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Educação tecnológica das crianças deve começar na escola, aos 5 anos

10 de Setembro de 2018 | Techkids
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Foto: Pixabay

 

Por Luciana Louro

O gesto de alcançar o celular todas as manhãs para verificar as horas, o tempo, o trânsito e as últimas mensagens é um ato quase automático para a maioria das pessoas. O que muitos não sabem é que o celular em suas mãos possui mais recursos que a primeira nave espacial que pousou na lua... A tecnologia, com seus avanços exponenciais, está presente em todos os aspectos da vida contemporânea, tornando-a mais rápida, ágil e, por vezes, mais fácil. Embora inquestionáveis os seus benefícios, ainda há muitas questões contemporâneas que nos desafiam.

A solução de problemas cada vez mais visíveis no mundo globalizado como a escassez de alimento, a eminência da falta d´água e os conflitos religiosos, políticos e culturais aguardam por soluções eficientes. O ser humano nunca precisou ser tão inventivo e colaborativo para lidar com tais assuntos.

Isso mostra a necessidade de se investir na formação, desde a infância, de cidadãos capazes de tomar decisões rápidas e relacionar saberes. Movimentos educacionais ancorados no fazer e na experiência, iniciados pelo filósofo americano John Dewey (1859 – 1952), têm ganhado força sob a égide do discurso maker. Este discurso, por sua vez, teve início nos Estado Unidos, por autores como Sylvia Libor Martinez e Gary S. Stager. Conhecido pelo lema ‘faça você mesmo,’ ele sugere que as pessoas produzam seus próprios objetos com o apoio de tecnologia de ponta.

Porém, para incorporar essa prática na educação básica, é importante refletir sobre a abordagem didática a ser escolhida, mantendo sempre o foco no percurso percorrido pela criança para construir o pensamento crítico e criativo. Percurso esse, que passa pela construção progressiva de uma massa crítica de conhecimentos matemáticos, linguísticos, interculturais, tecnológicos e computacionais que instrumentalizem o educando a pensar.

Ensinar por meio do fazer é necessário, mas isso deve estar inserido em um contexto de aprendizagem pré-definido pelo professor e cuidadosamente relacionado aos conteúdos curriculares. Do contrário, corre-se o risco de encerrar a tecnologia em uma hora semanal, dentro de oficinas ou laboratórios de criatividade desconectados do restante das disciplinas escolares, enquanto o currículo obrigatório é cumprido em salas de aula que mais parecem as do século 19.

O letramento computacional revela-se, assim, uma estratégia promissora. Letrar e alfabetizar computacionalmente significa desenvolver os raciocínios lógico, linguístico e matemático, por meio de sequências didáticas, preparadas especificamente para o ensino da escrita de códigos computacionais sob a perspectiva da interdisciplinaridade.

Estudantes e professores redescobrirão o mundo para recriá-lo virtualmente, colocando em prática seus conhecimentos em códigos de forma significativa. O educando será um autor, um criador, mas, antes de tudo, um pensador crítico de tecnologia.

Propõe-se, portanto, inserir as crianças no universo dos códigos de computadores a partir dos 5 anos de idade, a fim de aproveitar o trabalho de iniciação à cultura escrita feito durante toda a educação infantil.

Para isso, é fundamental formar os professores, de modo que sejam capazes de conjugar seus saberes com a escrita de códigos computacionais. Trata-se de uma estratégia sólida para iniciar uma transformação digital efetiva da educação básica.

Ao invés de apostar somente em máquinas, softwares, robôs e outras parafernálias tecnológicas, vendidas com a promessa de educar tecnologicamente, as escolas devem alocar recursos na formação de seus maiores tesouros: os docentes e os estudantes. Afinal, a inteligência humana precede a inteligência artificial.