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'Pai, eu acho que vou ser presidenta'

12 de Janeiro de 2018 | Sem Manual
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O desenho da Teresa

Por Marcílio Lana

Há muito não dou as caras... Minha permanência no grupo de blogueiros da Canguru é uma dádiva concedida pela querida e compreensiva editora, Cristina Moreno de Castro. Mas, enfim, não devo creditar essa ausência à falta de tempo. Creio que não. Afinal, o Tempo não é uma coisa, não é algo manipulável, que guardamos. O Tempo não é material.

Mas, nesta semana, a própria Canguru começou a sinalizar o que de fato pode ter me afastado desse lugar "Sem Manual", com o anúncio da chegada da blogueira Jacqueline Vilela (seja bem-vinda!), que vai tratar da adolescência. Meus filhos estão crescendo e as histórias que construímos, os acontecimentos que partilhamos, juntos e separados, e que são aqui narrados começam a mudar de ordem, mudar de lugar. Mas essa é outra conversa.

Bom, há ainda algumas histórias, há lugares visitados que merecem atenção, que merecem uma reflexão. E uma delas, histórias no caso, deu-se há pouco. Não sei ao certo se antes ou depois do último Natal.

Teresa, minha filha, que tem 9 anos, e eu estávamos caminhando. Resolvemos sair de casa para respirar um pouco, aproveitando uma pausa nas chuvas que caíram sobre Belo Horizonte no final de 2017. 

À medida que caminhávamos, conversávamos. À medida que conversávamos, partilhávamos um pouco de nós mesmos. E foi ao longo dessa caminhada, que deve ter durado mais ou menos uma hora, que Teresa resolveu me contar sobre algo que a está afligindo. Ela me disse:

“Pai, sabe, estou pensando que preciso desistir dos meus sonhos de ser veterinária e ser cantora!”.

Sim, sei que minha filha alimenta um carinho enorme pelo cantar e pelos bichos. Esse desejo de ter um pet dentro de casa poderá, um dia, habitar este espaço. Mas, por ora, voltemos à abdicação de Teresa.

“Por que, filha? Por que abrir mão dos seus sonhos?”, perguntei.

“Ando pensando que o mundo está muito ruim. Há muitas pessoas pobres, sem casa e morando nas ruas. As ruas estão sujas. As pessoas não respeitam a natureza, não se respeitam. Então, tenho pensado que quero ser presidenta. Quero ajudar a melhorar as coisas!”, disse ela com muita convicção.

Não, não fiquei surpreso com o desejo de ajudar e a preocupação de Teresa com as outras pessoas. Não, a afirmação dela não me surpreendeu por esses motivos. Conheço minha filha. Mas fiquei surpreso com o entendimento que ela manifestou sobre a política. De que ela, a política, tão desgastada e desacreditada, é o lugar do “se dar”. Do fazer diferente para os outros.

Outra questão ainda me surpreendeu. Ela fez questão de dizer que queria ser presidenta (em um primeiro momento disse presidente e depois se corrigiu, espontaneamente). Fiquei muito orgulhoso com a consciência de minha filha sobre o próprio gênero. 

Então, fiquei pensando. Sim, é preciso acreditar. É preciso respirar fundo e crer em nossa capacidade de fazermos diferente, de sermos melhores. Obrigado, Teresa.

 

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