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Sobre gestar: Aproveita, que passa rápido

28 de Março de 2018 | Faz Sentido

Por Débora Zanelato

gravidez_blog_DeboraZanelato.jpg (1.42 MB)
Foto: Unsplash

Eu já não faço ideia de quantas vezes eu escutei, ao longo desses ligeiros 7 meses de gravidez, a frase "aproveita, porque passa muito rápido". Acho que em todas as vezes em que ouvi o conselho, eu fiquei um pouquinho angustiada.  Se está tudo passando tão depressa, como vou conseguir aproveitar esse momento? O que é aproveitar, como aproveitar? Ainda estou descobrindo, e talvez eu já não tenha mais muito tempo para isso – porque, né, o tempo passa rápido...

Às vezes sinto que a vida cotidiana, cheia de afazeres que preenchem toda a agenda, é o que acaba me dando essa sensação de que a vida está mesmo correndo na velocidade da luz. E, muitas vezes, no desejo de aproveitar bem um dia, me sinto tentada a preencher a agenda com todas as tarefas que eu gostaria de fazer. E são muitas. Ihhh, aí mela tudo. Parece que a maratona começou e estou batendo uma aposta contra o tempo. Correndo para cumprir e aproveitar tudo antes que o dia termine. Querendo viver o dobro. Ansiosa para ticar com o lápis tudo o que eu consegui fazer para aproveitar a gravidez. Não sei se isso é só comigo, ou com você também.

Só que tenho reparado que, contraditoriamente, os dias mais cheios são os menos aproveitados. São os que passam voando. Os dias em que acabo ficando mais ansiosa para cumprir tudo, e menos no presente, no agora. Nesteque é o único momento que realmente importa no dia. Faz sentido?

Também percebo que aproveitar é mesmo uma palavra um bocado subjetiva, particular. Meus momentos preferidos da gravidez, por vezes, são os que estou sozinha com a minha barriga ou na companhia do meu marido, ouvindo uma música enquanto sinto meu filhote mexer. Talvez para outra pessoa seja muito mais interessante passar a tarde fazendo compras para o enxoval.  Aproveitar é, então, algo bem particular mesmo.

Às vezes sinto que, para curtir a gravidez como eu gostaria, eu teria que sair do meu trabalho e não ter mais nenhuma obrigação doméstica. Afinal, lavar, cozinhar, cuidar da casa leva tempo. É como se a minha vida cotidiana precisasse se desmanchar para que todas as horas do dia pudessem ser dedicadas ao gestar. Mas logo penso: seria mesmo possível que fosse assim? Será que assim eu também aproveitaria mais? Não sei. 

Talvez aproveitar não tenha mesmo a ver com a quantidade de horas livres do nosso dia, nem mesmo com a quantidade de tarefas que a gente coloca no papel para tentar cumprir e curtir esse momento que é mesmo tão especial. Sinto que aproveito mesmo quando estou presente. Quando estou no agora, mesmo se no agora for uma atividade meio banal como botar roupa para lavar. Ao longo do dia, tento parar e sentir o bebê que estou carregando na barriga. Respirar com atenção, sentir a consciência dessa felicidade. De realizar um sonho. 

Aí, já não precisa de muito. Talvez menos tarefas seja o caminho. Para sobrar mais espaço para parar, respirar e sentir. Contemplar com vagar. Para seguir seu próprio ritmo, quase como um ato de resistência. O meu tempo, o meu relógio. E, se passar depressa, tudo bem. Tem mais tanto pra viver ;)

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