Consulte a Melhor Programação para o seu filho

Consulte a melhor programação para o seu filho

Ver todas as atrações


Quando o terrorismo alimentar entra em sua casa

09 de Setembro de 2016 | Alimentação Infantil

Foto: PixabayNosso país enfrenta hoje um problema que se tornou questão de saúde pública. Saltamos sem escalas da desnutrição para taxas espantosas de obesidade infantil. Estamos entre os países com as taxas mais elevadas, tendo uma entre três crianças sofrendo com este mal.

Diversos fatores explicam este fato, mas gostaria de chamar a atenção a um fator que está tomando força e oferece muitos riscos a nós e a nossas famílias: O "terrorismo alimentar" ou nutricionismo.

A onda fitness colocou a saúde em foco e na mídia e isso é incrível. É bom ver as pessoas se cuidando, praticando atividades físicas, aumentando o consumo de orgânicos e buscando novas alternativas alimentares. 

Mas, em contrapartida, adquirimos o medo de comer.

Perdemos nossas referências. Hoje, o que é bom, amanhã não é mais. A internet e suas informações divergentes nos deixa confusos e inseguros. Nos preocupamos com o alimento Sem Glúten, Sem Açúcar, Sem Gordura e nos esquecemos do PRAZER que temos ao comer.

Devemos sempre lembrar o quão importante é nossa relação com o alimento.

Foto: PixabayComer vai além de nutrir o corpo. Comer nutre também nossas memórias gustativas, nosso afeto com quem cozinha e com os momentos vividos. Mata nossa fome e nossos desejos. Em volta de uma mesa passamos geralmente os melhores momentos da nossa vida. 

Para educarmos a alimentação de uma criança, precisamos estar em paz com nossa própria alimentação. A criança deve ser informada dos malefícios do uso exagerado do açúcar e superprocessados, mas não deve se sentir culpada por gostar e querer comer de vez em quando.

O lema é: "Existe comida para comer sempre e comida pra comer de vez em quando!"

Proibir pode gerar graves transtornos alimentares e fazer com que elas, inclusive, comam escondido, por medo, culpa ou vergonha de estarem gostando daquele alimento, que para elas, se tornou objeto de desejo.

Foto: PixabayComo pais, nosso dever é disponibilizar alimentos de qualidade e restringir a compra dos industrializados dentro de nossa casa. Crianças conscientes sabem fazer boas escolhas e sabem restringir a quantidade quando estão fora do nosso cuidado. Um paladar não habituado com açúcar, por exemplo, não come mais de três brigadeiros em uma festinha. Eles mesmos sabem quando parar.

Trabalhar a relação dos pais com a comida se faz essencial.

Segundo Sophie Deram, as principais causas da obesidade infantil não passam pela comida.

Estão entre elas:

- Não comer em família: comer sozinho é muito triste. Não precisa ser em todas as refeições, mas tente adquirir este hábito pelo menos em uma das refeições. Desligue a TV e faça do momento um momento de vínculo entre vocês.

- Falta de sono: precisamos dormir mais cedo e ter um sono com mais qualidade. Essa dica vale tanto para adultos quanto para crianças.

- Falta de exercício e rotina: as crianças estão cada dia mais sedentárias e a maioria passa mais de cinco horas diárias na frente das telas. Disciplina e regras são muito importantes em uma casa.

Precisamos de horários para café da manhã, para almoçar e jantar para que tenhamos vontade de comer e para sabermos identificar o real tamanho da nossa fome.

Foto: PixabayAo oferecer um alimento, não diga que ele é saudável. Criança não está interessada em nutrição. Diga o quanto ele é gostoso.  Dê aos alimentos entusiasmados elogios. Por exemplo: "Que melancia suculenta e deliciosa!"

Usar as mesmas estratégias de marketing que a mídia usa com os industrializados sempre dá certo lá em casa. Então, se eu faço um biscoito, valorizo tanto ele que o recheado perde a graça. Valorize as receitas caseiras. Exemplo: "Meu biscoito é maravilhoso e tem forma de vaca. O da indústria tem forma de vaca, Clara? Logico que não! E esse sabor? E esse cheiro? Ahh... Duvido que a indústria tenha 'a manha' de fazer um biscoito parecido com o meu!"

Criança tem fases seletivas: geralmente essa fase começa quando descobrem o poder do não. Usam deste argumento para ganhar atenção, pois mãe entra em pânico quando o filho para de comer. Respeite a fase da criança, mas não deixe de oferecer e de seguir a dica anterior. Não se esqueça de ser firme e segura em suas decisão e colocações.

Cuidado com as informações que ler na internet: procure como referências pesquisas e estudos científicos sobre os assuntos referentes à alimentação. Se informe sobre diferentes pontos de vista e veja se as informações que conseguiu podem ajudar e ser aplicadas em sua casa. O que serve para o outro pode não servir para você. Principalmente quando se fala em dietas e modificações alimentares.

Caso perceba em você algum desequilíbrio alimentar, procure ajuda de um profissional.

Comer é bom e essencial demais para termos tantas restrições!

Foto: Pixabay