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Gravidez: cada experiência é única; que tal aproveitar?

23 de Maio de 2018 | Faz Sentido
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Foto: Frankie e Marília

Por Débora Zanelato

Às vezes as coisas se desenrolam de um jeito tão fluido e tão fácil que a gente logo começa a desconfiar... E aí pensa “hum, alguma hora algo então vai dar errado”. Acho que eu fui assim a vida toda; com um certo receio de as coisas em algum momento desandarem para mim quando tudo ia muito bem. Então curtia, mas não me entregava 100%. E acho que a gente, de maneira geral, acaba pensando muito assim. “Não, não é possível que está tudo bom!”. Uma das coisas mais bonitas que a gravidez tem me ensinado, curiosamente, é que as coisas podem transcorrer de forma fácil e leve. E que eu posso, ou melhor, que eu devo aproveitar isso com alegria e segurança. Que sim, às vezes tudo pode dar muito certo até o final, e que bom. Por que não aproveitar sem esperar que algo ruim esteja por vir

Passei uma gravidez sem enjos, inchaços, azia... Durmo relativamente bem, e me sinto até mais disposta do que antes. Com mais energia, mais bonita, mais forte. Sei que nem todas as mulheres se sentem assim, mas talvez a gente precise aprender a comemorar mais aquilo que vai bem, sabe? Foi graças às perguntas das pessoas que descobri como a gravidez está tão associada a mal-estar. Como parece que só se espera que se tenha desconfortos. Sim, rola mesmo a tal da romantização, de enxergar a mulher só olhando roupinha de bebê enquanto segura a barriga. Não é só isso, mas nem sempre também vai ser só um mar de mudanças desconfortáveis. Ouvi muitas vezes que teria sintomas em que eu nem nunca tinha pensado antes. “Calma, você ainda vai enjoar, tá cedo”, “Ahn, espera o quinto mês, dá muita azia”, “no sétimo mês você vai ver, as costas doem”, “quando você chegar no oitavo não vai mais usar seus sapatos porque o pé já inchou”. “vai chegar uma hora que você vai dormir sentada”, “você ainda não levanta 10 vezes por noite pra fazer xixi?”. “Ahn, mas é no final que você mais engorda...”. Outro dia ouvi até que mesmo não passando por nada disso nesta gravidez, a próxima poderia ser diferente...  Ou seja, essa daqui nem acabou e já estamos falando de uma possível gravidez futura com desconfortos. Dá pra acreditar?

Isso tudo só confirma o que eu tenho cada vez mais estudado: que o corpo da mulher é sempre visto como uma máquina defeituosa que em algum momento vai dar algum problema. Isso desde quando somos muito novas. Logo na menstruação (com muitas meninas tomando anticoncepcional para supostamente corrigir problemas que ainda nem existem, ou que poderiam ser cuidados de outras maneiras), depois com tantos estereótipos de beleza (a gente nunca pode estar satisfeito com nosso corpo...) e especialmente na gravidez e no parto. Quando uma mulher deseja ter um parto normal, o mais comum é que os médicos inclusive digam “vamos ver, se tudo estiver indo bem, a gente tenta”. Isso é tema para um ou muitos outros posts, mas aonde eu quero chegar agora é que talvez a gente possa ficar mais flexível, mais acolhedor com quem nós somos, com o que estamos sentindo. Que nosso corpo pode funcionar bem, que a vida pode ser mais fácil. O Osho tem uma frase que diz: “Quando algo bonito acontece, aceite, sinta-se grato; quando não acontecer, aceite também, e continue se sentindo grato”. É difícil ser grato pelas coisas ruins. Mas também é difícil ser grato pelas coisas boas sem aquele pezinho atrás.

Fiquei pensando como ninguém está preparado pra viver sem problemas. A gente desconfia demais da vida. Espera sempre a coisa desandar. E quando é com o outro que vai tudo muito bem, ou a gente não acredita ou ainda tenta acabar com a graça dele. A verdade é que a gente nunca tem como saber o que vai acontecer depois. A vida é só um dia depois do outro, mas é sobretudo o agora, o que a gente tem hoje. Se pudermos aproveitar com mais presença e alegria o que estivermos vivendo de bom agora, talvez a jornada fique ainda mais bonita e as lembranças fiquem ainda mais especiais. E a gente possa dizer, se algo de fato desandar: “Eu era feliz e sabia”.

 

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