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Sobre adolescência, escolhas e o bom (ou mau) uso das redes sociais

07 de Março de 2018 | Parent Coaching Brasil

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Amanda (nome fictício) tem 15 anos e é aluna do ensino médio. Se apaixonou por um colega da escola, de uma turma acima da dela. Eles não estavam namorando oficialmente, mas se falavam todos os dias. Durante semanas, ele pediu uma foto para ela. Quando ela enviou, ele pediu mais. Ela gostava dele. Ela acreditou nele quando ele disse que iria excluir as imagens, mas ele não cumpriu a promessa.

Ao contrário, um grupo de Whatsapp secreto foi criado e as fotos de Amanda em pouco tempo estavam no celular de todos os alunos da escola.

"Eu fiquei muito mal, me senti sozinha e sem alternativas para sair daquela situação. E para piorar mais ainda, ele espalhou para todo mundo que não pediu as fotos. Eu realmente não tinha conhecimento de que isso poderia me afetar para o resto da minha vida".

Depois que acontece, é difícil para os pais lidarem com a situação:

– O que você faz quando a sua filha de 15 anos tira fotos de seu corpo para impressionar um menino, e agora ela está chorando, batendo a porta do quarto e gritando: "Você não me entende!"?

Amanda virou estatística, assim como vários jovens todos os anos. Segundo a ONG SaferNet, que oferece auxílio psicológico a vítimas do crime, o número de queixas mais do que dobrou nos últimos dois anos no Brasil.

Somos a primeira geração a lidar com uma tecnologia tão agressiva. Em uma época não muito distante (provavelmente a época da sua adolescência), para mostrar alguma parte do corpo para alguém a pessoa tinha que se encontrar com ela pessoalmente. Hoje basta tirar uma foto.

A internet trouxe uma imensa necessidade de o adolescente mostrar a sua influência, de se sentir aceito também nas redes sociais. Em busca de "likes" eles acabam fazendo muitas coisas erradas.

E é por isso que o no título deste artigo eu também falo sobre escolhas. Ensinar o seu filho adolescente sobre o poder das escolhas é, nesse mundo moderno, essencial.

Como então falar sobre escolhas com os filhos?

Neste caso em específico, sobre internet e privacidade, eu te ensinarei algumas perguntas que o seu filho deve fazer e que vai ajudá-lo a fazer melhores escolhas:

1- A internet não guarda segredos: Vale a pena?

Pode parecer óbvio, mas o seu filho não tem a real dimensão disso. No mundo dele tudo é possível, até ele cair em uma cilada. Pegue casos de pessoas famosas que foram expostas, mostre, converse sobre o assunto e sobre a escolha errada daquela pessoa ao compartilhar fotos íntimas.

Faça perguntas do tipo: "Como você acha que essa pessoa está se sentindo agora?" "O que você acha que ela poderia ter feito diferente?" "Você acredita que ela agiu por impulso?" "Valeu a pena?"

2- Eu me sentiria desconfortável se alguém visse essa foto?

Ensine o seu filho a não publicar algo que ele não possa colocar em uma postagem pública e a sempre se perguntar:

– Eu sentiria vergonha se alguém visse isso?

Se a resposta for sim, então não publicar.

3-  Isso prejudica alguém, inclusive a mim mesmo(a)?

Sempre antes de publicar uma foto de alguém, ou dele mesmo, peça para o seu filho se colocar no lugar daquela pessoa e depois se perguntar como se sentiria se algo parecido acontecesse com ele.

"Ao publicar essa foto, quem eu prejudico?" "Eu gostaria de ter uma foto desse tipo publicada?" "Existe a autorização da outra pessoa para eu publicar essa foto?"

Peça para ele se colocar no lugar dos diversos personagens de uma história como esta:

1) Do adolescente que vai postar a própria foto, onde o prejudicado será ele mesmo;

2) Do adolescente que manda a foto, porque impactaria não só a vida dele, mas de outra pessoa;

3) Do adolescente que é inserido em um grupo secreto e recebe foto de terceiros, como ele se sentiria no lugar daquela pessoa da foto? 

4- O que eu ganho postando essa foto?

Likes, fama instantânea, prestígio entre os colegas, o amor de uma garota ou de um garoto, ser aceito em um grupo. Essas podem ser algumas respostas e elas existem sim na cabeça do seu filho.

Se o seu filho tiver a consciência do que o leva a querer tomar tal atitude, ele pode lutar contra isso e pode pedir ajuda

Deixe sempre o canal de comunicação aberto entre vocês para que o seu filho não sinta medo de te contar caso receba um pedido assim ou uma foto de alguém.

5- O que eu perco tirando ou postando essa foto?

Oriente o seu filho a sempre se perguntar também:

"Passados os minutos de fama, a paixão repentina, a aceitação no grupo, o que pode dar errado?" "Como eu me sentirei depois?" "Será uma sensação que vai se sustentar?" "Quem eu vou magoar?" "Quem eu vou ofender?" "Vale a pena?"

Não ensinamos escolhas para os nossos filhos decidindo por eles. Falar frases do tipo: "Não me faça uma coisa dessas hein!" "Pelo amor de Deus não vai se meter em confusão"; definitivamente não resolve.

O que resolve é conversa, é conscientização. Para isso é preciso proximidade e aceitação por parte do seu filho.

Para proteger o seu filho é preciso orientar e para orientar é preciso dois componentes básicos: Informação e Conexão. Eu me sinto muito feliz por poder ajudar você nessa.

 

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