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Crianças entram em contato com o mundo carnavalesco; conheça algumas histórias

01 de Fevereiro de 2018 | Diversão - Notícias

Por Luciana Ackermann

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Na ala infantil: Victoria, 8, e Dominique, 7, vão desfilar pela na Filhos da Águia (escola mirim da Portela) | Foto: Ricardo Borges

 

O DNA no mundo do samba é poderosíssimo. Relatos de famílias que herdam o amor por uma determinada agremiação são recorrentes, e esse sentimento atravessa gerações e aparece na mais tenra idade. Nas quadras do Rio, as crianças marcam presença e fazem bonito. E engana-se quem pensa que essa integração acontece só nos meses que antecedem o Carnaval; os pequenos sambistas vivem sob a atmosfera alegre, democrática e descontraída das quadras ao longo de todo o ano, participando de ensaios, festas, feijoadas, shows e apresentações.

Esse é o caso de Victoria, de 8 anos, filha de Camilinha Nascimento, segunda porta-bandeira da Portela, bisneta da também porta-bandeira Vilma, consagrada como o “Cisne da Passarela”, e tataraneta de Natal, patrono da azul e branco. “No Carnaval de 2009, saí na ala da diretoria, grávida da Victoria, com seis meses de gestação”, conta a mãe, que completa: “Sem dúvidas a quadra da Portela é a segunda casa dela, que desfila na Filhos da Águia (escola de samba mirim da azul e branco)”.

Por enquanto, a garotinha não pensa em seguir os elegantes passos da bisavó, da mãe e da tia, preferindo ser passista, para sambar sozinha. “O pai tenta influenciá-la, fala que ser porta-bandeira é muito mais bonito, usa vestidos lindos, tem bandeira. Até agora não deu muito certo, não”, diz Camilinha.

Victoria desfilará como musa e não desgruda da rainha da bateria da Portela, amiga da família. “Ela está doida para usar biquíni, mas só o maiô está liberado. Quem sabe mais pra frente ela não mude de ideia e passe a se interessar mais pela porta-bandeira?”, diverte-se a mãe, que vê inúmeros benefícios na formação da pequena em meio ao mundo do samba e inicia a extensa lista: “O samba faz parte da nossa cultura, as crianças aprendem mais sobre história com os enredos, fazem novas amizades, convivem com as diferenças, porque há pessoas de todos os níveis sociais, raças, etnias”.

Luanda Costa, neta de consideração do presidente da escola na década de 50 e mãe de Dominique, de 7 anos, concorda plenamente com Camilinha. “Somos uma enorme família portelense. Esse convívio traz desenvoltura, mostra outras realidades. Minha filha brinca com todos, sem nenhuma distinção, e há pessoas de todas as classes na quadra. Ela tem amigos na Portela, no balé, no violino, no jiu-jítsu, no inglês.

Isso só agrega e amplia as possibilidades de aprendizado e amizades”, afirma. Isso sem falar da magia e do universo lúdico e criativo que fazem parte do Carnaval, passando pela própria organização de um desfile, com as várias alas, a disciplina dos ensaios, a dedicação e a responsabilidade dos componentes das escolas para realizarem um belo trabalho.

Dominique desfilará pelo terceiro ano, desta vez na ala coreografada da Filhos da Águia – e ela adora. “Minha filha já sambava na barriga. Depois, com apenas 10 meses de idade, usando fraldas, deu os primeiros passinhos na frente da bateria. Está no sangue, já que eu fui passista mirim até os 15 anos da ala infantil da Portela, quando ainda não existiam as escolas de samba de crianças. Lembro que prendíamos latinhas de cerveja no sapato para fazer barulho, e a tia Clara (a Clara Nunes!) ficava admirando a gente”, conta Luanda.

 

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Primeiro desfile: Giovana Galdino, ex-The Voice Kids, estreará na Sapucaí ao lado de Neguinho da Beija-Flor | Foto: Eduardo Hollanda

Do The Voice Kids para a quadra

A talentosa Giovana Galdino, de 10 anos, que mora na Zona Sul carioca, ficou famosa defendendo seu amor pelo samba no programa The Voice Kids, da TV Globo, e encantou. A pequena sambista deverá estrear em alto estilo na Sapucaí, no carro de som, ao lado de Neguinho da Beija-Flor interpretando os seguintes versos: “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”.

Giovana está na maior expectativa e conta que realizará um sonho: “Acho que vai ser muito emocionante. Tudo é muito legal, especialmente estar com o Neguinho da Beija-Flor, que, nos ensaios, diz que eu canto muito (risos)”. Em 2017, a pequena bombou nas redes sociais, com um vídeo caseiro interpretando o samba da Mangueira, que foi, inclusive, compartilhado na página oficial de nada mais nada menos que o cantor e compositor Chico Buarque. A pequena, que é filha de músicos, tem Elis Regina e Marisa Monte como cantoras preferidas e não tem a menor dúvida de que quer levar a vida cantando sambas mundo afora. Sua mãe, Maria Thereza Borges, resume a história: “Há 18 anos canto samba-enredo nas disputas, em diversas escolas. Cantei grávida, fui às escolas com a Gigi no sling, e o pai dela também é do samba, compõe. Ela tem o talento dela, sempre gostou de cantar com a gente”.

A pequena já acompanhou o pai no Grupo Deita e Rola, que se apresenta na praça de alimentação da Cidade do Samba. Inclusive, era para a voz de Giovana estar no CD dos sambas do Carnaval de 2018, mas, devido a questões burocráticas junto ao Juizado da Infância e da Juventude, a menina não pôde participar – felizmente, para o grande dia do desfile, os pais garantem que está tudo certinho.

Também é grande a expectativa para o desfile de Carnaval na família de Licia Nunes, mãe de Leandro, de 9 anos. Ele foi escolhido e estreará em uma nova função: a de “proteger o pavilhão da escola mirim Mangueira do Amanhã como mestre-sala”. Leandro já era passista da verde e rosa mirim e está no segundo ano de reinado da corte infantil oficial como rei momo. “Ele se esforçou bastante, respira Carnaval, está sempre sambando, ensaiando dentro e fora de casa. Faz aulas de dança, curso de mestre-sala. São tantas as atividades que não consigo acompanhar a agenda dele. Eu trabalho e estudo, então são a avó e a tia que o levam aos ensaios, às gravações e às apresentações”, resume a mãe do folião que vai dar um jeito de ver o menino brilhar na Sapucaí.

 

Lá vem história: as agremiações e os desfiles das crianças

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Leandro, 9, tem agenda cheia na Mangueira do Amanhã
Foto: Leonardo Eiras

A ideia de criar uma escola formada genuinamente pela garotada foi de Arandi Cardoso dos Santos, conhecido como Careca do Império, da Império Serrano. Isso em 1979, quando o Unicef celebrou o Ano Internacional da Criança, segundo a Associação das Escolas de Samba Mirins do Rio de Janeiro (AESMI-Rio).

Após um tempo, em agosto de 1983, Arandi realizou o sonho e criou o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mirim Império do Futuro, que carrega o verde e o branco da tradicional Império Serrano, sediada no Morro da Serrinha, contando como o apoio de João Nogueira, Dona Ivone Lara, Alcione e Beth Carvalho. O foco foi oferecer atividades culturais com o jongo e o samba às crianças e aos adolescentes, evitando o contato delas com a droga e com a marginalidade.

O primeiro desfile ocorreu em 1984, ano de fundação do Sambódromo. Não foi fácil: a Riotur, então responsável pela organização dos desfiles, não queria permitir. Um protesto foi organizado por Careca do Império, com as crianças sentadas no chão da concentração e artistas como Martinho da Vila, Alcione e João Nogueira à frente, e só assim a escola pôde passar.

De lá pra cá, outras tantas agremiações de crianças foram criadas, tornando-se um verdadeiro celeiro de muitos sambistas, como, por exemplo, Dudu Nobre e Lucinha Nobre, que eram da Alegria da Passarela. Atualmente, 16 escolas de samba mirim desfilam na Sapucaí. Nelas, participam crianças e jovens. Todas devem estar matriculadas e contar com a presença dos responsáveis legais. O desfile das escolas mirins será na terça-feira de Carnaval, dia 13, das 18h às 2h. Cada escola tem 30 minutos de desfile.

SERVIÇO:
Acesso às dependências do Sambódromo: arquibancadas (acesso gratuito), frisas e camarotes (somente por meio de convites).
Local: Avenida dos Desfiles Professor Darcy Ribeiro (Sambódromo).

Para desfilar: é preciso procurar as escolas para checar a disponibilidade de fantasias, que são gratuitas. É indispensável apresentar a documentação necessária na agremiação escolhida (documento que comprove a matrícula da criança e duas fotos 3x4).

 

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