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14 conselhos de Içami Tiba que os pais de adolescentes devem conhecer

11 de Abril de 2018 | Parent Coaching Brasil

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Por Jacqueline Vilela

Um dos maiores livros sobre educação na adolescência que li na vida foi Quem Ama Educa! Adolescentes, escrito por Içami Tiba.

É uma obra que eu não me canso de recomendar para os pais de adolescentes. Mais do que isso, estou sempre consultando de tempos em tempos para a educação da minha própria filha, porque é uma leitura leve e fácil, mas ao mesmo tempo direta e franca. Você já leu?

O livro é dividido por quatro partes principais, cada uma com capítulos detalhando o tema, e promove reflexões e ensinamentos sobre a adolescência, estudos, sexualidade, drogas, família e gerações.

Hoje eu quero compartilhar com você algumas das minhas frases favoritas de Içami Tiba, psiquiatra, psicodramatista e escritor que tanto ajudou as famílias ao longo da sua vida. Recomendo fortemente que você leia as dicas, reflita sobre elas e, principalmente, leia o livro.

São conselhos preciosos para você não apenas educar filhos adolescentes, mas para ser uma pessoa melhor:

#1. Sobre a Adolescência dos Filhos

É na adolescência que o filho se lança ao mundo, e aos pais cabe torcer por ele e socorrê-lo quando preciso. Também é responsabilidade educativa dos pais interferir quando algo não vai bem, mas agora adotando um novo posicionamento educativo.

Por mais que queiram e possam, os pais de adolescentes precisam evitar tomar decisões pelos filhos porque é preciso prepará-los internamente para que eles possam se proteger sozinhos e enfrentar as consequências nas escolhas.

#2. Sobre a antecipação da adolescência

Do ponto de vista biológico, a adolescência está começando cada vez mais cedo, talvez um a dois anos antes do que a geração dos pais, mas essa atitude não deve ser incentivada pelos próprios pais.

A criança se sente no direito de fazer o que os mais velhos fazem, exigem celular sem nenhuma finalidade, querem definir a escola que vão estudar, o momento que vão fazer as coisas, dão presentinhos para "namoradinhas" aos 3 anos de idade... Dê poder a uma criança ingênua e ela mostrará incompetência no poder.

Essas decisões não deveriam ser tomadas por eles. Como um garotinho de 11 anos vai conseguir arcar com as consequências dos seus atos se é apenas uma criança?

Crianças precisam de supervisão e controle. Pais que são firmes, em vez de rígidos, conseguem melhores resultados com os filhos.

#3. Sobre sexualidade

É preciso deixar claro todos os pontos de vista sobre um filho(a) que traz sua(seu) namorada(o) para dormir em casa. Os pais devem manter a sua posição clara e firme sem temer que isso possa prejudicar os filhos.

O que realmente prejudica é o fato de os filhos terem a sensação de que podem fazer tudo o que quiserem sem levar em consideração o que os pais pensam e sentem. 

#4. Sobre drogas

Para preparar o filho para que não use drogas, o que vale é a combinação dos comportamentos do pai e da mãe, formando atitudes baseadas no princípio educativo da coerência, constância e consequência.

Os pais de hoje têm feito apologia do prazer. Não importa quanto eles se sacrifiquem, querem que o filho tenha prazer. A parte do sacrifício fica apenas para os pais. Isso, a rigor, é educar para que os filhos usem drogas.

Muitos jovens atribuem à maconha poderes que ela não tem, num preconceito positivo, enquanto muitos pais consideram o filho um viciado se ele tiver fumando maconha, num preconceito negativo. Assim, num campo já minado, os preconceitos bilaterais explodem o relacionamento entre pais e filhos.

#5. Sobre a família

A família sempre foi, é e continuará sendo o principal núcleo afetivo de qualquer ser humano. Na família nasce o SER. Na adolescência, ele busca sua identidade social. 

Com autonomia comportamental e independência financeira, o adulto jovem busca alguém para ter sua parceria.

Seu maior sonho é realizar a felicidade. Pelos filhos, a felicidade se perpetua. Ser eterno é o seu segundo maior sonho. A civilização se alimenta da educação e história dos filhos.

Histórias que escrevem páginas no livro da humanidade.

... E os filhos trazem na sua própria existência a felicidade e a eternidade dos seus pais.

#6. Sobre os pais que não educam

Há mães que não admitem interferências no seu relacionamento com o filho. São mães onipotentes que acreditam que, se foram capazes de gestar, parir e criar um filho, saberiam também educá-lo. A realidade atual tem comprovado que se enganam.

Os pais retrógrados são os "donos da verdade" e acham que sabem o melhor caminho para os filhos, ou os carregam para que não se cansem. É aquele que acha que já sabe de tudo e que não precisa aprender mais nada.

Uma vez, vi um pai se abaixar para amarrar o cadarço do tênis de um garoto de 11 anos. É uma tarefa que o filho poderia muito bem executar.  Se o filho sabe amarrar os sapatos e não o faz, é um folgado que sufoca os pais. Se não sabe, é um ignorante que só postergou o aprendizado.

O que fará na escola esse garoto, onde os seus pais não estão e as pessoas presentes não têm tempo para ficar amarrando o cadarço de ninguém?

#7. Sobre a nova educação na adolescência

O mundo está em plena mudança. O passado já aconteceu e temos história para nos lembrarmos, o presente está mudando numa velocidade cada vez maior e caminhamos para um futuro inimaginável.

As estruturas físicas precisam ser adaptadas aos avanços tecnológicos.

Mais do que nunca a família ganha importância, principalmente se ela for atualizada com os novos conceitos educacionais. Alguns pais insistem em repedir modelos ultrapassados, ancorados em uma espécie de lamento saudosista: "No tempo do meu pai era bom. Bastava ele me olhar, que eu obedecia".

Mas, se realmente tivesse sido tão bom, teríamos repetido o que eles fizeram e não teríamos participado dessa revolução evolutiva.

#8. Sobre a educação para o sucesso

Não basta oferecer ao filho uma boa escola, modernos cursos extracurriculares, alimentação de qualidade e os melhores cuidados médicos, porque educação é um projeto que requer foco e estratégias de ação, para atingir o objetivo pretendido.

Em uma família de alta performance, as rotinas seriam os deveres de cada um, para que ninguém fique perdendo tempo tocando a rotina dos outros. Arrumar o próprio quarto é um exemplo. Cada um que arrume o seu, pois ninguém deve sobrecarregar o outro. Máquinas precisam de comandos, e filhos de líderes.

Os pais líderes educadores não carregam sozinhos os seus filhos, mas estimulam-nos a ser comprometidos com o sucesso da família. 

#9. Sobre comportamentos dos filhos

Todas as grandes alterações comportamentais começam pequenininhas até ficarem evidentes e prejudiciais. Corrigir o que já se modificou é muito mais difícil do que mudar o rumo do que está se alterando.

Os pais não deveriam aceitar a tirania juvenil, pois ninguém pode ser tirano na sociedade. Isso é um princípio educativo.

Os pais sentem-se mais fracos do que o filho, que se sente forte justamente pela impotência deles. Eles não se abrem com ninguém, com receio de expor o próprio filho, e de vergonha da situação. O filho está acima de tudo e de todos.

#10. Sobre tempo para os filhos

Há pais com tempo ocioso, mas "sem tempo para os filhos", e pais "sem tempo para nada" conseguem tempo para o amor. Cada um faz o seu tempo.

Pais e filhos adolescentes precisam encontrar meios de comunicação mais eficientes, atuais e prazerosos.

Como os adolescentes se comunicam entre si quando não se encontram pessoalmente? Sim, pelas tecnologias! Se a presença física está difícil, além dos bilhetes e telefonemas, é bom aproveitar a tecnologia dominada pelos jovens para mandar torpedos, usar e-mails, Whatsapp, etc. 

#11. Sobre estudos

Estudo não se negocia, ele é importante não só para a capacitação e formação pessoal, mas também para o benefício e qualidade de vida da família e da sociedade.

Mais importante do que tirar notas altas é aprender. E mais importante do que ter informações dentro de si é aprender a encontrá-las. É preciso ter consciência da necessidade de aprender. O aprendizado não faz mal a ninguém e filhos levam para a escola o que aprenderam em casa.

O adolescente precisa ter um cobrador externo para que construa um cobrador interno. Os pais precisam fazer esse papel, cobrando. Já que a escola não está conseguindo melhores resultados com esse sistema de educação, que cada família descubra quais métodos podem ser usados para forjar a personalidade do filho, a fim de transformá-lo num cidadão competente.

#12. Sobre administração financeira

Estar pobre ou rico não cabe somente à sorte. Em geral pobre é a pessoa que não conseguiu ganhar dinheiro ou administrar bem o que recebeu. Muitos profissionais ganharam bem, mas não se tornaram ricos por falhas na administração financeira.

Antes de gastar qualquer quantia, vale a pena fazer três perguntas: Eu preciso realmente disso? Para quê? Preciso comprar agora?

Para educação financeira, toda compra que não se usa, não se curte nem sequer se negocia é um desperdício. O desperdício é sempre muito caro, pois é dinheiro jogado fora.

#13. A importância do trabalho

O filho está aprendendo o jogo da vida por meio do trabalho. Todo jogo tem suas regras, e ele tem que aprender as regras de sobrevivência. A primeira delas é a relação custo-benefício.

O comprometimento com a família pode ser construído no dia a dia, à medida que a família exige que o adolescente cumpra suas obrigações, até atingir o amadurecimento. Entre os funcionários igualmente capacitados, vence o que estiver realmente comprometido com o projeto, por isso a importância do adolescente aprender em casa.

Mau trabalhador é a pessoa que trabalha o suficiente para não ser despedida e reclama que ganha pouco. Muitos filhos, trabalhando como maus empregados, estudam apenas o suficiente para passar de ano, fazendo o mínimo em casa e recebendo tudo de "mão beijada". Acabam sendo mal preparados para o trabalho, cujas exigências andam a passos gigantes.

Se o trabalho for progressivo e em nada prejudicar os estudos, pode até ajudar o estudante a se organizar melhor. O trabalho em si não prejudica o homem em nada.

#14. Sobre a fase das flores

A adolescência é a etapa humana que corresponde à das flores antes de se transformarem em frutos. Os adolescentes existem, atraentes, exuberantes, perfumados, coloridos, agitados, exibidos, gregários, querendo ver e ser vistos.

Das flores é que se formam os frutos e os adultos, que já foram adolescentes, querem que esses adolescentes funcionem como se fossem frutos. E os adolescentes querem que os adultos tenham os mesmos pontos de vista deles.

Conflitos entre adultos e adolescentes são naturais e acontecem. O que deve ser evitado é que os conflitos evoluam para confrontos.

Os adultos precisam funcionar como raízes que alimentam os alados, e não como âncora que os prende num local.

O adolescente é pequeno demais para grandes coisas, grande demais para pequenas coisas.

 

 

Qual conselho mais impactou você? Escreva nos comentários para que eu possa escrever mais a respeito.

Com amor,

Jacqueline

 

 

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