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Heróis ou vilões, anjos ou demônios. Nada disso, simplesmente humanos

11 de Agosto de 2017 | Sem Manual

Por Marcílio Lana

Uma grande amiga me envia, por meio do WhatsApp, relato sobre conversa mantida entre a filha caçula e um amigo à porta da escola. Os dois têm cinco anos.

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O cotidiano é repleto de grandes expectativas. O que esperamos de nós e o que esperamos dos outros não são ocorrências eventuais, ao contrário, são habituées. É nesse caldeirão de modelos e de projeções que a culpa toma corpo, que as frustrações emergem como fantasmas.

Perto dos 50 anos, estou convicto de que precisamos continuar nos inspirando – em nós mesmos, em nossas referências, em nossos modelos e desejos, mas não podemos permitir que a real dimensão do que somos seja uma "pá de cal” sobre nossa autoestima.

Até mais do que isso: o indivíduo concreto que somos, com enormes defeitos e um hall importante de qualidades, expressa, a meu ver, o que há de melhor em nós: a humanidade. Essa dimensão deve trazer consigo a consciência da imperfeição, das limitações, e precisa ser abraçada como uma inspiração, capaz de nos transformar. Além disso, é a consciência da humanidade que nos faz também reconhecer que estamos cercados de seres humanos, sejam eles pais e mães, filhos e filhas, tios e tias, avôs e avós, padrinhos e madrinhas...

Mas no dia a dia a história pode ser diferente. Lidar com aquilo que realmente somos, com a dicotomia entre a imagem projetada e o indivíduo concreto, equipado de medos e defeitos, tende a ser frustrante. O que fazer quando, por exemplo, o modelo real de pai ou de mãe – o que esperamos de nós – não se manifesta exatamente como gostaríamos? O que fazer quando nossos filhos e filhas nos convidam à realidade?

"Navigare necesse, vivere non este necesse”, disse, no século I a.C, o general romano Pompeu na tentativa de encorajar marinheiros receosos. Então, façamos como o poeta Fernando Pessoa: apropriemos-nos do espírito dessa frase e a partir dela procuremos dar sentido à nossa existência. Ou, simplesmente, "empurremos os carros", sabendo que nossa ação poderá amassá-los. 

Já ia me esquecendo. O tio de Olívia sou eu. Então, #boraIrCaminhando. 

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Cena do filme "Os Incríveis", animação norte-americana de 2004, a sexta da Pixar Animation,
na qual o Senhor Incrível surpreende garotinho