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O melhor enxoval para o meu bebê

17 de Janeiro de 2018 | Faz Sentido

enxoval_bebe_pixabay.jpg (146 KB)

Por Débora Zanelato

"Ahn, é tudo tão fofo! Já comprou muita coisa?" – deve ser uma das perguntas mais frequentes que qualquer mãe escuta ainda no começo da gravidez. E tão logo o bebê começa a crescer, já tratamos de pensar no que é necessário para receber bem essa nova vida que está chegando por aqui.

Este não é um post para comentar os mais necessários (ou desnecessários) itens a serem comprados, não quero te frustrar. Mas desejo que as próximas palavras possam ser inspiradoras na hora de pensar no que o seu bebê precisa de verdade.

Percebi que nas perguntas, "comprar muitas coisas" parecia vir junto com o sentimento de "estar de fato se importando com a criança". Não sei se também foi assim com você, mas eu não tinha comprado praticamente nada e passei até a me questionar quando respondia "ahnn não, ainda não comprei muitas coisas" se então eu não estava de fato tão feliz assim...

A verdade é que temos cada vez mais valorizado o ter, o material, aquilo que podemos ver (e mostrar...). Roupinhas fofas, sapatinhos lindos e outros tantos acessórios parecem materializar e concretizar um sonho, e é mesmo uma delícia olhar e comprar coisinhas pra nossa criança. Mas a gente precisa saber que não somos isso, que seria uma grande ilusão pensar que o filhote vai ser mais bem acolhido com a roupinha da marca tal, que o item x é a coisa mais imprescindível do mundo. E mais: que tudo precisa ser novinho em folha.

Outro dia uma pessoa bem próxima a mim perguntou se eu aceitaria os itens que seu filho já não usava. Eu gosto da ideia de reaproveitar.  Não só porque sei que economizar em algumas coisas pode ser bom para nós, mas sobretudo porque penso no desperdício de recursos naturais (e humanos, com empregados na China em condições de trabalho que a gente desconhece) para fazer peças usadas tão poucas vezes. 

O curioso foi que o oferecimento veio cheio de cuidado, com uma certa explicação desajeitada: "Ahn, é que eu gosto de comprar tudo novinho, mas às vezes quem vive uma vida mais simples não se importe tanto...".  Fiquei um bom tempo pensando naquilo. E em como ele via valor em comprar cada pequeno item para a criança, como sinal do seu mais profundo amor e cuidado. Sabe, o mundo já está cheio de gente julgando os pais e mães, e quero tentar não fazer isso. Mas a minha reflexão vem pra dizer: não caia na armadilha de um mundo altamente consumista que quer nos embutir a ideia de que nossas crianças serão mais ou menos amadas por aquilo que demos a elas. Por aquilo que elas têm.

Se a gente se apegar demais a essas ideias, podemos correr o risco de nos distanciar do que mais importa na gestação para construir vínculos: criar um ambiente seguro, consciente, emocionalmente tranquilo. Precisa sobrar tempo (e dinheiro!) também para se preocupar com aquilo que não é material, que é intangível, que está além das etiquetas. Em como a criança será mentalmente acolhida, em como os pais estão se olhando e se revendo para educar um filho – e mais ainda para aprender com o que eles trazem.

Trazer um filho é uma oportunidade incrível para repensar quem a gente era, redescobrir novos valores, adotar hábitos mais conscientes, abandonar padrões que nos foram impostos. Que a gente possa comprar o enxoval das nossas crianças sem perder de vista o que é mais valioso. E que sim, a vida pode ser mesmo muito mais simples.

E se uma frente fria chegar de surpresa e você for pego literalmente de calças curtas porque não comprou tudo o que poderia precisar, tudo bem. Serão questões muito mais fáceis de solucionar do que outras tantas que nos encontrarão daqui pra frente. :)

 

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