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Porque nem tudo sai como o planejado

08 de Novembro de 2017 | Faz Sentido
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Foto: Glenn Carstens-Peters

Por Débora Zanelato

O homem planeja, e Deus ri. Não sei bem qual é a exata origem desse ditado; mas ele se encaixa tão perfeitamente aqui na minha vidinha que queria compartilhá-lo com você, vai que também encaixa nas suas bandas. Para este texto que você lê, eu tinha um outro tema e outros planos. Tão bem-desenhadinhos numa rotina da qual eu penso que orquestro. Como se fosse um maestro bem experiente, que coordena cada tempo e todos os músicos envolvidos ali no andamento daquela sinfonia. Mas aí Deus começa a rir. E desconcentra um dos músicos, que sai do ritmo. E aí pronto, desandou... Quer dizer, será que tinha como a orquestra da vida nunca desandar em nenhum de seus infinitos acordes?

Acho que o problema é que a gente pensa que não podia desandar. Que as horas do relógio se tornariam complacentes e os ponteiros passariam bem devagarzinho, quase que esperando a gente terminar as tarefas tantas que fomos preenchendo na agenda (eu adoro as de papel porque parece que dá pra ocupar cada cantinho...). Às vezes parece que isso acontece e tudo conspira com a nossa orquestra. O trânsito está fluido, as tarefas do trabalho se desenrolam com desenvoltura própria, você chega em casa e dá cabo de todos os afazeres antes do tempo. Mas às vezes a banda enrosca e o imprevisível quer ser o regente da nossa vida. Ainda por cima, traz consigo o caos como se fosse o primeiro-violino. E olha, eles são bem afinados e experientes.

O que eu sinto cada vez mais é que a gente não vai dar conta de tudo. Mais do que isso: que a gente não tem que dar conta de tudo. Porque não vai dar mesmo. O controle é uma ilusão doce que depois amarga, e o imprevisível é mesmo muito mais certo. Nem sempre tudo sai como a gente imagina. Quando me mantenho apegada aos planos que montei, parece que os compassos ficam ainda mais desajustados. Aí, sinto que a gente precisa soltar, largar um pouco a batuta do maestro. "É, não deu dessa vez. Mas tá tudo bem". A vida segue, sabe? Seja desafinada ou fora do tom, essa banda nunca para.  

Talvez a gente precise aprender a ceder mais. A ficar mais flexível com aquilo que estipulamos como certo para o nosso dia ou a nossa semana. Para nós e para os outros. Tantos organismos vivos em infinitas possibilidades de se manifestar, seria possivelmente muito pobrinho que fosse só como a gente idealizou. Se toleramos essa baguncinha, podemos aprender a criar soluções diferentes e até melhores do que previmos. Confiar um pouco no sentido por trás de cada mudança pode fazer doer menos, apontar caminhos mais legais e até ajudar a acolher a nós mesmos como seres que não têm receita de nada.

No fim, meu post não saiu no prazo que eu imaginei e eu não escrevi sobre o tema a que vinha refletindo há alguns dias, mas talvez tudo tenha acontecido para aceitar os imprevistos da vida e ser mais generosa comigo mesma. E porque talvez essas ideias tenham que chegar a mais gente que precisam delas agora. Se o homem planeja e Deus ri, vamos aprender a rir de nós também? E a banda segue ;)

 

 

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