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O encontro de pai e filha não deve ser uma extravagância

20 de Abril de 2018 | Sem Manual
pais.jpg (102 KB)
Foto: pxhere.com

Por Marcílio Lana

Ela se sentou ao lado do pai. Há muito não compartilhavam afazeres; ela dedicada ao para casa e ele atento a alguma das muitas atividades de trabalho que sempre invadiam o espaço privado da família. Mas aquela tarde incomum, em um dia de semana qualquer de abril, havia começado ainda mais inesperada.

A professora foi chamá-la. Alguém a esperava à porta da escola; alguém da família a aguardava para levá-la para casa. A educadora anunciara que era o pai, era ele que a aguardava. Ela estranhou. Mas avaliou que era melhor não perguntar. Quando chegou perto da porta, o avistou. Com o sorriso no rosto, o homem lá estava à espera.

Caminharam juntos. A escola ficava por perto. Ele, com a mochila da garota, ela, de mãos dados com pai. A menina saltitava e conversava, procurando tudo relatar, cada detalhe do dia transcorrido. Era preciso aproveitar aquela presença inesperada.

Chegaram a casa. Sentaram-se à mesa depois de lavar as mãos. Alguém [e depois ela descobriu que este alguém era o próprio pai] havia deixado a mesa posta, o lanche à espera. O irmão logo se juntou e os três comeram e conversaram.

Tarde incomum.

O lanche da tarde chegara ao fim. Hora de arrumar a mesa e se dedicar ao para casa. O irmão foi em direção ao quarto, onde travava, na maioria das vezes, a batalha com os livros didáticos. Muitos... muitos livros e tarefas faziam parte da rotina diária.

Ela também normalmente se dirigia ao quarto. Havia ganhado há pouco uma escrivaninha e sobre ela se encontrava e reencontrava com desafios da matemática, os labirintos do português, as curiosidades e informações da geografia e das ciências. Mas naquele dia a vontade era a de permanecer ao lado do pai. E assim o fez.

Perguntou: “Pai, posso ficar aqui, ao seu lado?”. O pai concordou. Ficou feliz com a companhia. Ficou radiante com a possibilidade de estar ao lado da filha.

O relógio, implacável, comia as horas e rapidamente a tarde caiu. E o para casa ainda estava por fazer; não todo, é verdade, mas ainda havia muito a fazer. E foi quando o pai percebeu que a pequena garota prolongava ao máximo o término dos afazeres.

Entre folhas, réguas, borracha e cola, a menina interrompia a todo o momento as atividades. Conversava, pedia ajuda, mostrava para o pai os avanços e tropeços. Nunca um para casa havia sido intensamente prolongado

Ela queria ficar ao lado do pai.