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Outras tardes de domingo: o menino está ao lado do pai

19 de Maio de 2017 | Sem Manual

Ah, domingo era dia de clube!

Marcilio-aerowillys.png (383 KB)
Foto: Reprodução/Internet

 

Bom, pelo menos era assim que o pai pensava. Era ritualístico. O homem acordava, cortava as unhas, tomava um café da manhã que rejeitava o tic tac das horas e depois, “se o tempo cooperasse e se houvesse sol”, se mandava para o clube. 

Habita a lembrança a imagem do menino que, com os olhos, varria os cômodos da casa à espera da definição – afinal, vamos ou não vamos? Mas o melhor não era estar, mas ir ao clube.

Orgulhoso, lá estava o menino sentado no banco da frente do imponente sedan, cor vinho, ano 1962, fabricado pela Willys Overland do Brasil. O garoto, que hoje homem se fez, recorre ao tempo e ainda e se recorda até mesmo das letras e números da placa do Aero Willys - AG 1582 -, que deu às caras pela primeira vez em Paris, no mais famoso Salão do Automóvel do Mundo.

Sereno, o sedan deslizava pelas ruas e avenidas da capital das Gerais. A sonoridade mecânica, ainda que imponente e estrondosa, acalmava, emitia uma melodia que tranquilizava o sobressaltado coração do menino. Como uma nau, o veículo parecia abrir caminho cidade afora.

Vidro aberto, vento no rosto, lá estava o menino. Estava em silêncio, mas não calado; aproveitava os segundos do tempo para desfrutar a travessia. Estava, enfim, bem ao lado do pai. Estava feliz.

A lembrança, recuperada para o presente, integra o conjunto de imagens que habitam a memória do menino que se fez homem. As travessias pelas ruas de Belo Horizonte não mais acontecem como no passado; o Aero Willys certamente já se fez sucata; a cadeira da frente ao lado do motorista é hoje habitada pelo filho daquele que foi menino.

Quinta-feira, 18 de maio, enquanto escrevo este texto, é tempo de lembrança. Lembrança paterna, tempo de saudades, hora de ternura. O pai do menino se foi, vive junto às estrelas. Por aqui, deixou com a sua passagem muitas saudades!

As tardes de domingo agora são outras...