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Que a gente não desaprenda a apreciar as pequenas alegrias da vida

06 de Dezembro de 2017 | Faz Sentido

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Esses dias me coloquei a pensar sobre as conquistas da vida. E como parece que os filhos chegam para refrescar o nosso olhar talvez cansado e saturado pelos anos que nós acumulamos no calendário. No meu Facebook, constantemente algum bebê está celebrando seu mêsversário. Sentadinho ao lado de um bolo, os pais comemoram mais 30 dias daquela nova família, daquela nova vida que todo mundo ganhou quando aquele serzinho balbuciante chegou nessas terras. Eu gosto muito dessas imagens. Sei que tem gente que se aborrece com as comemorações alheias e em algum momento se cansa, e solta até alguma frase do tipo "nossa, mas já deu". Enfim.  

Desde que o mundo é mundo, as crianças nascem, aprendem a sorrir, aprendem a sentar, a engatinhar, a falar, a andar... De maneira geral, a maioria delas segue um curso de desenvolvimento até bem parecido. Mas é curioso como, a cada criança que chega, essa experiência comum se torna uma experiência nova. Nos encantamos como se fosse a primeira vez, o primeiro sorriso, o primeiro par de mãos que bate palma. Nos encantamos com o extraordinário, com a capacidade humana de ser tão maravilhosa em se desenvolver

O que eu sinto nesses momentos é que eu não queria que esse encantamento se perdesse em alguma folha dos nossos calendários. Queria que nos mantivéssemos encantados pelas nossas pequenas-grandes-conquistas por toda a vida. Que os bolos de aniversário continuassem frequentes com a gente mesmo depois de grande. Que aquelas pequenas alegrias do dia pudessem ser comemoradas com o entusiasmo de quem está chegando no mundo agora. (Será que não estamos, a cada dia, chegando um pouco mais no mundo agora?).

Minha mãe tem uma profunda saudade da minha infância e da dos meus irmãos. Talvez para ela aquele tempo tivesse sido mais colorido. Mais divertido. Não sei, me parece que muita gente se sente assim. É claro que em algum momento as crianças vão deixar de falar coisas engraçadas, palavras erradas, perguntas as quais mal sabemos responder. Vão parar de pedir pra dormir na nossa cama ou talvez não insistam mais por bolinhos de chuva em dias de chuva (era uma combinação ótima, né?). Mas será que não tem algum jeito de continuar vendo beleza e graça em cada etapa da vida, em cada conquista e superação particular por que passarmos? Mesmo nós, enquanto pais, será que não podemos comemorar pelas férias que conseguimos agendar, pelos tickets que reservamos para o final de semana, ou por qualquer outra coisa banal que no fundo merece o carinho com a gente mesmo? 

Outro dia andei pelos corredores da faculdade em que me formei, muitos calendários atrás. Desta vez estava ali como convidada em uma banca de TCC. As alunas apresentando seu trabalho e uma sala cheia de amigos e gente da família. Pensei: como esse momento é lindo. Como deve ser incrível ver um filho se formar depois de tantos anos de dedicação. Seja qual caminho que ele desejar seguir, como pode ser incrível ver o brilho nos olhos de quem está tão vivo e com tanta energia para mudar um pouco o mundo. Voltei pra casa me perguntando como seria a comemoração deles naquela noite. Voltei pensando também em quantos aniversários eu deixei passar sem nenhuma vela. Quantas pequenas alegrias eu subestimei como banais e não fiz uma jantinha especial.

E quantos pequenos momentos felizes poderiam ter ficado mais coloridos na memória se a gente tivesse colocado mais reparo neles, mais cor, mais atenção?

Que nossos olhos não fiquem tão cansados e domesticados. Que a gente possa se encantar com a vida como uma criança que chega com o olhar limpo, a bagagem leve e o sorriso encantado. Que as nossas mãos batam palmas para mais momentos e que a vida possa ser um pouco mais colorida e celebrada. Porque os mesversários passam mesmo bem depressa. Mas a memória vivida vai ser sempre nossa boa companhia.

 

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