justiça determina também a prisão das pessoas, não é isso? Ela também pode libertar... ela é que garante os nossos direitos, certo?”.

O celular vibra sobre a mesa. Mais uma notificação de atualização de um dos portais noticiosos chega à caixa de mensagem do aparelho. O pai passa o dedo sobre a tela, lê a manchete nacional, e dispara: “Vamos almoçar fora”!