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Como você descobriu que estava grávida?

20 de Dezembro de 2017 | Faz Sentido
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Foto: Pixabay

 

Por Débora Zanelato

"Como você descobriu que estava grávida?" é, deliciosamente, uma pergunta que eu nunca sei bem como responder. Escolho entre a resposta padrão sobre o domingo em que eu fiz oficialmente o teste de urina no banheiro da minha casa ou arrisco olhares desconfiados para dizer que eu me sentia grávida desde o primeiro dia. Desde o dia em uma célula disse sim para a outra e tudo começou a acontecer para que uma criança passasse a existir nesse tempo através de mim. Eu me sentia grávida. Era uma certeza não teimosa, mas sutil, serena, plena.

Em poucos dias fomos viajar e, em cada passeio ou refeição, eu brincava de imaginar o que estaria acontecendo dentro de mim para que aquela nova vida se manifestasse. Quantas células se dividindo, se conectando, se aconchegando? Era tão bobo, mas tão gostoso! (Acho que desde cedo as mães vão aprendendo que as coisas bobas são mesmo as mais gostosas). Na semana em que a minha menstruação estava prevista para chegar, eu comemorava a cada ida ao banheiro sem nenhum sinal dela. Acho que cada papel em branco era meu pequeno positivo. No meu coração, meu “sim oficial” veio no primeiro dia em que a menstruação não apareceu. Então eu estava certa, meu bebê havia feito a sua audaciosa viagem com sucesso para estar comigo para sempre. Curti meus dias de atraso até fazer o teste de urina, quase que por desencargo, assim como o de sangue, que fiz para guardar como especial recordação.  Eu sorria sem poder sorrir demais, pois ao meu lado havia um marido ansioso, e o combinado era que ele soubesse com uma surpresa – que precisava de alguns dias para poder dar certo e de uma esposa que soubesse disfarçar... (esse é assunto para um outro post).


Mas para além das minhas respostas intuitivas ou concretas, gosto de pensar como é que descobrimos nossa gravidez. Não o dia do teste, nem o dia do atraso. E sim aquele dia em que a gestação começou no sonho, nas ideias e no coração, antes de chegar à barriga. Quando os nove meses dão sinais ainda no casal de namorados que decide qual nome dar para suas crias. Ou quando as vitrines das lojas de bebê passam a se tornar especialmente encantadoras (e você não resiste e compra só uma coisinha ;). Acho que para cada mãe existe um sim. Mesmo para aquelas cuja gravidez não foi exatamente planejada, cujo “sim” chega depois do teste de farmácia e depois se torna igualmente bonito e especial.

Tenho muito carinho pelos meus “sins”, e me recordo deles com muito amor. Dos momentos em que eu gestei meu bebê nos meus sonhos, nos meus planos. Nos meus boards secretos no Pinterest, nas peças de Lego espalhadas pela minha sala. Inclusive nos medos de adolescente que eu tinha, que eram “não” e que ao longo dos anos se dissolveram para virarem sim. Acho que você também deve se lembrar dos seus sins, e gostaria que hoje a gente olhasse para eles com alegria e agradecimento. (talvez seja um ótimo antídoto quando tudo parece estar dando errado).

Quando me perguntam quando eu soube da minha gravidez, esse filme vira uma fração de segundo e eu nunca sei como responder. Respondo com o dia do teste de urina, o real-oficial, mas nunca me esqueço de todos os sins que eu disse até que esse novo sim pudesse chegar. Agora estou aqui, orgulhosa dos meus quase quatro meses, quatro meses que meu bebê também disse um suave sim para mim.