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Escolhas - nem todas elas podem ser feitas pelas crianças

08 de Outubro de 2018 | Meu Dinheirinho
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Foto: Pixabay

 

Por Carlos Eduardo Costa

Ensinar os filhos a escolher é uma das tarefas mais importantes para os pais. Afinal, ao longo de nossa vida, várias escolhas serão feitas. No passado, o papel de escolher ficava restrito aos pais e mães. Eram eles que definiam tudo a respeito da vida dos filhos. O que elas iriam comer, qual a roupa a ser vestida. Hoje essa realidade mudou bastante. É cada vez mais comum, os próprios filhos fazerem suas escolhas. Mas será que estão aprendendo da forma mais correta?

Primeiro, é importante entender a importância do processo da escolha. Ela é fundamental para resolver um dilema que temos a todo o momento. De um lado, todos nós temos os nossos desejos e vontades. E eles costumam ser ilimitados. Mas por outro lado, os recursos são limitados. O tempo, por exemplo, é o recurso mais precioso de todos. Atualmente, as pessoas desejam fazer mais e mais coisas. Mas o dia de cada uma está limitado a 24 horas. Fica impossível, então, realizar tudo aquilo que foi planejado. Da mesma forma acontece com o dinheiro. Nem sempre ele existirá em quantidade suficiente para se fazer tudo aquilo que se deseja. E qual seria a única saída? Escolher. Saber que não se pode realizar tudo. É preciso que isso seja pouco a pouco compreendido por uma criança.

Mas nem todas as escolhas de uma casa podem ser feitas pelas crianças. Os pais precisam exercer o seu poder nas questões sob sua responsabilidade. Os horários das atividades, por exemplo, devem respeitar a organização da vida familiar. Toda a rotina familiar pode ficar desajustada caso a escolha do horário de realizar a tarefa escolar fique sob a responsabilidade de uma criança. Outro exemplo é a definição da alimentação. Somente os pais conseguem compreender a importância de uma alimentação mais saudável. Como os nutrientes serão importantes no desenvolvimento daquela criança. Ela, por sua vez, está mais preocupada com a satisfação de desejos mais imediatos. Claro que buscará sempre os alimentos que irão satisfazê-la naquele momento.

É importante também compreender que capacidade de escolha de uma criança vai se construindo ao longo do tempo. Por isso, a complexidade das escolhas deve acompanhar essa evolução. No início, será a simples escolha de um brinquedo, depois a de uma parte do vestuário e assim por diante. O número de alternativas também deve ser limitado. Ao invés de perguntar para ela com o que ela quer brincar, inicialmente devem ser oferecidas duas alternativas. Brinquedo A ou brinquedo B. E o leque de alternativas deverá crescer aos poucos. As crianças devem entender desde cedo a importância que o “ou” terá em nossas vidas. Uma coisa ou outra.

 

Cecília Meireles, já na década de 60, escreveu uma poesia que resume bem o dilema das escolhas. E que está presente em nossas vidas independentemente da idade.


Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles

“Ou se tem chuva e não se tem sol,

ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,

ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,

quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa

estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,

ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...

e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,

se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda

qual é melhor: se é isto ou aquilo.”

 

 

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