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Quando nascer menina se torna um grande perigo

16 de Abril de 2018 | Antiprincesas
Post 19 - Foto Karl Fredrickson.jpg (2.34 MB)
Foto: Karl Fredrickson

O vídeo Dear Dad, produzido pela ONG norueguesa CARE em defesa dos direito das mulheres, mostra detalhes de como a cultura do estupro se constrói na sociedade.

É como se fosse um “passo a passo”, desde o nascimento de uma menina, até os momentos em que ela acaba sofrendo violência sexual. São as piadinhas machistas que todo mundo ouve durante a adolescência, o dia em que a menina, em uma festa com amigos, tem seu não ignorado por um ficante, afinal ela estava bêbada e portanto pediu por aquilo, né? O vídeo mostra a “normalidade” de tudo isso, como aceitamos, diariamente, estas pequenas violências e desrespeitos que vão moldando, na cabeça de meninos e meninas, que depois se tornam adultos e adultas, uma visão machista de que o corpo da mulher não precisa ser respeitado.

Dear Dad desconstrói a ideia, defendida ainda por muitos, de que os estupadores são majoritariamente maníacos, doentes ou psicopatas que atacam mulheres em becos escuros. Sim, estes monstros existem. Mas o vídeo toca na inconveniente verdade de que grande parte dos abusos sexuais são cometidos por conhecidos das vítimas. Sim, aquele tio, um vizinho, o colega de faculdade ou, como no vídeo, o filho gente boa do amigo do pai. E, o que é pior ainda, às vezes o criminoso divide a cama com a gente. Porque sexo sem consentimento é estupro, mesmo que o cara tenha a mesma aliança que você na mão esquerda.

A narradora do filme pede ao pai, que além de protegê-la de leões, proteja-a deste perigo silencioso que é a violência sexual. Descortina o fato de que, simplesmente por termos nascido mulheres, estamos em desvantagem neste mundo patriarcal. Por isso o feminismo deveria ser uma bandeira de todos: homens, mulheres. Porque todo homem tem no mínimo uma mãe, se não tem uma irmã, companheira ou filha. E reconhecer que no Brasil uma mulher é vítima de violência sexual a cada 11 minutos talvez dê o tom de urgência que esse assunto merece.

Então, recomendo demais que vocês assistam a este vídeo (curtinho) e repassem para que outras pessoas entendam de onde vem essa tal “cultura do estupro”. E, a partir de hoje, quando ouvir uma piadinha machista safada, não ria. No mínimo, faça uma cara bem feia de que não está gostando ou, melhor ainda, diga pra pessoa que ela está muito por fora porque aquela fala contribuiu para a objetificação de todas as mulheres.

“Papai, eu nascerei menina, então por favor cuide para que este não seja o maior perigo de todos”.

Veja o vídeo:

 


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