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O algoritmo nosso de cada dia

24 de Setembro de 2018 | Techkids
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Foto: Pixabay

 

Por Luciana Louro

Quando alguém diz que vai fazer café, a expressão já considera todos os passos necessários para conseguir uma xícara quentinha da bebida predileta dos brasileiros. Pode-se, portanto, pensar que isso seja um algoritmo. Mas afinal o que é um algoritmo? Algoritmo é uma sequência de passos a serem cumpridas, em um tempo finito, para resolver um problema. A noção de algoritmo está na essência da tecnologia computacional contemporânea. Assim, quando seus filhos procuram algo na internet, eles entregam ao computador um problema, por exemplo: a definição de animais vertebrados. O computador segue uma lista sequencial finita de passos arquitetada por um programador e implementada na máquina em linguagem de programação. Essa lista finita e ordenada de passos é o algoritmo. No entanto, a palavra algoritmo é muito anterior aos computadores, tendo sua origem no nome do matemático persa Al – Kwahrismi que escreveu um livro no século IX DC sobre cálculos feitos à mão.

Essa origem algébrica[1] da palavra traz a impressão de que os algoritmos são extremamente complicados e distantes da realidade da maioria dos humanos. No entanto, os algoritmos vão além dos cálculos numéricos, estruturando desde uma simples receita de bolo até um sistema complexo ou de inteligência artificial. Basicamente, se há um problema podemos tentar resolvê-lo montando um algoritmo. Para isso é preciso primeiro conhecer a natureza do problema e depois analisar suas partes, sem esquecer o seu todo, para, enfim, arquitetar, implementar e testar uma possível solução. Não deu certo? Tenta-se outra vez, revisando todos os passos para encontrar aonde está o erro. E assim caminhou e caminha a humanidade desde a Idade da Pedra. Ou você acha que a ponta de pedra lascada foi feita em um dia?

Voltando ao nosso século, podemos pensar um pouco como funcionam alguns algoritmos essenciais para nosso dia a dia como os que regem as buscas por conteúdo no Google, nas redes sociais e no Youtube. Seu filho ou sua filha sabem o que é algoritmo? Não? Mas alguns algoritmos com certeza sabem quem eles são. Cada vez que eles escrevem uma palavra para procurar algo no Google, ou dão um “like” em um vídeo do Youtube, os algoritmos dessas ferramentas redesenham as preferências deles. Esses dados sobre a personalidade dos usuários são constantemente atualizados para garantir que os resultados entregues pela máquina fiquem cada vez mais próximos do que o internauta está procurando. No entanto, usar esses algoritmos sem saber ao certo como eles funcionam pode ter como consequência a alienação.

Por filtrarem as informações de acordo com o perfil de cada um, os algoritmos de busca e de gerenciamento de redes sociais podem criar a ilusão de que o mundo restringe-se a gostos e opiniões pessoais. O mau uso desses recursos tecnológicos tende a inserir os mais desavisados em bolhas virtuais que reforçam comportamentos nem sempre desejáveis como consumismo, superficialidade nas relações e até mesmo atitudes preconceituosas e violentas. Aprender a usar a tecnologia atual com criticidade passa, obrigatoriamente, pela noção básica do que seria um algoritmo e qual o papel que ele desempenha dentro da máquina.

Saber olhar os computadores, Ipads e celulares enquanto máquinas programáveis, de acordo com o comportamento e perfil do usuário, permite a compreensão de que o mundo vai muito além do ciberespaço.

Sempre será preciso procurar experiências, informações e conhecimentos no mundo concreto, com pessoas reais. Seus filhos só veem vídeos no Youtube? Convide-os para passar uma tarde em um museu. Ajude-os a buscar informações na internet sobre as obras que lá existem. Democratize e amplie o leque de suas escolhas, ensinando seus filhos a fazerem o mesmo. Assim, o risco de entrar nessas bolhas virtuais diminui. Ou seja, tudo resume-se à uma boa e sustentável educação. Educação que inclui uma visão crítica e consciente da tecnologia contemporânea.

Mas não existe usuário competente e crítico sem que esse seja letrado computacionalmente. Saber como os softwares e hardwares funcionam permite que as crianças possam ler o mundo de hoje. Fala-se aqui de ensinar cidadania, construindo a habilidade de pensar e tomar decisões com criticidade e ética. O letramento computacional pode ajudar nesse sentido, pois ele relaciona a linguagem de programação à solução de problemas por meio da aplicação de conteúdos diversos, sempre contextualizados no desenvolvimento dos raciocínios linguísticos e matemáticos. Essa tarefa recai na urgência de formar os professores, transformando-os em agentes de mudança dentro da sala de aula. Em parceria com os pais, as escolas e os docentes da Educação Básica precisam transformar o ensino afim de realmente preparar as crianças para os desafios da sociedade contemporânea. Caso contrário, estamos arriscando formar pessoas que não possuam o preparo necessário para entender, compreender e negociar o mundo no qual vivem.

 

[1] Algébrico refere-se à álgebra. A álgebra é uma parte da matemática que introduz termos abstratos. Um termo abstrato, no contexto da álgebra, é quando se atribui uma letra para representar um número de valor desconhecido (como x e y, a e b etc.).

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