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Bem-vindos ao clube do zero e um: o 'segredo' do mundo digital

26 de Novembro de 2018 | Techkids
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Foto: Pixabay

 

Por Luciana Louro

Quem já não viu seu filho, sobrinho ou afilhado baixar um game e instalar um aplicativo em um piscar de olhos? Muitas vezes, temos a impressão de que as crianças já nasceram sabendo mexer nos dispositivos midiáticos contemporâneos. No entanto, será que nossos pequenos têm consciência do que estão fazendo? Eles são capazes de avaliar a segurança e até a pertinência dos aplicativos, games ou informações que instalam e usam com tanta facilidade? Eles conseguiriam, sem nenhum tipo de ensino prévio, identificar um problema de funcionamento da máquina que vá além de clicar em ícones ou apertar os botões certos? Eles saberiam resolver um problema na vida real ou virtual que não possua um aplicativo com a solução já pronta? Se eles são meros usuários, provavelmente, não.

Para conseguir usufruir da tecnologia de forma criativa, segura e transformadora é preciso entender com ela funciona. Por isso, aprender a programar na forma de um letramento é muito mais do que decodificar uma ou várias linguagens de programação. O letramento computacional é compreender a lógica inerente aos dispositivos digitais, quais são seus possíveis e desejáveis usos dentro da sociedade, bem como a relação dessa tecnologia com os saberes matemáticos e linguísticos.

Nos últimos artigos, vimos como as informações entram no computador (input), são processadas por ele, de acordo com um algoritmo pré-estabelecido por uma inteligência humana ou artificial, e saem na forma de imagens, textos, números, sons, games ou vídeos (output). Mas como isso acontece? Para compreender esse processo é preciso entender a maneira como o computador compreende, organiza e processa suas informações.

A revolução tecnológica contemporânea foi possível graças à invenção do transistor, um semicondutor de energia que além de amplificar a corrente elétrica também funciona como um interruptor que, basicamente, liga e desliga conforme a intensidade da voltagem. Quando há uma voltagem suficiente ele está ligado ou ON. Caso contrário ele estará desligado ou OFF.

Para simbolizar o ON e o OFF convencionou-se o 0 para OFF e o 1 para ON. Todas as informações ou inputs que o computador recebe só podem ser compreendidas pela máquina na forma de sequências numéricas de 0 e 1 (OFF E ON). Essa é a verdadeira língua do computador, conhecida como linguagem de máquina. Assim quando o computador lê um comando dado por qualquer linguagem de programação ele precisa, antes, traduzir esse comando para uma sequência de zeros e uns que funcionam de acordo com o sistema binário, um tipo de numeração posicional. Essa representação numérica por meio dos dígitos 0 e 1 originou o termo ‘tecnologia digital’. O ato de quantificar nasceu junto com a aurora da espécie humana. Com o tempo, o Homem começou a criar símbolos para representar quantidades. Esses símbolos foram organizados em sistemas de numeração posicional. No ocidente, costumamos usar o sistema decimal, com algarismos de 0 a 9, que são organizados em numerais. Mas existem outras formas de fazer isso. Por exemplo, alguns índios da Amazônia contam de cinco em cinco. Importa lembrar que o número está relacionado à quantidade, o numeral é a representação gráfica dessa quantidade, e os algarismos são os símbolos convencionados para escrever os numerais. Veja o exemplo ilustrado de algarismos, números e numerais no sistema decimal.

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Figura 1

Antes de compreender o que é sistema binário, precisamos entender como a numeração posicional opera. Assim, vamos continuar, por hora, no sistema decimal. 

Observe a figura abaixo:

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Figura 2

 

Na figura 2 usou-se o exemplo de dez posições. Observe que cada posição representa uma quantidade de unidades. Veja que temos 10 algarismos diferentes para simbolizar os numerais que representam as quantidades ou números. Quando chegamos em 10 unidades, começamos a combinar esses algarismos para formar novos numerais. Outra característica importante do sistema de numeração posicional é que no momento de escrevermos os numerais começamos sempre pela posição maior, com ilustra a figura 3 a seguir.

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Figura 3

 

Muito bem, agora vamos ver o sistema de numeração posicional binário com um exemplo de seis posições iniciando pela posição que representa 0. Se contarmos o número da figura acima, excluindo o zero à esquerda, percebe-se que o sistema posicional binário faz sua contagem multiplicando o número 2 por ele mesmo, como pode-se observar na próxima imagem (figura 4).

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Figura 4

 

 

A partir do que foi explicado, seria possível “ler” a quantidade representada pelo numeral abaixo:

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Figura 5

 

Como? Conte as unidades das posições que exibirem o algarismo 1. Lembre-se que é preciso contar da maior posição para a menor. Se você contar as lâmpadas nessas posições verá que esse numeral representa 10 unidades.

Conforme ilustra a imagem a seguir:

clube0-1-fig.6.jpg (1.13 MB)
Figura 6

 

Uma vez explicado como o computador processa numericamente as informações, resta a pergunta: de qual maneira ele usa essas sequências e valores numéricos para compreender os comandos dados pelos programadores? A resposta é muito simples e fascinante. Mas esse será o tema a ser abordado ao longo da série de artigos sobre o Clube do zero e um. Por hoje, você já conheceu o primeiro “segredo” do computador: o transistor e seu desdobramento simbólico mais imediato, o sistema binário. No próximo post será proposta uma brincadeira educativa envolvendo zeros, uns e enfeites de natal secretos!. Aguarde!

 

 

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