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Não pode haver corpo mais bonito que o de uma mulher grávida

11 de Abril de 2018 | Faz Sentido
Debora-Zanelato-30-semanas.jpg (66 KB)
Débora Zanelato com 30 semanas de gestação | Foto: arquivo pessoal

Tem acontecido desde que o mundo é mundo – ou melhor, desde que nós, humanos, existimos. Mas a cada vez vai continuar sendo um mistério incrível e mágico: como um corpo pode ser capaz de criar outro? Como algum amontoado de células unido vai se transformando, ao longo do tempo, em um bebê pronto para começar a viver aqui do lado de fora? Bem, eu não sei. Chegamos aos 7 meses de gravidez, e uma barriga que vai crescendo perceptível e imperceptivelmente a cada dia. Vai crescendo e revelando uma pessoinha imersa em líquidos, sons do meu coração, ruídos de fora, sensações de gratidão. Um mundo interno acontecendo depressa – ainda acho que 40 semanas são um tempo muito ágil para criar um ser humano – enquanto a vida vai seguindo do lado de cá.

O umbigo salta (ou não), uma linha escura se revela sobre a barriga, os seios ficam mais volumosos, o mamilo escurece. Alguns cabelos ficam mais cheios e brilhantes, algumas peles, mais bonitas e iluminadas. O corpo vai se preparando para guardar mais gordura. As roupas começam a não servir. E depois, no armário, ficam poucas peças que ainda sabem acolher a duas pessoas juntas em uma só camiseta ou calça.

Sei que as transformações físicas podem ser, por vezes, angustiantes ou assustadoras para muitas mulheres durante a gravidez. E às vezes acho que isso acontece porque não estamos acostumadas a deixar o corpo apenas ser o que ele veio ser. Porque a vida toda não fomos estimuladas a gostar das nossas curvas, a se orgulhar de estar na própria pele. Porque o corpo tem sido visto apenas como um corpo estético: o valor está no que é exibido no biquíni, e não na capacidade desses braços e pernas de nos levar à praia e experimentar o calor do sol e as ondas do mar. Mas o que importa de verdade?

Para mim, o corpo é uma ferramenta de possibilidades. Não é uma embalagem para ser exibida e apreciada como uma mercadoria. E lutar contra quem a gente é será sempre uma jornada inglória. Na gravidez, pode ser muito saboroso – e libertador e empoderador e mágico e muito mais – acolher as mudanças, permitir ser esse corpo que é casa, honrar a potência de células que se organizam o tempo todo para criar um pequeno ser completo. Amar a barriga com todo o nosso coração. Enxergar nela esse grande lar generoso que se estica para fazer caber quem cresce a cada dia. Se sentir feminina, potente, forte, criadora. Sinceramente? Não pode haver corpo mais bonito do que esse. Não poderia ter um corpo mais bonito que não esse.

Quando vejo fotos minhas antes de engravidar, até levo um susto: já não me reconheço sem as formas que tenho agora. E talvez porque eu não seja mais mesmo aquela pessoa de antes. Como pude viver tantos anos sem essa barriga? Quando meu Ben nascer, tudo vai voltar a ser como era antes. Quer dizer, na verdade não vai. No saldo final podem rolar alguns quilos extras, ou umas estrias, um quadril mais largo, uma cintura menos fina. Não sei como vai ser, mas nem vejo sentido em imaginar um corpo em vez de aproveitar esse, que tenho agora. Quando chegar, serei, mais uma vez, outra pessoa, com o mesmo corpo, com um corpo diferente. Orgulhosa e plena da capacidade humana de emprestar seus órgãos e suas células para a criação mais incrível de todo o universo. Que isso não se torne banal. Que a gente não se aborreça por muito tempo e volte logo à beleza que é habitar um corpo tão forte, tão criador e tão generoso. Porque esse é, de longe, o corpo mais bonito que a gente poderia ter hoje.  

 

 

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