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Despedida da barriga – e enquanto o bebê não chega

06 de Junho de 2018 | Faz Sentido
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O barrigão dos dias finais de gestação | arquivo pessoal

Por Débora Zanelato

Já sinto saudades da gravidez, ao mesmo tempo em que espero para segurar meu filhote. Como você viveu esse período?

Chegamos na reta final de gestar uma criança. Tão engraçado falar final; talvez esse momento seja só um entremeio, uma transição, pra algo que não acaba, que na verdade recomeça de outra forma. Ao longo da gravidez, a gente vê não só o corpo se transformar. A gente se vê regressar de vários pequenos mergulhos dentro de nós mesmas a fim de encontrar esse novo lugar em que em breve vamos estar. Mães. Para sempre. O maior e mais audacioso mergulho da vida.

Estou me despedindo da barriga, naquele limiar de tempo em que parece que a gravidez já acabou, mas o bebê ainda não chegou. É um hiato curioso. Recebo mensagens de amigos e familiares; acho bonitinho as pessoas escreverem querendo notícias. Mas não tem notícias (se tivesse, a gente já teria dado, né). Essa espera final tem me feito refletir, mais profundamente, sobre esses meses em que viajamos juntos nessa aventura. A primeira viagem a três. Um pequeno filme começa a ser desenrolado, docemente, entre as minhas lembranças. O que mais priorizei nesse tempo todo foi estar com meu filhote. É claro, ele estava comigo o tempo todo, mas esse “estar” é um estar presente. Um estar a sós. Na hora de dormir, de acordar, nas nossas meditações, nas caminhadas ou nas aulas de ioga. Ou só enquanto eu estava lavando uma louça. Passar um dia fora e chegar em casa correndo pra ter esses momentos a sós, em que se pode conversar com a barriga sem se preocupar por acharem que você fala sozinha. Ter o filhote assim, de companhia o tempo todo, é algo do qual estou me despedindo, já nostálgica.

Porque em algum momento, quando a barriga aparece, mesmo que você encontre dificuldades para amarrar os sapatos ou pegar as mil coisas que deixa cair no chão, em algum momento essa barriga parece que sempre foi sua. Como eu era sem ela eu já nem lembro... Como eu era sem meu filhote eu já nem lembro...

Encerrar ciclos, vivenciar a natureza de nascimento-morte-renascimento é um dos meus mais recentes aprendizados da maternidade que ainda me espera. Se despedir da gestação também é respeitar os ciclos; é entender que há o tempo de gestar, de nascer. Para a mãe, tempo de renascer. Quem a gente era já não somos mais.

Meu filhote, tão quentinho aqui dentro, também vai aprender a renascer. Por tantas semanas, todas as suas necessidades eram atendidas sem que ele sequer precisasse expressar alguma ação. Tudo fácil, fluido, completo. Uno. Em poucos dias, quando ele e meu corpo entrarem em um acordo sobre essa despedida, ele vai precisar aprender tantas coisas. A encontrar a saída, a respirar, a mamar, a chorar. A regular a temperatura do próprio corpo, a se entender com seus novos pais. Talvez a vida de um recém-nascido seja um bocado difícil. Talvez a vida de uma recém-mãe seja um bocado difícil.

Meu desejo profundo é que possamos ser os melhores companheiros um do outro. Que o nosso trio aqui em casa renasça cheio de fé, de amor, de harmonia. Com essa vontade de viver e de nascer que aprendemos com nosso bebê ao longo dessas muitas semanas.

Se você pudesse me contar um pouco sobre como foi esse tempo, que parece sem-tempo, às vezes longo, às vezes breve, o que me diria? Pode ser que se pegue pensando nessas memórias também com saudade do tempo vivivo. O antídoto, pra mim, são essas memórias, a que a gente pode recorrer sempre que der saudade. E, mais ainda, tentar viver com presença cada um desses dias que vieram e que estão por vir. Logo uma vida nova chega. Para que novas vidas cheguem juntos.

Até ;)

 

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