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Sobre o protesto na Argentina pela legalização do aborto

15 de Junho de 2018 | Sem Manual
Foto Marcílio Lana_manifestacao_afavor_aborto_argentina.jpg (579 KB)
Manifestação reuniu cerca de 300 pessoas e Córdoba | Foto: Marcílio Lana

Eu estava disposto a escrever sobre efeitos e desdobramentos, como por exemplo, a saudade, a vontade de abraçar, de estar perto, provocados pelo distanciamento entre pais e filhos. Afinal, há seis dias não me encontro fisicamente com Lucas e Teresa. Estou em Córdoba, na Argentina. E são, por via terrestre, 2.947,7 quilômetros a nos separar.

Quando sobrevoei a Cordilheira dos Andes, a caminho daqui, tal foi o tremor que se fez sobre a aeronave que tive receio de não os ver mais, de não acompanhar o crescimento de ambos, de não presenciar e compartilhar os bons momentos e as agruras.

Mas Córdoba transformou a minha ideia. A começar pela hospitalidade dessa gente argentina que recebe tão bem os estrangeiros – e, por aqui, somos muitos, já que estou em Córdoba para participar da III Conferência Regional de Educação Superior (CRES), que reúne representantes de todos os 33 países da América Latina e Caribe. Surpreendi-me com o calor das pessoas de Córdoba que contrasta com a fria temperatura que, em algumas manhãs, chega a ficar abaixo de 0 graus.

E ontem presenciei em Córdoba um evento magnífico, maravilhoso. Pelas ruas por onde caminho para chegar à Universidade Nacional de Córdoba (UNC), sede da CRES, presenciei a movimentação de mulheres. Elas estavam nas ruas para defender o direito de ter direito. Elas estavam nas ruas para se manifestar a favor do projeto de lei que legaliza o aborto livre e gratuito para mulheres até a décima quarta semana de gravidez e estende o prazo em casos de estupro, risco de vida para a mãe e má formação fetal. Atualmente, aborto é permitido apenas em caso de estupro ou risco para a vida da mulher.

O projeto de lei, que estava sendo apreciado pelos deputados argentinos, foi aprovado na manhã de quinta-feira (14/06) por 129 votos a favor, 125 contra e uma abstenção. Agora, ele será submetido ao Senado.

Tenho orgulho de ter pisado no solo de Córdoba. Tenho orgulho de pisar no solo da cidade onde se deu, em 1918, um movimento importante que resultou no Manifesto da Reforma Universitária. Tenho orgulho por presenciar a manifestação de um grupo de cerca de 300 integrantes, a maioria mulheres, que se posicionou em frente ao Pabellón Argentina, espaço que recebeu atividades da CRES, no campus da Universidade de Córdoba. De presenciar uma manifestação linda, cheia de vida, de alegria e que, como afirmou a militante e professora Luciana Echevarría, “Não é só uma questão de saúde pública, de justiça social, é um direito humano democrático de decidir sobre o destino do próprio corpo. Um direito a ter direito”.

Tudo isso me fez pensar em Teresa, minha filha; tudo isso me fez pensar em Lucas, meu filho. Tudo isso me fez ter esperança, ter esperança de que há esperança. De que pode haver uma perspectiva de presente e de futuro mais igualitária, com respeito e construída a partir do sentido de bem comum. Esse mundo eu quero para os meus filhos. Um mundo de direitos. Um mundo para todxs!

 

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